Cocito, o anjo que entortava pernas

Vida e obra do ídolo e vilão, Cocito

Cocito: o tocador da sétima trombeta (foto: Sambafoot)
Por: Diego Giandomenico, PR

O futebol é assim. Nem todos nascem para receber os louros da vitória, serem reconhecidos pelo seu talento ou até mesmo ter uma legião de fãs ao seu redor. Na verdade, o futebol é bem menos glorioso do que se pinta por aí. Ele é repleto de caras comuns, que um dia sonharam em ganhar o mundo com os pés, mas acabam no máximo conquistando seu bairro. Faz parte, assim como tudo na vida, alguns nascem pra sofrer enquanto o outro ri. O futebol também não é só feito de belos lances. Aliás, esses são raros momentos. No geral é um sessão de esbarrões, encontrões, chutões, carrinhos, tombos, cabeçadas e corridas sem-fim.

E se boa parte do futebol é feito disso, então nosso nobre Thiago Cocito era um Garrincha do Apocalipse, que tinha a árdua missão de parar todo e qualquer movimento gracioso e a incumbência de exterminar todas as belas jogadas. Como um anjo da morte, trazia ao cabo todos os lances de ataque do adversário. Às vezes trazia cabo ao adversário também. Mas isso faz parte de um esporte onde a maioria do tempo vemos esbarrões, encontrões, chutões, carrinhos, tombos, cabeçadas e corridas sem-fim.

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Cocito em sua árdua missão (foto: Furacão.com)

A culpa não era de Cocito, o jogo pedia isso e ele prontamente se colocou como arauto da virilidade no meio de campo. Afinal de contas, alguém tinha que fazer o jogo sujo e se você, meu nobre amigo atleticano, lembra apenas de Alex Mineiro, Kléber Pereira, Kléberson e Adriano Gabirú, esquece que quem ajudou e muito na conquista do inédito Brasileirão foi Cocito.

Cocito iniciou sua saga futebolística no Batatais, pequeno time do interior de SãoPaulo. Logo depois foi para o Botafogo de Ribeirão Preto, onde se profissionalizou. Não sem antes passar pela seleção brasileira. Sim, Cocito já vestiu a amarelinha e você não. O volante foi campeão do Torneio de Toulon de 1996, figurando ao lado de jogadores como Alex, Fábio Costa, Roni e Athirson – que geração. Em 1998, a transferência que mudaria sua vida. Assinou sua ida para o Clube Atlético Paranaense. Lá, Cocito ganhou status de ídolo e vilão. Ídolo para os rubro-negros paranaenses e vilão para todos os outros que temiam perder seus craques em campo. Ganhou o tricampeonato estadual pelo Furacão, mas foi a campanha no Brasileirão de 2001 que marcou sua carreira, para o bem e para o mal.

O Atlético tinha feito a segunda melhor campanha na fase inicial, então tinha a vantagem do empate contra o tricolor paulista. Cocito foi escalado para segurar a jovem revelação do São Paulo, um tal de Kaká. São Paulo tinha um time forte com nomes como França, Gustavo Nery, Júlio Baptista, Adriano e claro, Kaká. O Atlético-PR venceu com gols da sua dupla de ataque infernal, Alex Mineiro e Kléber Pereira. Adriano fez o gol do São Paulo. Mas o lance que ficou na mente de todos foi o de Cocito em cima de Kaká, ocorrido aos 33 minutos do primeiro tempo, quando o Atlético vencia por 1 a 0. O craque são-paulino saiu de campo chorando. Cocito, em sua defesa, diz que escorregou e que apesar de ser duro em suas jogadas, nunca chegou para machucar.

Símbolo do Atlético vencedor do começo do século (foto: GloboEsporte)
Símbolo do Atlético vencedor do começo do século (foto: GloboEsporte)

Porém, depois do título de 2001, o futebol de Cocito nunca mais foi reconhecido e ele recebeu o apelido de Coicito. Continuou no Altético-PR até 2003, sendo negociado com o Corinthians, onde uma grave lesão no pé e a eliminação do Corinthians pelo River Plate na Libertadores acabaram deixando o volante de lado. Jogou pelo Grêmio em 2004 sem muito sucesso, voltando ao clube que o consagrou em 2005. Participou da campanha que culminou com o vice-campeonato da Libertadores do Furacão, perdendo para o mesmo São Paulo, só que sem Arena da Baixada e sem Kaká.

Ao final da campanha, Cocito deu suas voltas pelas divisões inferiores do futebol espanhol e até lá ele foi lembrado pelo lance com Kaká. Na época que estreou no Tenerife, saiu uma matéria em que falava que ele era o cara que fez Kaká chorar. Ainda passou pelo Murcia antes de voltar para o Brasil e ser campeão cearense pelo Fortaleza. Porém suas lesões continuavam a persegui-lo até encontrar abrigo em 2008, no Avaí de Silas, campeão Brasileiro da Série B. Depois, ainda deu as caras no Boavista e no Vila Nova. Ambas as passagens discretas e marcadas por mais tempo fora de campo do que nele.

Cocito no Tenerife (foto: Historiador do Futebol)
Cocito no Tenerife (foto: Historiador do Futebol)

Depois de pendurar as chuteiras, Cocito chegou a trabalhar com construção civil e fixou residência em Curitiba. Em 2013, voltou ao futebol como diretor de futebol do seu primeiro clube, o Batatais. Atualmente ele possui um empreendimento ao lado do ex-jogador Rogério Souza chamado Arena dos Campeões. Um complexo de grama sintética localizado no bairro do Portão, em Curitiba.

Cocito sempre lamentou ser lembrado por suas jogadas mais duras, mas jura que fazia jogadas de habilidade. Encontramos um vídeo com alguns “belos” lances separados. Fica tranquilo, Cocito. Como disse acima, o futebol é feito na maioria do tempo por esbarrões, encontrões, chutões, carrinhos, tombos, cabeçadas e corridas sem-fim. E nesses quesitos, você era mestre.

Fonte: Jovem Pan, Historiador do Futebol, Furacão, GloboEsporte, Terra Esportes, Arena dos Campeões, Furacão

3 Comentários em Cocito, o anjo que entortava pernas

  1. http://www.atleticoparanaense.com/site/noticias/detalhe/43428/Atltico-Paranaense-lana-o-projeto-Rubro-Negro-quem-tem-raa

    ATLÉTICO PARANAENSE LANÇA O PROJETO “RUBRO-NEGRO É QUEM TEM RAÇA”
    25/05/2017 – Imprensa CAP
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    Créditos: Marco Oliveira/Site Oficial
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    O Clube Atlético Paranaense lançou, nesta quinta-feira (25), o projeto “Rubro-Negro é quem tem raça”. Baseada na letra do hino do Furacão, a iniciativa tem como objetivo potencializar os principais valores do Clube, como comprometimento, competitividade, raça e responsabilidade.

    O projeto, que foi apresentado aos jogadores e comissões técnicas de todas as Categorias de Formação, terá a participação do ex-volante Thiago Cocito. Exemplo do espírito vencedor do Atlético Paranaense, Cocito se encaixa perfeitamente no hino do Clube. Atuou com a camisa atleticana em 191 partidas [19 na Conmebol Libertadores Bridgestone, recorde no Furacão] e conquistou seis títulos [Campeonato Brasileiro, Seletiva e quatro vezes o Campeonato Paranaense].

    O lançamento do projeto “Rubro-Negro é quem tem raça” contou, além de Cocito, com a participação do presidente do Conselho Administrativo do Atlético Paranaense, Luiz Sallim Emed, do 2º vice-presidente do Conselho Administrativo, Marcio Lara, do manager do Clube, Paulo Autuori, e do diretor técnico, William Thomas.

    “Nós escolhemos o Cocito por representar tudo isso: dedicação, espírito de luta, vontade de ‘dar o sangue’ e lutar pelas coisas do Atlético. É esta simbologia e este espírito que queremos passar para vocês [atletas da Formação]”, destacou o Luiz Sallim Emed. “Estamos seguros que vocês [atletas da Formação] já têm este espírito. Mas queremos que isso, no dia a dia, com o Cocito, fique dentro da alma de vocês”, acrescentou o presidente do Conselho Administrativo.

    “Estou muito orgulhoso de voltar a fazer parte deste grande projeto”, ressaltou Cocito. “Hoje, quero iniciar uma nova história, vitoriosa como outrora, porém atuando em uma nova função. Vamos fortalecer cada vez mais o espírito vencedor do Clube, tendo vivo em nossa mente que a camisa rubro-negra só se veste por amor”, completou.

    O ex-jogador atleticano terá encontros semanais com atletas e comissões das Categorias de Formação, em grupos e individuais. No projeto “Rubro-Negro é quem tem raça”, os atletas também terão aulas sobre a história do Atlético Paranaense. Em paralelo, contará ainda com o “Espírito vencedor”, que promoverá encontros com ex-jogadores e personalidades da história do Clube, com Cocito como mediador.

    Em uma segunda etapa, o projeto será ampliado para outras áreas, como Escola Furacão, captação de atletas, parceiros e projetos sociais do Clube.

    “O Clube Atlético Paranaense teve a brilhante ideia de desenvolver essa linha de atuação com um profissional reconhecido e dedicado. A pessoa que ele é e o comportamento que tem exemplificam tudo o que o Clube exige para manter o atleta e as equipes em um alto grau de competitividade”, disse William Thomas. “Para que possamos crescer a cada dia e disputar todas as competições, esse tipo de comportamento não pode faltar”, concluiu o diretor técnico do Atlético Paranaense.

  2. Adoram falar de “volante que marca bem e sai jogando” hoje em dia, mas o Cocito sempre fez isso. Era um jogador que hoje seria melhor reconhecido, pois tinha sim uma saída de bola boa, tocava bem e acertava vários lançamentos, os torcedores do Atlético podem confirmar. Conheci o mesmo pessoalmente e percebe-se que o cara entende muito de bola. Jogava e batia mais que muito Donizzete por aí haha.

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