A confusão do rebaixamento do Brasileiro de 1999

Uma mudança na regra do rebaixamento e uma escalação irregular acabram afetando até o campeonato de 2001

Sandro Hiroshi foi protagonista da polêmica do Brasileiro de 1999(Foto :Reprodução/blog soberano arruda)
Por: Marco Aurélio, SP

São comuns no futebol brasileiro histórias cômicas de jogadores e treinadores, em muitas delas, tudo vem por algum deslize do personagem e faz com que a história entre para o folclore do futebol. Mas, algumas vezes esses deslizes são cometidos pelos dirigentes que, ao elaborar um regulamento complicado para algum campeonato acabam, mesmo que involuntariamente, gerando algumas das maiores polemicas do futebol brasileiro. E o campeonato nacional de 1999 é um exemplo disso.

A história começa quando a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) decidiu utilizar uma forma diferente para definir os rebaixados à Série B. Nesse sistema cairiam os times com pior média somando à pontuação desse ano e a do ano anterior. O cálculo foi com média ponderada, pois em 1998 o campeonato teve 23 rodadas contra 21, em 1999, ficando a formula assim: M= ((p98/23) + (p99/21)) /2, onde P98 são os pontos de 1998 e P99 os de 1999. Botafogo-SP e Gama disputaram a Série B em 1998, sendo assim, a média para eles seria apenas os pontos do campeonatos atual divididos por 21 (M= P99/21).

Essa mudança já daria alguma polêmica, porém, foi o surgimento de outra mais séria, que foi chamada de Caso Sandro Hiroshi. Sandro Hiroshi foi um jogador que se destacou no Paulistão de 1999 pelo Rio Branco de Americana, sendo posteriormente contratado pelo São Paulo. Ele tornou-se conhecido por ter adulterado a idade, o chamado gato no futebol, mas diferente do que muitos acreditam, não foi por isso que o São Paulo perdeu pontos no campeonato.

Quando Sandro Hiroshi foi do Rio Branco para o São Paulo, o Tocantinópolis, clube pelo qual ele iniciou a carreira e onde jogava antes de ir para o Tigre, reclamou uma parte do dinheiro da transferência e alegava que a mesma era irregular, pois o jogador teria sido inscrito no campeonato paulista sem a autorização do time. Já o clube de Americana alegava que ele teria vindo como júnior, assim não precisando de autorização para jogar. Para evitar mais confusão, a CBF bloqueou o passe do jogador, não permitindo que ele se transferisse para outro clube até a disputa ser resolvida.

Entretanto, Hiroshi acabou atuando pelo São Paulo na goleada de 6 a 1 sobre o Botafogo-RJ, que dias depois, ao saber da situação do jogador, entrou com um pedido de para ter os pontos da vitória contra o São Paulo, já que naquela época uma portaria da CBF permitia que isso fosse possível em casos de escalação irregular, onde o time prejudicado seria declarado vencedor por 1 a 0.

Depois do Botafogo vencer a causa no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), Botafogo-SP, Internacional, Coritiba, Atlético-MG, Vasco e Guarani também tentaram levar os pontos, mas apenas o Internacional conseguiu. Nessa decisão para o Inter também ocorreu outra gafe, pois como o jogo contra o São Paulo havia terminado em 2 a 2 o tribunal decidiu dar apenas mais um ponto para o Internacional, que somou dois pontos na partida, o que seria impossível num jogo real. Percebendo isso, a comissão que julgou o caso se reuniu e decidiu dar mais um ponto e a vitória ao Inter.

No fim do campeonato, acabaram rebaixados pela média Botafogo-SP, Paraná Clube, Juventude e Gama, porém, sem os pontos que ganhou no tribunal, o Botafogo-RJ cairia no lugar do Gama. O alviverde do Centro-Oeste recorreu ao STJD, mas o tribunal deu parecer favorável  à CBF. Após isso, o caso foi parar na justiça comum, com uma apelação do Sindicato dos Técnicos do Distrito Federal juntamente com o PFL. A justiça comum deu ganho de causa ao Gama, negando os recursos da CBF e obrigando a mesma a incluir o Gama na Série A do Brasileiro de 2000.

Sem tempo para recorrer e pressionada até pela FIFA, a CBF entregou a organização do Brasileiro de 2000 ao Clube dos 13, que fazia o campeonato sem o Gama, todavia, o clube recorreu à justiça e novamente venceu. Assim, nasceu a Copa João Havelange, que organizou os clubes não em divisões, mas em módulos. A competição também teve suas polêmicas, como o não ter rebaixamento para a Série B do próximo ano.

O caso do Gama, no fim de 2000, quando retirou a ação, acabou afetando o Campeonato de 2001, ficando o mesmo com 28 clubes, sendo os 22 que jogariam a Série A de 2000. O Verdão, Fluminense e Bahia, que jogaram o módulo Azul da João Havelange, Paraná Clube e Botafogo-SP, que apesar de terem sido rebaixados em 1999, a CBF decidiu inclui-los, já que o Juventude e o Periquito Verde também haviam caído e jogariam a primeira divisão de 2001. E por fim, São Caetano, que veio do módulo Amarelo, mas acabou vice-campeão em 2000.

Por tudo isso, pode-se perceber que uma mudança um pouco complexa, que só serviria para complicar uma questão como o rebaixamento acabou afetando o campeonato nacional por três temporadas, mostrando não só a desorganização das entidades que controlavam e ainda controlam o futebol, mas também a falta de planejamento a longo prazo, descaso com os clubes e principalmente a falta de sintonia entre os cartolas do futebol.

Fontes: Estadão Esportes, Folha, Impedimento, Folha de S. Paulo e Globoesporte.com

2 Comentários em A confusão do rebaixamento do Brasileiro de 1999

    • Mas a culpa foi desse time que vc citou??? Ou foi lambança dos cartolas??
      E nas outras vezes que esse time esteve envolvido nesse tipo de confusão?? A culpa foi dele??
      Não ter “passado pela B” significa que outros agiram errado, pagaram… E esse time que vc citou se beneficiou dos erros!!
      Se vc concorda… Bem.
      Se não concorda, foda-se!! Dirija-se a residência do caralho e tome diretamente no ânus!!
      Abraço!!

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