Copa do Nordeste 2017 – Análise dos grupos (Parte 1)

Competição de maior apelo do Nordeste começa nos próximos dias

Por: Victor Portto, CE| Pedro Pereira, MA | Diego Borges, PE |

A Copa do Nordeste 2017 vai começar. A 14ª edição (desconsiderando o torneio de 1976) começa esta terça-feira, 24. Vinte torcidas passam a apoiar suas equipes e acompanhar os adversários de olho na única ‘Orelhuda’ possível, a mais moralizadora do futebol. A CL, claramente, não podia deixar de falar sobre a “Lampions League”, o regional que deixa qualquer “Xampions Lig” no chinelo.

Ao contrário da queda de público apresentada nos demais campeonatos do país, o Nordestão atrai um público maior a cada ano e tem chamado mais atenção da mídia nos últimos anos, desde que voltou a ser editada pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), em 2013. O resgate de elementos típicos da região numa mistura de bairrismo e de rivalidade, o estilo único dos torcedores nordestinos e o formato de disputa semelhante à Copa do Mundo ajudam a explicar alguns dos motivos que fazem o campeonato apresentar tanto sucesso de público em meio ao esvaziamento de estádios no Brasil.

Serão quatro meses de disputa até o dia 24 de maio, data agendada para a grande final. Vinte clubes estão divididos em cinco grupos. A equipe que somar mais pontos em sua chave terá vaga garantida para o mata-mata. As outras três vagas serão decididas de acordo com a pontuação dos melhores segundos colocados. Bahia e Pernambuco contam com três representantes, enquanto os demais sete estados possuem dois. O maior colecionador de taças do torneio é o tetracampeão Vitória – que retorna após não se classificar para 2016. Em seguida, vem o Sport com três conquistas; Bahia duas; América-RN, Campinense, Ceará e Santa Cruz – atual campeão -, com uma taça. Entre as camisas de maior tradição na região, o Ceará será a maior ausência para o torneio.

Grupo A

O Grupo A da Copa do Nordeste 2017 será um dos mais difíceis da competição (podemos chamar do “grupo da morte”), tendo Náutico, Santa Cruz, Campinense e Uniclinic como componentes. Os elementos que fazem deste grupo um dos mais equilibrados são a rivalidade entre os clubes pernambucanos que será posta a prova logo na primeira fase e deve ser um dos melhores momentos, a equipe de Campina Grande deve tentar surpreender mais uma vez na competição (visto que foi vice-campeão do Nordestão em 2016) e o clube cearense disputa a primeira vez o campeonato (tendo surpreendido no âmbito regional com o vice-campeonato estadual em 2016).

O Náutico tenta se reinventar nesta Copa do Nordeste e fazer uma campanha digna (nas últimas duas participações não passou da fase de grupos). A equipe bateu na trave no Campeonato Brasileiro da Série B, onde perdeu a vaga no G-4 dentro de casa na última rodada com a derrota para a equipe do Oeste. 2017 começa diferente por estar no Nordestão (em 2016, o clube não estava classificado para o campeonato), o elenco passou por muitas mudanças e a diretoria espera que sejam positivas as contratações. O time perdeu peças importantes como o goleiro Júlio César, o lateral  Gastón e Vinícius, mas se reforçou bastante com velhos conhecidos de outras equipes do estado e da região Nordeste: Tiago Cardoso e Ewerton Páscoa, além de pinçar dois destaques do Fortaleza (Anselmo e Juninho). A diretoria tenta arrecadar fundos para uma volta ao antigo Estádio dos Aflitos e a Copa do Nordeste pode ser uma geradora de receitas para alcançar esse objetivo do clube.

O Santa Cruz, em 2017, passará por um processo de reconstrução. Depois de viver uma epopeia de ir da Série D à A, o clube foi rebaixado no seu retorno a elite do futebol brasileiro. O “Santinha” vive uma transformação completa do seu elenco, tendo perdido mais de vinte atletas, contratou vinte e oito e deverá ter um pouco de dificuldades no início da competição pela falta de entrosamento e de preparo físico dos seus novos jogadores. A equipe viveu grave crise financeira na temporada passada, algo que ainda lhe impõe restrições financeiras este ano, tem na competição um vislumbre de geradora de receitas para aliviar o caixa e é a atual campeã da Copa do Nordeste. Mas, entra no campeonato deste ano tentando surpreender por tantas mudanças dentro do seu elenco.

O Campinense chega à Copa do Nordeste 2017 querendo novamente surpreender os concorrentes. Ano passado, chegou a final da competição depois de eliminar o Sport na semifinal. O clube aposta no preparo físico e na manutenção do elenco para conseguir ir longe, visto que iniciou seus trabalhos em 28 de novembro de 2016 para se preparar para o Nordestão. Como candidato mais forte a conseguir ser uma zebra no grupo, o Campinense espera aproveitar a combinação da força do estádio Amigão (seu alçapão) e do preparo físico superior aos concorrentes no início do campeonato.

O Uniclinic vai à competição pela primeira vez na sua história e com muitas incertezas. O clube quase abdicou da sua vaga de forma muito estranha e não muito bem explicada até hoje (disseram ser falta de dinheiro o motivo para a desistência), mas voltou atrás na decisão e decidiu participar. O time manteve o elenco que surpreendeu no campeonato cearense do ano passado e aposta na força da sua categoria de base para reforçá-lo (o time é um tradicional formador de jogadores no cenário cearense, tendo feito parcerias com Atlético Paranaense e Internacional para mandar suas promessas). Tentará surpreender os adversários com o seu estilo de jogo. Ano passado, foi vice-campeão do campeonato cearense se destacando pelo jogo bonito e marcação forte e é um dos caçulas da competição (tem apenas 19 anos de história).

Grupo B

(Foto: Felipe Oliveira/ Divulgação/ ECBahia)
(Foto: Felipe Oliveira/ Divulgação/ ECBahia)

O Grupo B parece ser bem encaminhado se analisarmos rasamente. No entanto, o momento atual de Moto Club e Altos podem atrapalhar os planos dos tricolores do Pici e da Boa Terra. O Bahia, em ,chegou bem perto da final da Lampions League e, após um jogo recheado de CL, o tricolor foi eliminado pelo Santa Cruz. Além disso, no ano passado, atingiu seu principal objetivo na temporada que era retornar à elite do brasileiro e com isso, ter mais investimentos para o mercado. Na janela de transferências, se reforçou em posições essenciais e não perdeu jogadores de muita importância. Fora o investimento, o Bahia conseguiu manter a maior parte do seu forte elenco e é favorito para terminar em primeiro no grupo.

Após mais uma decepção na buscar do acesso em 2016, o Fortaleza tenta mais uma vez formar um esquadrão que possa cumprir essa missão. A Copa do Nordeste pode servirá como um bom parâmetro para o Leão, já que alguns de seus adversários da Serie C estão na Copa do Nordeste. O Tricolor do Pici se reforçou no meio campo principalmente, contando agora com Anderson Uchôa e o meia Cássio Ortega. Após perder Anselmo, seu artilheiro em 2016, o Fortaleza foi atrás de Lúcio Flavio para ser o “homem gol” do time. A expectativa em cima do novo time, até agora, vem dando resultados, onde no estadual, o tricolor está invicto com duas vitórias e um empate. O clube cearense deverá brigar com o Bahia pela primeira posição do grupo.

Após um excelente ano na Série D, com acesso conquistado, o Moto Club vive uma boa fase. O rubro negro atingiu o objetivo principal de 2016 e, assim, manteve  parte do time para esse ano. Suas contratações foram principalmente para o meio campo e ataque, esse último, setor em que o Papão teve extrema dificuldade para conseguir jogadores de qualidade na temporada passada. Com isso, o clube lutará para conseguir a tão sonhada classificação. O caminho não é fácil já que terá pela frente Bahia e Fortaleza como principais oponentes. Apesar da boa montagem do time, o Papão do Norte estreou com derrota no estadual. Assim, o time deve lutar por uma segunda colocação no grupo e para isso, deve conquistar resultados positivos no Castelão, onde é muito forte.

O Altos-PI não conquistou o acesso ano passado, apesar de uma brilhante campanha com muitos gols, principalmente. Nessa temporada, o time piauiense busca êxito nos campeonatos que disputa e a Lampions League servirá como base, assim como o estadual, para o time que tentará novamente o acesso. Além de manter boa parte do time da temporada anterior, fez boas contratações e tem um diferencial com relação os demais times: a Manga Mecânica treina desde dezembro com a maior parte do elenco, o que é um diferencial principalmente no inicio da temporada. Apesar de correr por fora, o Altos pode surpreender os demais times do grupo, algo que está acostumado a fazer em apenas quatro anos de existência.

Grupo C

O Grupo C, à primeira vista, passa uma ideia de definição clara de como deve terminar. Mas futebol é imprevisível, sobretudo, no Nordestão. Nem sempre o clube com maior poder de investimento acaba se sobressaindo frente à dedicação de equipes menos favorecidas financeiramente.

Diego Souza é um dos destaques no elenco do Sport (Foto: Williams Aguiar/Sport Club do Recife)
Diego Souza é um dos destaques no elenco do Sport (Foto: Williams Aguiar/Sport Club do Recife)

O Sport tenta confirmar a escrita de ser o time apontado como favorito a vencedor na sua chave. Uma das únicas três equipes do torneio na Série A do Nacional, o rubro negro tem o elenco mais fortalecido do grupo. A força financeira do Leão da Ilha do Retiro permitiu a manutenção de peças fundamentais no seu elenco como o cobiçados Samuel Xavier, Rithely e Diego Souza – recém convocado pela Seleção Brasileira -, além de reforços pontuais para o grupo, como os atacantes Marquinhos e Leandro Pereira. Outra característica fundamental é o resultado colhido nas categorias de base do clube. Só este ano, dez atletas foram promovidos ao elenco principal, após colecionarem resultados importantes e convocações à Seleção na categoria, e podem ganhar espaço no time, assim como Renê e Éverton Felipe. Entretanto, todo esse poder de fogo será posto à prova sob o comando técnico de Daniel Paulista. O treinador, até então auxiliar, assumiu o grupo após a saída inesperada de Oswaldo de Oliveira, antes do fim do último Brasileirão, e conseguiu evitar o rebaixamento. Sua continuidade como treinador não foi unânime entre os dirigentes, que decidiram pela permanência após insucessos com outros nomes.

Atacante Pimentinha trocou o Sampaio pelo Criciúma (Foto: Fernando Ribeiro/Criciúma EC)
Atacante Pimentinha trocou o Sampaio Corrêa pelo Criciúma (Foto: Fernando Ribeiro/Criciúma EC)

A temporada 2017 para o Sampaio Corrêa será de reconstrução. Após anos amargando divisões inferiores do Campeonato Brasileiro, a Bolívia Querida ressurgiu à Série B com dois acessos consecutivos, em 2012 e 1013. A boa fase ainda se estendeu por dois anos com campanhas que permitiram manutenção e até – em alguns momentos – sonhar com o acesso à Elite, quando garantiu 10º e 8º lugares em 2014 e 2015, respectivamente. Entretanto, o sonho foi por água abaixo no ano passado. Uma campanha desastrosa (cinco vitórias em 38 jogos) devolveu o Sampaio à Série C, como lanterna. Peças importantes como o atacante Pimentinha deixaram o clube, enquanto outros nomes surgem para montar o elenco em busca do que ‘bateu na trave’ na última edição: avançar para a segunda fase. Para isso, uma das alternativas é combater o Sport diretamente. O que não seria novidade para o Tricolor, que já eliminou os pernambucanos em plena Ilha do Retiro, pela Copa do Brasil de 2011.

Waldemar Lemos busca classificação inédita para o River-PI (Foto: Victor Costa/River Atlético Clube)
Waldemar Lemos busca classificação inédita para o River-PI (Foto: Victor Costa/River Atlético Clube)

Caríssimos confrades, o treinador do River-PI é o senhor Waldemar – e que senhor! O técnico detentor do recorde de contestação de seu cargo agora busca outra façanha: classificar o Galo para o mata-mata do Nordestão pela primeira vez. Desde que a CBF instituiu a distribuição geográfica como molde para o torneio, em 2015 – até então, Maranhão e Piauí não disputavam a ‘Lampions League’-, o Tricolor marca presença no Regional. A experiência de Waldemar Lemos será fundamental para que o clube supere a frustração da última temporada, quando acabou rebaixado de forma arrasadora no Grupo A da Série C (2 vitórias em 18 jogos). O elenco possui atletas com grande experiência no Nordeste, mas o destaque é para o atacante Rodrigo Tiuí (ele mesmo), campeão com o Fluminense da Copa do Brasil de 2007, além de passagens por Santos, Atlético-PR, Náutico e pelo futebol da Coreia, de Portugal e do Japão – onde esteve no ano passado.

Após onze temporadas pelo Bahia, Ávine defenderá a Juazeirense (Foto: Felipe Oliveira/EC Bahia)
Após onze temporadas pelo Bahia, Ávine defenderá a Juazeirense (Foto: Felipe Oliveira/EC Bahia)

Com apenas onze anos de fundação, a Juazeirense é o clube de menor tradição do Grupo B. Mas toda grande história precisa de um ponto de partida, e os baianos vêm escrevendo as suas linhas com ousadia. O clube vem brigando a cada ano para tomar o posto de terceira força da Bahia. Desde 2012 disputa a Série A do Estadual e, neste ano, fará a sua segunda participação na competição regional. No ano passado, a equipe terminou como lanterna da chave com Bahia, Confiança e Santa Cruz. Seu resultado de maior destaque foi o empate em 1 a 1 contra a Cobra Coral, em pleno Arruda. A Juazeirense teve melhor sorte na Série D da última temporada, quando avançou por duas fases, mas acabou eliminado pelo Moto Clube, mesmo contando com o apoio do mítico atacante Clodoaldo. Para alçar voos maiores, o clube aposta em um time composto por peças de rodagem no futebol nordestino, que tem como destaque o lateral esquerdo Ávine, que defendeu o Bahia por onze anos.

Fontes: Blog de Cássio ZirpoliGloboEsporte.com, Globoesporte,com e Esporte Interativo.

1 Trackbacks & Pingbacks

  1. Copa do Nordeste 2017- Análise de Grupos (Parte 2) - Cenas Lamentáveis

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.


*