Coréia do Sul, a zebra mais odiada das Copas

Empolgação com sul-coreanos se transformou em desagrado após sucessivos erros de arbitragem

Por Alan Silva, RJ

Chegara a hora da Ásia, que até então não tinha tradição no futebol, sediar uma edição de Copa do Mundo. Juntos, Coréia do Sul e Japão foram os anfitriões e desafiavam a lógica para surpreender os favoritos em 2002. E um destes países, acabou por se tornar uma das maiores zebras da história dos Mundiais. Os sul-coreanos derrubaram favoritos com a força de sua torcida e com uma “ajuda extra” da arbitragem.

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Seleção da Coreia do Sul conquistou o 4°lugar em 2002. [Divulgação : Fox Sports]
No sorteio, o time sul-coreano acabou caindo em um grupo equilibrado com Portugal, Polônia e Estados Unidos. A trajetória da Coréia do Sul começou contra uma compacta seleção polonesa, em que os anfitriões buscavam a sua primeira vitória em edição de Copas. Empurrados pelo “mar vermelho” que tomou conta das ruas de Busan, a Coréia conseguiu uma importante vitória com gols de Sun-Hong e Sang-Chul, mostrando um futebol vistoso e de muita velocidade. O segundo desafio foi contra os norte-americanos e com o mesmo padrão de jogo adotado no primeiro jogo queriam surpreender os jogadores da terra do Tio Sam. Entretanto, esbarraram na marcação pesada dos americanos e conseguiram apenas um empate sofrido após Eul-Young desperdiçar um pênalti defendido por Friedel, um dos destaques da partida. Porém, o maior favorito do grupo era o último confronto dos donos da casa. A geração de ouro de Portugal estava pronta para acabar com o sonho dos sul-coreanos de passarem pela primeira vez para as oitavas de final. Em um jogo bem parelho e movimentado, os comandados de Guus Hiddink venceram a seleção portuguesa com gol de Ji Sung Park e mandaram Luis Figo & cia de volta para casa.

A Coréia do Sul, que nunca havia vencido um jogo na história das Copas, chegava pela primeira vez à fase de oitavas de final. A Itália, com uma constelação de craques como Gianluigi Buffon e Francesco Totti, era mais uma pedreira no caminho dos sul-coreanos. E, logo no inicio, os italianos abriram o placar com gol de Christian Vieri. A partir deste momento, virou jogo de ataque versus defesa, onde a seleção anfitriã sufocava a “esquadra azzurra” no seu campo defensivo. O empate veio somente no final, com gol de Seol levando o jogo para a prorrogação. Ali, os rumos dos donos da casa mudariam da água para o vinho após serem beneficiados pela arbitragem em dois momentos. O primeiro foi em lance duvidoso, após o árbitro Byron Moreno expulsar Totti por simulação ao ser tocado por Song dentro da área. O segundo foi assinalando um impedimento inexistente de Tommasi ao sair em condição legal para fazer o gol da classificação italiana. Após uma confusão generalizada, os coreanos marcaram o gol de ouro com o atacante Ahn e eliminaram os azuis para desespero de seus jogadores e sua torcida.

[Divulgação: Globo]
Italianos vão a loucura após expulsão de Francesco Totti. [Divulgação: Globo]
A imagem da surpresa, que já estava manchada pelo jogo contra os italianos, ficou ainda mais defasada nas quartas de final contra a Espanha. Nesse jogo, a arbitragem prejudicou os espanhóis em três momentos cruciais. O primeiro, após marcar falta inexistente em gol marcado por Baraja ainda no primeiro tempo de partida. Após o tempo normal sem alterações no placar, levando a decisão para a prorrogação, o árbitro egipcio Gamal Ghandour anulou gol marcado por Morientes. Ele alegou saída de bola no cruzamento de Joaquin, sem mesmo ela ter tocado na linha de fundo, levando os espanhóis ao desespero. Para completar a lambança, o árbitro validou uma defesa na decisão por penaltis do goleiro coreano Lee, onde o arqueiro se adiantou de forma escandalosa para pegar a cobrança de Joaquin. Com isso, classificou a Coréia do Sul para uma surpreendente semifinal mas em um dos jogos mais vexatórios da história das Copas do Mundo.

[Foto: Getty Images]
O desespero dos espanhóis após a derrota para a Coréia do Sul. [Foto: Getty Images]
O mundo todo estava contra os sul-coreanos, após sucessivos erros de arbitragem a favor da seleção dona da casa. Entretanto, na única semifinal de Copa do Mundo de sua história, sucumbiram à maior qualidade da seleção alemã e com gol de Michael Ballack deram adeus ao sonho do título. A torcida asiática que esteve em grande número em todos os jogos aplaudiu a seleção de seu país, reconhecendo o tamanho do feito de seus jogadores e comissão técnica, que ficaram com o quarto lugar após perderem para a Turquia em decisão de terceiro lugar realizada em Daegu. Terminava ali, a campanha dos sul-coreanos que tinham tudo para se tornarem uma surpresa marcante na história dos Mundiais, mas acabou virando a zebra mais odiada de todas as Copas.

[Divulgação: ObviousMag]
Seleção sul coreana contou com o apoio do “mar vermelho” em todos os jogos. [Divulgação: ObviousMag]
 Fontes: Globo, Uol Esporte

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