Corumbaense Campeão, o filme

O caminho do título do Galo da Avenida foi trilhado como um filme de ação, daqueles que a gente assiste dezenas de vezes

Com invasão de torcida, Corumbaense festeja segundo título estadual (Reprodução/TV Morena)
Com invasão de torcida, Corumbaense festeja segundo título estadual (Reprodução/TV Morena)
Por Diego Borges, PE

Foram exatos 33 anos com o grito de “campeão” entalado na garganta dos torcedores do Corumbaense. O caminho do título do Galo da Avenida foi trilhado como se fossem cenas de um roteiro de um grande filme clichê, cheio de viradas e emoção, daqueles que a gente assiste dezenas de vezes, mas sempre se emociona no fim. Neste domingo, a cena final terminou com o melhor cenário possível: estádio empapuçado, torcida (dentro e fora do estádio) entoando a trilha sonora o tempo todo e gol do título na última cena. Vitória da tradição do futebol do interior do estado do Mato Grosso do Sul sobre o Novo, fundado recentemente, em 2011, como Novoperário. Uma lição de moral quase que encenada, digna de um verdadeiro Estadual – pode-se assim dizer – e com um campeão no melhor estilo dos mocinhos de Hollywood.

A estrada até o título

Com fase classificatória dividida em duas chaves com 6 equipes cada, o Carijó da Avenida terminou a primeira fase como vice-líder do Grupo B, atrás apenas do Águia Negra e como a única equipe invicta entre os oito classificados para o mata-mata. Entretanto, não foi um caminho fácil. Após duas boas vitórias na largada, a desconfiança na classificação começou a surgir quando o time engrenou uma sequência de cinco empates consecutivos, praticamente um turno inteiro sem vencer. Mas duas vitórias maiúsculas (4 a 2 sobre o Naviraiense e 5 a 1 sobre o Urso) encerraram de vez as dúvidas sobre a chegada às decisões.

E foi nas fases decisivas que o time se mostrou ainda mais copeiro e com poder de reação. Logo nas quartas de final, o primeiro susto. O empate por 1 a 1 no primeiro jogo, fora de casa, com o União ABC, poderia dar mais tranquilidade para decidir no Arthur Marinho. Mas um gol sofrido aos 29 colocaria tudo a perder. Com o estádio praticamente lotado, a reação não demorou. Kareca, dois minutos depois, igualou o placar. A decisão seguiu tensa, até que Sandrinho selou a vaga na semifinal, nos acréscimos, e deu maior fôlego para disputar as semifinais.

Toda boa história de herói precisa ter um grande vilão. E o principal rival do Carijó foi o Operário. Maior campeão do estado, com 10 títulos, o Galo da capital vinha embalado pela melhor campanha da fase de grupos e pelo atropelo sobre o Urso na fase anterior, com duas goleadas. Foi justamente na primeira partida em casa, com o apoio da sua torcida que o time sucumbiu pela primeira vez no campeonato. Derrota por 1 a 0 e fim de uma sequência de 20 jogos invicto. Parecia o caminho para o fim. Ia se desenhando no filme a falácia que nem tudo na vida é vencer e blá, blá, blá. Não dessa vez. Como no ápice de um grande enredo, o Galo da Avenida cantou tão alto que se agigantou no Morenão e reclamou para si o posto de ‘dono do terreiro’. Foram três gols em sete minutos e vitória por 3 a 1. Incontestável, a vaga na final veio ao lado da participação na Copa Verde e na Copa do Brasil. Festa e alegria, mas não o fim do filme.

Último ato

Com o maior vilão caído, o título poderia parecer mera formalidade. Ledo engano. O Novoperário, mesmo com uma curta história no futebol, foi um rival à altura. Foi a primeira vez que se encontraram na primeira divisão, mas os dois já haviam duelado a final da segundona, com o Galo levando a melhor. Classificado antecipadamente na fase de grupos, o Novo chegou com méritos à decisão, após eliminar Águia Negra e Sete de Dourados. Terceiro clube da capital no caminho do Corumbaense. No primeiro confronto, empate em 1 a 1, outra vez no Morenão. A volta foi em Corumbá. Cenário ideal, inspiração perfeita. A cidade parou. Quem conseguiu ingresso, certamente não esquecerá aquela tarde. Quem não conseguiu, também. Telões foram espalhados do lado de fora do Arthur Marinho. Jogo nervoso, tenso, mas com o Galo impondo ritmo. No fim do primeiro tempo, Willian abriu o placar para os donos da casa, mas a expulsão de Sandrinho poderia colocar tudo a perder. Com um jogador a mais em campo, o Novo se lançou ao ataque e empatou logo aos 10 da segunda etapa.

Jogo completamente indefinido, até que o imponderável (sempre ele) resolveu agir. Enquanto o Novo tinha um jogador a mais em campo, o Galo tinha 5 mil nas arquibancadas. Não! Bem mais. Os mais de 100 mil habitantes de Corumbá também estavam reunidos em prol do título. O Corumbaense ainda marcou o segundo na jogada seguinte, com Kareca, mas não valeu. Quis mesmo a ironia do destino que o gol do título viesse justamente de um atleta do time que estava em maior número. Julio marcou contra aos 33 minutos. A euforia das arquibancadas mal esperou o apito final. Ao fim do jogo, as grades não foram capazes de conter a emoção e a torcida mais apaixonada do Mato Grosso do Sul invadiu o gramado, assim como há 33 anos, no último título do Corumbaense.

Enquanto sobem os créditos, esperamos pela continuação do filme. Que seja em uma brilhante campanha na Copa do Brasil ou na Série D do próximo ano, a única certeza é que jamais deixará de haver emoção em Corumbá.

Fontes: GloboEsporte.com, Diário Corumbaense

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