A criação da Copa Libertadores da América

Um breve histórico do surgimento da maior competição sul-americana de clubes

"O tão sonhado troféu das Américas" (Foto: Reprodução/trivela.uol.com.br)
Por: Victor Portto, CE

Ah, a Libertadores…como não amar este Campeonato que reúne da nata do futebol sul-americano à várzea de campos periféricos? Para nós, torcedores, é o objetivo a ser almejado pelos nossos times (além de títulos, é claro). Mas como começou este sonho? Aqui na página já falamos do caminho dos clubes brasileiros este ano na competição. Entretanto, hoje vamos abordar a criação desse Torneio amado por uns, considerado selvagem por outros, mas que não deixa de ter o seu charme.

Um embate envolvendo clubes sul-americanos não é novidade. Constam os primeiros registros que já em 1900 a Associação de Futebol Argentina (AFA) criou a Copa Competência – disputada entre alguns clubes das cidades de Buenos Aires, Rosário e Montevidéu. Durante os anos 30 veio a Copa Rio da Prata (jogada entre os campeões argentino e uruguaio), que ocorria alternadamente em cada país de ano em ano.

Somente em 1948 o embrião da Libertadores é idealizado e posto em prática pela Confederação Sul-Americana de Futebol. Nascia ali a “Copa dos Campeões da América” ou “Taça America del Sur”. Na disputa, entre fevereiro e março daquele ano, participaram os vencedores de cada país do ano anterior (Colo Colo-CHI, Nacional-URU e River Plate-ARG). Além dos times que eram considerados os melhores onde não havia campeonatos nacionais (Litoral-BOL e Emelec-EQU). A exceção foi o Peru, que mandou o vice. O Municipal-PER herdou a vaga, após a desistência do Atlético Chalaco-PER devido as contusões de seus jogadores. Representante do Brasil, o Club de Regatas Vasco da Gama foi escolhido porque era considerado a melhor equipe do país por ceder o maior número de atletas para Seleção. O Cruzmaltino sagrou-se  campeão, disputando o jogo do título contra os argentinos.

"O Vasco campeão Sul-Americano de 1948" (Fotos: Reprodução/campeoesdofutebol.com.br)
“O Vasco campeão Sul-Americano de 1948” (Fotos: Reprodução/campeoesdofutebol.com.br)

Depois de um hiato de doze anos sem a organização de uma competição com a chancela da Confederação Sul-Americana de Futebol, eis que é organizada a primeira Libertadores em 1960 (com este nome para homenagear os heróis que lutaram pela libertação e criação dos países da América do Sul). No primeiro ano participaram os campeões nacionais de sete países do continente. O Peñarol-URU levantou o troféu. O representante brasileiro foi o Bahia (Campeão da Taça Brasil de 1959). O Tricolor foi eliminado pela forte equipe do San Lorenzo-ARG (3×0 em solo hermano e 3×2 na Fonte Nova). O vencedor disputava o Mundial Interclubes, ainda sem a chancela da Fifa (só receberia nos anos 2000), contra o campeão europeu. Naquela ocasião, o Real Madrid.

"O antológico time do Peñarol campeão da primeira Libertadores" (Foto: Reprodução/trivela.uol.com.br)
“O antológico time do Peñarol campeão da primeira Libertadores”
(Foto: Reprodução/trivela.uol.com.br)

Nos anos seguintes, após 1964, a competição foi mudando o formato. Passou a receber também os vice-campeões de cada país e os times que conquistavam as copas nacionais. Em 2000, surge a mudança para 32 equipes. Atualmente, 48 agremiações disputam o caneco. O primeiro brasileiro a levantar a taça foi o esquadrão do Santos de 1962, ganhando do Peñarol-URU. Em 1966, as equipes brasileiras se recusaram a jogar alegando que os times abusavam da violência nos duelos. Por este motivo, o Mundial Interclubes foi transferido para o Japão, como forma de garantir a integridade dos atletas dos clubes europeus.

Entre discordâncias ao formato atual e o sonho de chegar ao título, é válido ressaltar também alguns aspectos que fazem da Libertadores um Campeonato tão único:

1º: A catimba. O modo de jogar provocante e violento que caracterizou os times sul-americanos. Uma das marcas registradas desde os primórdios da competição. As táticas são variadas: desde gandulas demorando para repor a bola, até provocações de todos os tipos. Tudo é válido para tirar os adversários do sério.

2º: A rivalidade. As agremiações carregam para o torneio as rixas antigas que existem entre os países, transcendendo a simples esfera do futebol. Mas também transformam jogos sem nenhuma rivalidade anterior em verdadeiras guerras. Levando para as “canchas” o famoso sangue quente latino e chegando ao limite para grandes confusões. Exemplos não faltam. Nestes links fizeram um compilado das maiores brigas na Libertadores (aqui e aqui).

3º:  As torcidas. As festas que as “hinchadas” sul-americanas fazem são lindas. Diversos clubes têm torcidas apaixonadíssimas, que fazem do apoio ao time uma forma de promover um verdadeiro espetáculo. Algo que só vemos parecido no Leste Europeu e na Turquia. Segue o link dos shows que vemos nos estádios (aqui).

4º: A impunidade. O aspecto, talvez, mais negativo da competição é este. Os inúmeros casos de violência dentro e fora de campo. Pouquíssimas vezes clubes, jogadores, e torcedores envolvidos são punidos. A intimidação por garrafadas, as brigas generalizadas, invasões de campo e expulsões são os eventos mais comuns que pouco são combatidos.

5º: Os estádios. Os campos da América Latina são uma visita ao passado e uma apresentação do futebol moderno ao mesmo tempo. Vemos no Brasil as famosas arenas e nos países mais periféricos estádios acanhados com uma péssima estrutura. Há também os estádios clássicos do passado que trazem um grande saudosismo: como o Defensores Del Chaco (Paraguai), a La Bombonera, o Monumental de Nuñez e o Cilindro (Argentina), o Centenário (Uruguai), Monumental (Chile) e o Atanasio Girardot (Colômbia).

A Libertadores pode conter diversos aspectos controversos, mas ainda é a competição que faz os fanáticos por futebol perceberem o quanto o futebol pode ser imprevisível. Do sonho de juntar os campeões do continente ao Campeonato internacional mais democrático do mundo…isso é a Libertadores.

Fonte: ConmebolCampeões do Futebol; Trivela; Mundo Estranho; Torcedores.com;

3 Comentários em A criação da Copa Libertadores da América

  1. Vale lembrar que até os anos 80 os times brasileiros davam pouca ou quase nenhuma importância para a Libertadores por considerar um estorvo as longas viagens e as “mutretas” que passavam além de considerar os estaduais mais importantes, tanto que o santos desistiu de joga-la em 1963, se não fosse por isso provavelmente o Brasil teria muito mais títulos.

    • Então como Guarani semifinalista 1979,Internacional finalista 1980 Flamengo campeão em 1981 e semi finalista em 1982 grêmiocampeão em 1983 e semifinalista em 1984 e internacionalista semifinalista em 1989 a questão desse negocio de ficarem argumentando que o futebol Brasileiro não dava valor e papo furado a questão que na década de 80 e 90 o futebol sulamericano era muito forte batia de frente com a europa atinhamos jogadores da seleção Brasileira,Argentina e uruguaia atuando na competição grande craques atuando e nossos países vizinhos o próprio do penarol,nacional do uruguai,olimpia paraguai times colombianos e argentinos tinha ate jogadores Brasileiros no seu elenco hoje se um Brasileiro quando não joga na Europa vai pra china ou paises arabes

  2. O campeonato que o Vasco ganhou em 1948 inspirou os europeus a criarem a Copa dos Campeões, em 1955, que inspirou a Conmebol a criar a Libertadores em 1960. E foi pra definir quem seria o representante brasileiro que foi criada a Taça Brasil, em 1959.

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