Crise no Vasco – Quando as adversidades são criadas pelo próprio clube

VAI CAIR DE NOVO?

Vasco perde mais uma e se aproxima novamente da zona de rebaixamento no Brasileirão Crédito Obrigatório: Fotos: Felipe Oliveira / EC Bahia
Por: José Victor, RJ

Qualquer vascaíno por mais otimista que fosse sabia das dificuldades de 2017. Se um ano eleitoral costuma ser complicado em quase todos os clubes grandes do Brasil, no Gigante da Colina parece ser garantia de problemas e crise.

É quase impossível desvencilhar a má fase do time com o ambiente político do clube. Se na primeira rodada do Campeonato Brasileiro muitos cravavam o Vasco na zona de rebaixamento, o time aos poucos foi calando os críticos e deixando a torcida na expectativa por vôos mais altos. Parecia que dessa vez seria uma campanha sem sustos. Parecia.

A derrocada vascaína começou após a confusão generalizada da torcida contra o Flamengo que custou a interdição de São Januário, um dos principais aliados para que o time pudesse manter o objetivo de fazer um Torneio seguro. Mas esse não é o único fator que justifica a má fase. Na mesma semana o clube anunciou a venda do que vinha sendo até então o melhor jogador do Vasco na temporada, o jovem Douglas Luiz, que deixou o clube rumo ao Manchester City e acabou emprestado ao Girona-ESP.

Ausência de Douglas Luiz vem sendo muito sentida pelo Vasco. Desde a sua saída, foram apenas 9 pontos conquistados. (Foto: Paulo Fernandes/CRVG)
Ausência de Douglas Luiz vem sendo muito sentida pelo Vasco. Desde a sua saída, foram apenas 9 pontos conquistados. (Foto: Paulo Fernandes/CRVG)

O Vasco seguiu e chegaram Anderson Martins e Bruno Paulista. O primeiro fez sua estréia apenas contra o Bahia e pouco acrescentou no frágil sistema defensivo, o segundo desde a confronto contra o Flamengo ainda não se mostrou um substituto à altura da principal revelação vascaína em 2017.

Desde a interdição do caldeirão vascaíno, foram somente 9 pontos em 8 jogos. Apenas nos duelos diante do Santos no Engenhão, e do Palmeiras, em Volta Redonda, o Vasco não saiu derrotado tendo o mando de campo. Muito pouco para quem não deseja passar sustos na série A, e num Campeonato tão disputado quanto o Brasileirão. Nenhum time pode se dar ao luxo de perder tantos pontos em sequência.

Se as outras equipes limitadas mostram organização e união, o Vasco passou a ser justamente o oposto. Problemas do elenco com o técnico Milton Mendes foram expostos, o time mesmo com as boas aparições de alguns talentos da base foi perdendo o padrão de jogo e as limitações passaram a ser cada vez mais evidentes e talvez incorrigíveis para um técnico que não possuía mais a confiança do elenco. Resultado: Milton Mendes demitido e o Vasco caminha para seu terceiro comandante na temporada, algo presente no roteiro dos 3 rebaixamentos da história vascaína.

Mais um ano próximo do fim e a promessa do presidente Eurico Miranda de que o time “brigaria nas cabeças” está se tornando uma bravata. É evidente que Milton se perdeu no trabalho e não soube mais extrair o melhor do já limitado elenco cruzmaltino. O roteiro é o mesmo que já presenciamos nos anos anteriores. O final ainda é possível mudar, mas se demorar muito para a melhora dentro de campo acontecer, poderá ser fatal pela quarta vez em 119 anos de história.

Não é exagero afirmar que o Vasco amarga a pior fase de sua história. São inúmeros os motivos que torcedores, jornalistas, dirigentes e opositores citam como justificativa para atual fase do clube. Os erros se repetem e acabam sendo irreparáveis no final de cada Campeonato Brasileiro. O Gigante da Colina precisa de soluções. Quem será capaz de apontar?

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