Croácia: a Seleção que derrubou teorias

Futebol é apenas planejamento ou o acaso também tem vez?

Croácia bate a Inglaterra e se classifica de forma inédita para a final da Copa do Mundo (Foto: Yuri Cortez/ Fotógrafo da AFP "atropelado" na comemoração croata)

Por: Roberto Junior, RJ

Que o futebol mudou não é novidade. Cada vez mais, planejamento, investimento e organização são indispensáveis para se fazer um grupo de sucesso no esporte mais popular do planeta. No Brasil, a cada competição que não voltamos para casa com o troféu, chove na imprensa e nas redes sociais fórmulas de especialistas para que possamos ter um desfecho melhor na próxima vez. A conversa, geralmente, é sempre a mesma: devemos investir mais na nossa base, valorizar mais nosso campeonato nacional e manter um projeto a longo prazo. E o que a Croácia faz?

De fato, eu concordo que devemos fazer tudo isso. Mas o futebol não é uma fórmula exata. Tanto que somos o país mais vezes campeão do mundo e nunca fizemos nada disso, muito pelo contrário, vivemos numa eterna bagunça. Aliás, se fosse só seguir o método citado seria fácil chegar ao topo. Tenho certeza que os países mais desenvolvidos seguiriam com facilidade a tal regra e dominariam o esporte. Mas não é bem assim. E é por isso que o futebol é tão apaixonante: não existe fórmula do sucesso.
Croácia elimina a Rússia nas quartas de final (Foto: AFP)
Antes de começar a Copa do Mundo, especialistas elogiavam o trabalho dos atuais campeões, os alemães, e destacavam o estilo de jogo espanhol que é ensinado desde a categoria de base a seus atletas. Também apostavam no talento da geração belga e na tradição da camisa brasileira. Poucos falavam da Croácia. Todas as seleções citadas ficaram pelo caminho. A Croácia está na final.

Os croatas não seguiram nenhuma fórmula do sucesso. Fizeram tudo ao contrário: não investiram na base, não possuem uma liga nacional forte -tente lembrar o nome de algum clube croata- e o treinador, Zlatko Dalić, de 51 anos, foi contratado na repescagem das eliminatórias para apagar o incêndio em que vivia a equipe, com um pé fora da Rússia naquele momento.
Dalić, aliás, não foi chamado para dirigir a seleção por conta de sua capacidade técnica. Suker, ídolo nacional e presidente da federação croata admitiu, na época da contratação, que o treinador chegaria para unir o grupo, no melhor estilo Papai Joel.
“Ele não vai revolucionar a nossa seleção. Mas ele entende como o jogador pensa e sabe tirar o melhor de cada um. É disso que precisamos”, justificou Suker.
A frase acima facilmente seria dita por algum cartola do nosso futebol ao trazer um treinador para tentar fugir da degola. Mas deu certo. A Croácia venceu a Ucrânia, foi para repescagem, bateu a Grécia e se classificou para Copa do Mundo, onde é finalista.
Os croatas provaram, mais uma vez, que no futebol não existe cartilha. Estão a uma vitória de serem campeões do mundo e, mesmo assim, nada garante que conseguirão se classificar para próxima copa na disputadíssima eliminatória europeia.
Vitória na estreia contra Nigéria foi o cartão de visitas da Croácia na Copa (Foto: AFP)
Pela frente, agora, resta apenas a seleção francesa. Os blues são favoritos, é claro, já que fizeram tudo certo, do jeito que a tal fórmula diz. Porém, nada garante que o errado não possa vencer mais uma vez.
E a meritocracia que me desculpe: eu vou torcer por quem fez tudo errado!
Viva o futebol!

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