Cruzeiro de 2003: A orquestra de Vanderlei e Alex

100 PONTOS, 102 GOLS, UMA MAQUINA AZUL

Elenco do Cruzeiro que jogou contra o Paysandu, Alex suspenso. (Foto: Globoesporte.com)
Por: Daniel Bravo, MG

Amigo torcedor, amigo leitor. Para esse confrade que vos escreve, falar de futebol chega a ser um prazer descomunal, algo que consegue mudar o meu humor ruim para um mundo de sorrisos e boas lembranças. E são essas lembranças que me fazem escrever mais um texto que com certeza me deixara orgulhoso, feliz e ainda mais saudosista. Chegou a hora de falar do que, pra mim, foi o melhor time brasileiro do século XXI: o Cruzeiro de 2003. Um time recheado de grande jogadores e regidos por um craque dentro de campo, Alex e por outro fora, Vanderlei Luxemburgo. Respeitem o Pofexô e venham comigo nesse túnel do tempo.

Muita gente não se recorda, mas o Cruzeiro de 2003 começou a se formar ainda em 2002, quando Luxemburgo e outras peças começavam a chegar. Contudo, o time acabou caindo no brasileiro, na época ainda mata-mata e deu inicio ao planejamento para um dos maiores anos da história do clube. Acredito eu que o primeiro grande passo foi a coragem e o talento de Luxemburgo que bancou a permanência de Alex na Toca da Raposa e definiu que o jogador se tornaria o Talento Azul.

Pouco a pouco, Vanderlei buscava os nomes certos para compor as carências da equipe mineira. Maurinho, Edu Dracena, Maldonado, Martinez, Zinho, Deivid, Aristizabal dentre alguns outros nomes vinham para compor um grupo forte que mesclava juventude e experiência. Não foi preciso muito tempo para a equipe engrenar e mostrar o que poderia vir na sequência. Assim aconteceu. Campeão mineiro invicto e sobrando, com o grande jogo do campeonato sendo um 4 a 2 contra o rival Atlético-MG.

A Copa do Brasil foi o segundo passo da caminhada rumo a Triplice Coroa. O Cruzeiro jogava com inteligência e via na capacidade estratégica de Luxa a taça ficar cada vez mais perto. A raposa superou adversários como Rio Branco (ES) e Corinthians (RN), até encarar o forte Vasco e o poderoso Goiás de Fabão, Josué, Danilo, Dimba e Araújo para então disputar com o rubro-negro carioca quem ficaria com a taça.

A final da Copa do Brasil de 2003 possui alguns fatos que jamais poderiam não ser citados, como a famosa história da frauda e da faixa contada por Alex: “A gente tinha perdido a zaga titular e o Vanderlei não sabia se colocava um moleque da base ou improvisava, o Ari foi e disse pra ele colocar o garoto. Na preleção o Luxa entregou uma faixa de campeão pra gente e deu uma faixa e uma frauda pro Gladstone, ele ficou sem entender e o Vanderlei perguntou se ele queria se borrar nas calças ou ser campeão. Ele foi campeão”.

Além dos belos gols marcados e milagres operados por Gomes, o homem borracha, em um Maracanã lotado, o vocabulário de Alex não precisou de mais do que uma simples letra para derrubar Julio Cesar e começar a dar fim ao sonho flamenguista. Alex fazia um dos mais belos gols que a camisa celeste presenciou, aliás, em 2003 ele faria alguns gols antológicos, como vimos no vídeo. Outro gol marcante foi o de Aristizabal. O colombiano simplesmente se joga para trás fazendo um gol de cabeça de extrema dificuldade, beleza e plasticidade. Sem dar brechas ao Flamengo, o Cruzeiro de Ari, Alex e Luxa mostrava que a tão sonhada estrela amarela estava cada vez mais perto.

No brasileiro, o Cruzeiro fez a primeira partida em casa com um gol antológico de Alex. Sempre ele. O time mineiro acabou ficando no 2 a 2 contra o São Caetano após falha de Gomes. A equipe crescia a cada jogo e na oitava rodada enfrentaria o seu grande concorrente, o Santos, de Diego e Robinho. O Cruzeiro venceu o Peixe por 2 a 0. No jogo do returno, um 3 a 0 fantástico e a convicção de que o time mineiro ganhava cada vez mais força para ser o campeão daquele ano. O título veio em um jogo contra o Paysandu, num Mineirão lotado e com Alex sem atuar, o Cruzeiro venceu e viu o Talento Azul puxar uma volta olímpica tão sonhada. O Cruzeiro derrotaria ainda o Fluminense com mais uma obra prima de Alex e derrubaria o Bahia com um 7 a 0 na Fonte Nova.

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Único time brasileiro a conquistar a Tríplice Coroa (Foto: Reprodução/ internet)

Cruzeiro de 2003. Uma maquina comandada por Vanderlei Luxemburgo e Alex, dupla que jamais sairá da memória dos cruzeirenses. Luxa como o homem a montar uma maquina de gols e vitórias e Alex que para muitos viveu naquele ano seu auge, e é considerado, para muitos dos cruzeirenses, o melhor jogador daquele ano. Na história celeste, o nome de ambos e de todo o elenco estão para sempre marcados como o primeiro e único time brasileiro a vencer a Tríplice Coroa.

Fonte: Cruzeiro 2003

2 Comentários em Cruzeiro de 2003: A orquestra de Vanderlei e Alex

  1. Belo artigo! Nossa que saudade desse Goiás citado no texto “o poderoso Goiás de Fabão, Josué, Danilo, Dimba e Araújo”…Dava gosto de ver esse time jogar!

  2. Li esse artigo com um sorriso bem avantajado e com um aperto no peito sem tamanho. Dava gosto de assistir as aulas do Pofexô e do Talento Azul que dispensa comentários. Saudade define bem o que eu sinto.

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