Danrlei, o ídolo de uma geração papa títulos tricolor

Foram anos de entrega incondicional e muitos títulos para a merecida idolatria que jamais terá final

Wesley Santos/Foto Arena/AE
Por: Jean Costa, RS

Danrlei de Deus Hinterholz, o goleiro “de Deus”, revelado pelo Grêmio, teve 594 partidas pelo clube no qual se consagrou e virou papa-título gremista e ídolo de uma geração CL. Sua estreia na equipe principal e seu primeiro jogo como titular foram em 1993, o arqueiro tinha apenas 20 anos de idade e a partir dali não demoraria muito para se destacar pela habilidade embaixo da trave e um apuradíssimo reflexo.

Falar do que os anos 90 representaram para o Grêmio significa falar de um dos ápices que o clube teve, no qual o goleiro teve papel gigantesco. Em 1994, Danrlei participou da segunda conquista do Grêmio da Copa do Brasil. Título que daria vaga para o time na Libertadores de 1995, que viria a ser conquistada pelo Tricolor Gaúcho.

Em 1995, o Grêmio não tinha lá um elenco muito “badalado”, mas foi com esse grupo que protagonizou uma campanha avassaladora na Libertadores daquela temporada. Personagens marcantes como Jardel, Dinho, Paulo Nunes, Adílson Batista, Roger e Danrlei são os mais lembrados daquela conquista. O que Felipão fez com a aquela equipe levou a mesma a “quebrar a banca” e realizar feitos inacreditáveis.

E por falar em feitos, Danrlei teve seus momentos CL naquela Copa Libertadores. Um deles ocorreu no épico 5 a 0 pelas quartas de final contra o Palmeiras no, hoje desativado, Olímpico Monumental.

Não foi só defendendo a meta tricolor que Danrlei chamou a atenção naquela partida. Em uma atitude suco de CL, ele saiu de campo com o jogo em andamento para um acerto de contas com o ex-meia palmeirense, Válber, que havia sido expulso junto com Dinho após uma briga. A atitude do goleiro levou a torcida à loucura. Quem vos escreve chegou até a perguntar para o próprio pai (que é colorado fanático) sobre o episódio e, segundo ele, uma atitude daquelas só tinha a contribuir para Danrlei alcançar o status de ídolo. O jogador tinha a qualidade necessária e a entrega incondicional que o fariam um dos maiores ídolos da história do Grêmio.

Foto: reprodução/ Almanaque Esportivo
(Foto: reprodução/ Almanaque Esportivo)

O título da Libertadores veio pela segunda vez. Uma conquista mais do que merecida para a equipe. Infelizmente, quiseram os deuses do futebol que o segundo título Mundial não viesse naquela temporada, mas 1996 reservava mais conquistas pelo Grêmio e também na sua carreira.

Foi naquele ano que o goleiro de Deus foi convocado para a Seleção Brasileira que disputou as Olimpíadas. Pelo tricolor veio o segundo título Brasileiro e a conquista da Recopa Sul-Americana. A história recheada de conquistas de Danrlei no clube ainda contou com cinco títulos estaduais e mais duas conquistas da Copa do Brasil, em 1997 e em 2001, conquista essa também conhecida como o último título de expressão do Grêmio.

Danrlei também foi o “Homem Grenal” da sua geração. Sua postura desafiadora e atitudes CL deixavam o clássico com ares ainda mais carregados de rivalidade, e levava consigo uma torcida Tricolor inteira como apoio. Grenal com Danrlei eram sinais de cenas lamentáveis em campo, o que por sinal gostamos, não é mesmo, caros confrades?

O último dos 28 Grenais do goleiro de Deus / foto: reprodução/ Zero Hora
O último dos 28 Grenais do goleiro de Deus (Foto: Reprodução/ Zero Hora)

Ao longo de sua carreira, o goleiro se envolveu em algumas polêmicas, como quando agrediu um bandeirinha, em um jogo da Libertadores de 2002 e ficou um ano suspenso de jogos internacionais. O ex-capitão gremista ganhou a fama de goleiro brigão. As muitas confusões dentro campo eram com árbitros, adversários e até mesmo companheiros de equipe.

Em uma das muitas polêmicas, no ano 2000, Danrlei acusou o ex-atacante Palhinha, então companheiro de equipe, de sair com sua mulher. Palhinha se defendeu e afirmou que não saiu com a mulher de Danrlei enquanto eles eram casados. O caso repercutiu na mídia e gerou problemas dentro do tricolor gaúcho.

A história de amor com o Grêmio dentro de campo teve fim em 2003, quando se transferiu para o Fluminense. Lá nas Laranjeiras teve pouquíssimas oportunidades, e logo se transferiu o Atlético-MG. Danrlei ainda teria passagens por Beira-Mar de Portugal, São José-RS e Brasil de Pelotas-RS. Poucos dias depois de assinar com a equipe Xavante, o ônibus com a equipe sofreu um acidente, na qual três pessoas faleceram, sendo um deles o maior ídolo da história da equipe, o uruguaio Cláudio Millar. A equipe rubro-negra seria a última da carreira do consagrado goleiro.

Em dezembro de 2009, o Grêmio realizou um jogo de despedida para o goleiro no estádio Olímpico, reunindo craques da conquista da Libertadores de 1995 como Paulo Nunes, Jardel, Adilson Batista e Dinho. Uma despedida justa para um verdadeiro ídolo.

Homenagem do ex-presidente tricolor Cacalo na despedida do ídolo gremista Foto: reprodução/ IG Esporte Grêmio
Homenagem do ex-presidente tricolor Cacalo na despedida do ídolo gremista (Foto: Reprodução/ IG Esporte Grêmio)

Para sempre existirá uma geração que terá o goleiro nas suas primeiras lembranças de Grêmio. Talvez Danrlei represente a alma de uma era vitoriosa do tricolor. Talvez o fato do Grêmio ter feito história com ele debaixo das traves faça você, torcedor gremista, ver o quanto representa esse goleiro. A história de Danrlei com o Grêmio jamais será apagada. A geração do papa-títulos dos anos 90 teve o prazer imensurável de ver um jogador com a verdadeira alma tricolor.

Fontes: Globo EsporteTerceiro TempoZero Hora e Torcedores.com

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