Dejan Petkovic: o gringo mais brasileiro

O estrangeiro que conquistou o Brasil

Comemoração do gringo no gol do tri Foto:( Marcelo Regua/Agência O Dia)
Por: Lucas Bastos Gabriel, SC

Nascido em 1972 na antiga Iugoslávia, Dejan Petkovic ou só Pet, apelido carinhoso que ganhou nos tempos de Vitória e perdurou até o fim de sua carreira, ganhou notoriedade em sua curta passagem pelo Real Madrid e em inúmeros times brasileiros. A CL vem a público relembrar um pouco da carreira desse craque que era especialista em bolas paradas.

Pet começou sua carreira no time sérvio Radnički Niš, seguindo os passos de seu pai e irmão que também foram jogadores de futebol. Até hoje ele ostenta o recorde de jogador mais jovem a participar de um jogo oficial de futebol na Sérvia, em uma vitoria de 4 a 0 sobre o Željezničar Sarajevo, da Bósnia. Nesse time onde foi revelado, Petkovic ganhou o apelido de Rambo pelo seu porte físico. Pet ainda ajuda o clube com doações de materiais esportivos e financeiramente.

Em 1991, Pet é transferido para o maior clube de seus país, o Estrela Vermelha, de Belgrado. No time vermelho, conquistou em sua primeira temporada o campeonato nacional e o Mundial de Clubes, porém Rambo não teve grande participação, pois o clube sérvio tinha inúmeras estrelas em seu elenco, tais como Siniša Mihajlović, Dejan Savićević e Vladimir Jugović.

O gringo só foi protagonista na conquista do Campeonato Iugoslavo na temporada de 1994/1995, num meio campo que contava com Darko Kovačević, Dejan Stanković e Goran Đorović. Na temporada 1995/1996, acertou sua transferência para o Real Madrid, clube por onde não teve uma grande passagem e acabou sendo emprestado para o Sevilla e Racing Santander. O Rambo passou duas temporadas na Espanha totalmente desprestigiado.

Em 1997, Pet é contratado pelo Vitória, patrocinado pelo banco Excel na época, que fez uma série de investimentos em clubes brasileiros. O gringo ainda revelou uma história muito peculiar de um dirigente do clube baiano que queria contar com o futebol do sérvio. Esse cartola disse a ele que o time da Bahia era o atual campeão brasileiro. Petkovic, como não conhecia muito sobre o futebol nacional, acreditou. Mas, na verdade, o Vitória era o atual campeão estadual. A falta de conhecimento do gringo o levou ao rubro negro baiano.

Em entrevista à ESPN, no programa Bola da Vez, Pet revelou que ele queria fazer uma boa temporada no Brasil para conseguir mercado novamente no continente europeu.

Pet com o manto do Vitória em 1998. Foto: (Reprodução/ Blog Esporte Clube Vitória Eternamente)
Pet com o manto do Vitória em 1998 (Foto: Reprodução/ Blog Esporte Clube Vitória Eternamente)

A passagem do sérvio no clube baiano foi excelente, ganhou dois estaduais e a Copa do Nordeste. Em 2000, Pet muda de rubro negro. Foi contratado pelo Flamengo. Por muitos, era considerado o melhor momento de sua carreira.

Na passagem pelo Mengão, Pet conquistou dois Campeonatos Cariocas e uma Copa dos Campeões. O gol mais marcante foi no tricampeonato consecutivo de 1999, 2000 e 2001, todos sobre o Vasco da Gama.

O rubro negro precisava de um gol e faltavam poucos minutos no placar, até que Petkovic cobrou uma falta magistral no ângulo do goleiro Helton. Um gol que, com certeza, ajudou a formar mais uma geração de flamenguistas.

Petkovic saiu do Flamengo e foi parar em São Januário. No Vasco, não teve bom desempenho. O cruzmaltino terminou a competição na 13ª  posição. Em 2003, o sérvio participou do título da Taça Guanabara, um pouco antes de ir para o futebol chinês, coisa que não era tão comum naquela época.

Retornou ao Vasco em 2004, no meio do campeonato nacional. O gringo voltou em excelente forma e ajudou o clube a se safar do rebaixamento. Pet marcou 18 gols e deu 11 assistências durante a competição e, assim, se tornou o primeiro jogador europeu a ganhar a Bola de Prata da Revista Placar, feito só repetido pelo holandês Clarence Seedorf, em 2013.

Em 2005, Pet foi jogar no clube árabe Al- Ittihad, ficando apenas seis meses numa passagem sem grande sucesso. Em agosto, retornaria ao Rio de Janeiro, dessa vez, para jogar no Tricolor das Laranjeiras. Sua ida foi marcada pelo gol número 1000 do Fluminense em Campeonatos Brasileiros.

A ocasião lhe rendeu uma placa do clube carioca. Com a sua chegada a equipe tricolor, conseguiu grandes resultados e quase se classificou para a Copa Libertadores da América. No outro ano, o Fluminense fez grandes investimentos com a Unimed, porém, os resultados de campo e o temperamento do sérvio acabaram o desgastando e no fim do ano ele saiu do clube.

Em 2007, foi para o Goiás, mas saiu no fim do campeonato estadual com um vice contra o Atlético Goianiense. No Campeonato Brasileiro, o Rambo assinou com o Santos para substituir Zé Roberto, que voltava para a Alemanha. A participação do sérvio foi oscilante durante a competição e acabou não renovando o contrato para o ano seguinte.

Petkovic chegou no Atlético Mineiro em 2008 como a grande contratação do clube mineiro no ano de seu centenário. Foi um dos lideres de assistências no campeonato nacional, mas um dos poucos destaques do ano. No fim do certame, sofreu com problemas físicos e o técnico Emerson Leão, que assumiu o Galo no fim do campeonato, não queria mais contar com seu futebol e, assim, acabou liberado pela diretoria.

Chegado o ano de 2009, Pet voltou para o Flamengo em um acordo para diminuir a dívida do clube com ele. Seu retorno foi visto pela imprensa e pelos torcedores com enorme desconfiança. O sérvio, em sua apresentação. escolheu a camisa 43 em alusão ao gol do título carioca de 2001.

E esse numero deu sorte. Petkovic, juntamente com nada mais e nada menos que Adriano Imperador, guiaram o rubro-negro para o hexacampeonato nacional. O gringo fez jogos memoráveis como o 2 a 0 contra o Palmeiras, no antigo Parque Antártica, onde marcou os dois tentos, e o 3 a 1 no Atlético Mineiro, no Mineirão, jogo o qual marcou um gol olímpico. A boa fase de Pet rendeu até um funk.

No outro ano, Petkovic se manteve no Mengão. As expectativas no clube carioca eram altas, tendo em vista o último ano do time, porém, as boas atuações não se repetiram. O clube foi derrotado pelo Botafogo na Taça Rio, perdeu o estadual, foi eliminado nas quartas de final contra a Universidad do Chile e o clima no vestiário não era bom. Uma briga do sérvio com o ex goleiro Bruno chegou a ir a público. Pet ainda terminou o ano como artilheiro da equipe no Brasileirão de 2010, com cinco gols.

Em 2011, participou somente da sua partida de despedida do Flamengo, no Engenhão, contra o Corinthians, em um empate de 1 a 1, no qual o gringo jogou só o primeiro tempo. No intervalo, foi homenageado pela diretoria do clube e ovacionado pelos torcedores na volta olímpica.

Atualmente, Petkovic é treinador de futebol e teve passagens por Criciúma, Sampaio Correia e pela base do Atlético Paranaense. Este ano ainda está sem clube. Fora do mundo da bola, é dono de uma pizzaria no Rio de Janeiro, na Barra da Tijuca.

Fontes: Espn, Uol, Terceiro Tempo e ogol

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