Dida, um paredão de gelo especialista em pênaltis

Por Marcella Lorandi, RS

1,95m de altura. 44 anos. 837 jogos oficiais. 15 pênaltis defendidos de 51 cobrados em grandes competições. Números, estatísticas e eficiência. Tudo isso sempre esteve presente na vida de Nelson de Jesus da Silva, ou para os mais íntimos, o goleiro Dida. O baiano, que começou a carreira no Vitória, figurou seletas listas ao longo da carreira embaixo da trave, ergueu taças por onde passou, colecionou apelidos e parou tantos atacantes. Dida foi mesmo um monstro dos pênaltis e das belas defesas.

No Vitória, venceu o Campeonato Baiano de 1992 e despertou olhares do Cruzeiro, aquele Cruzeiro que ganhou tudo e mais um pouco, e permitiu que Dida mostrasse toda a sua habilidade com pênaltis. E com Libertadores. O goleiro ficou pelas terras mineiras de 1994 até 1998, tempo suficiente para fazer cruzeirense sentir saudade. Vestindo azul ele conquistou oito títulos, entre os mais importantes o bicampeonato da Copa do Brasil, em 96, e a Libertadores, de 97. O título da Raposa na Copa Libertadores de 1997 deve muito às defesas e aos milagres de Dida. A semifinal, contra o Colo Colo foi emblemática na campanha daquele título, o Cruzeiro perdeu no tempo normal por 3 x 2 e levou a decisão para os pênaltis; e no estádio David Arellano, em Santiago, no Chile, Dida pegou duas penalidades, o Cruzeiro venceu por 4 x 1, avançou a final e então se sagrou campeão contra o Sporting Cristal. Dida ídolo e diversos clubes querendo Dida para defender sua meta.

Era reflexo, qualidade e técnica. Foi do Cruzeiro para um clube suíço, não se firmou e voltou ao Brasil. Foi da Suíça para o Corinthians, foi para semear a idolatria também no clube paulista. Ele não prometeu nada, mas chegou, vestiu a camisa número 1 e tornou-se mais um no bando de loucos.

Vestindo as cores do Timão ele ergueu oito taças, dentre as mais emblemáticas, o Brasileirão de 99, o Mundial de Clubes da FIFA, em 2000, e a Copa do Brasil, em 2002. Mais uma vez fazendo história com penalidades, mais uma vez em semifinal, mais uma vez Dida. Dessa vez a partida era São Paulo e Corinthians, no estádio Morumbi, pela semi do Campeonato Brasileiro. O Coringão vencia por 3 x 2 e o árbitro Edilson Pereira Carvalho marcou pênalti contra os corintianos, Nenê colocou a mão na bola e Raí foi para a cobrança. Bola no canto direito e defesa do goleiro Dida. Finalzinho da partida, mais um pênalti contra a meta corintiana, mais uma vez Raí na bola, chute no canto esquerdo, inacreditável defesa do goleiro Dida e Corinthians avança à final. Título contra o Atlético-MG.


Então vencedor, Dida saiu do Corinthians em 2002, ano do pentacampeonato do Brasil e do início de uma trajetória com a camisa número 1 da Seleção Brasileira. Atravessou o Oceano Atlântico e foi mostrar toda sua habilidade aos italianos do Milan. Essas duas histórias, em duas camisas diferentes, são de altos, baixos, cantos esquerdos, direitos, no ângulo, no meio do gol…

Pela Seleção, já figurava as listas de convocações desde 1997, quando esteve no grupo vencedor da Copa das Confederações daquele ano, na França. O goleiro também esteve no grupo de Felipão, em 2002, ele foi reserva do arqueiro Marcos, do Palmeiras, e conquistou a titularidade na Copa das Confederações de 2005, vencida pelo Brasil, com goleada sobre a Argentina, o que é ainda melhor. Por consequência, assumiu a meta brasileira na Copa do Mundo de 2006, quando o quadrado mágico não foi suficiente para parar a França (e nem para arrumar a meia de Roberto Carlos) e perdemos a Copa da Alemanha que foi vencida pelos italianos.

Estes não só venceram a Copa do Mundo, mas como muito antes, já haviam conquistado o goleiro Dida, que vestia a camisa número 1 do Milan desde 2002 e firmou-se no clube até 2012, onde foi considerado por jornalistas e futebolistas um dos melhores goleiros do mundo, com indicação para o prêmio FIFA Ballon d’Or. Foi em Milão que ele venceu a Super Copa Européia, e a Liga dos Campeões duas vezes. A primeira delas em 2003, num clássico histórico contra a rival Juventus, do goleiro Buffon. Na decisão por pênaltis, Dida pegou três, com maestria e frieza, e o Milan sagrou-se campeão pela sexta vez na competição. Por lá ele conquistou também o Mundial de Clubes da FIFA, em 2007, e jogou com grandes nomes como Cafu, Kaká, Gattuso, Pirlo, Shevchenko, Ronaldinho Gaúcho, Ibrahimović…

Dida na final da Liga dos Campeões vencida pelo Milan sobre a rival Juventus, do goleiro Buffon. (Foto: Reprodução/Twitter TheMilanBible)
Dida na final da Liga dos Campeões vencida pelo Milan sobre a rival Juventus, do goleiro Buffon. (Foto: Reprodução/Twitter TheMilanBible)

Frio, um paredão, pegador de pênaltis, seguro, ágil e ídolo por tudo. É um dos poucos jogadores que já ergueu uma taça da Copa Libertadores e também a “orelhuda” da Liga dos Campeões. Saiu do Milan em 2012, ainda atuou pela Portuguesa, pelo Grêmio, e pelo Internacional, quando saiu em 2015 e não atuou mais. Retornou à Itália em 2014, dessa vez vestindo terno e sem as luvas, ele juntou-se ao seleto grupo de ex-jogadores do Milan que estão no Hall da Fama do clube italiano.

Em tempos de dúvidas sobre a meta brasileira e os goleiros do país é bom recordar de Nelson, o Dida.

Fontes: Goal.com, Felipe de Queiroz

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