A Dinamáquina da Copa de 86

A Seleção que encantou o mundo com o futebol arte

(Foto: Reprodução/Four Four Two)
Por: Jean Costa, RS

Caro amigo e leitor do Cenas, ao longo dos anos muitas Seleções e equipes têm feito história mesmo sem ganhar nada. Mas nem sempre vencer é tudo no esporte, não é? Às vezes vale mais um time que ganha notoriedade pelo que apresenta e ensina. Como o carrossel holandês e o estilo de jogo apaixonante. Hoje, no entanto, relembraremos outro esquadrão que encantou os gramados do mundo: a Dinamarca de 86, popularmente conhecida como Dinamáquina.

A Copa do México, naquele ano, ficou marcada como o Mundial do Maradona. O craque argentino deu uma “mãozinha” para a equipe e a levou ao título contra a Alemanha. Mas no quesito futebol arte quem atraiu olhares foi a Seleção Nórdica. Devido ao estilo de jogo leve, solto, e muito compacto. O conjunto, estreante na competição, contava com jogadores técnicos e com habilidade de sobra como Laudrup, Arnesen, Jesper Olsen, o goleador Elkjaer Larsen e o experiente Morten Olsen, o capitão do time. Antes mesmo do Torneio, os dinamarqueses já deixavam marcas em gramados europeus ao se classificarem para semifinal da Eurocopa de 1984, disputada na França.

Na Copa do Mundo, a equipe ficou no grupo E, ao lado de duas bicampeãs da competição: Alemanha Ocidental em 1954/1974 e o Uruguai em 1930/1950. O quarto membro do grupo e não menos importante era a Escócia, país que desde de 1974 vinha participando de todas os Mundiais.

A Escócia foi a primeira vítima dinamarquesa na Copa do México (Foto: Reprodução/ Four Four Two)
A Escócia foi a primeira vítima dinamarquesa na Copa do México (Foto: Reprodução/ Four Four Two)

A estreia foi justamente contras os escoceses, que na época eram comandados pela futura lenda do Manchester United e do futebol mundial, Sir Alex Ferguson. E a Seleção do país do zelador Willie dos Simpsons fez um jogo parelho com os nórdicos, mas Elkjær Larsen, o camisa 10 vermelho e branco, tratou de balançar as redes e decretar a primeira vitória em Copas. Era o início de um sonho que parecia ser possível.

O segundo adversário no grupo era o Uruguai, que se mostraria um desafio ainda maior para o pequeno país europeu. A Celeste havia sido campeã da Copa América de 83 e chegava para o Torneio em boa fase, mesmo sem o arqueiro Rodolfo Rodríguez. Veio então o duelo que culminaria no ápice da Seleção Dinamarquesa na Copa do Mundo do México. A segunda partida encantou e ao mesmo tempo chocou o mundo. Sob a batuta de Francescoli, os uruguaios foram os segundos a caírem diante dos europeus.

Com show de Laudrup e companhia, o Uruguai foi atropelado pelos nórdicos (Foto: Peter Robinson/EMPICS Sport)
Com show de Laudrup e companhia, o Uruguai foi atropelado pelos nórdicos (Foto: Peter Robinson/EMPICS Sport)

O massacre de Nezahualcóyotl contou uma atuação impecável de Laudrup e principalmente de Elkjaer que marcou três gols na goleada por 6 a 1. O triunfo tornou a equipe postulante ao “algo a mais”.

Na última rodada da fase de grupos a Dinamarca enfrentou a Alemanha Ocidental, temida por acabar com a farra de Seleções que apresentavam o famigerado futebol revolucionário. Os nórdicos, no entanto, se agigantaram e não deram chance para a bicampeã mundial. Com um futebol rápido e envolvente, os germânicos não viram a cor da bola: 2 a 0, fora o baile.

O time, então estreante em Copas, abriu caminho às oitavas de final com três vitórias: 1 a 0 na Escócia, 6 a 1 no Uruguai e 2 a 0 na Alemanha Ocidental. O desempenho rendeu o apelido “Dinamáquina”. Da mesma maneira que foi alçada ao posto de candidata ao título, a Seleção acabou causando uma grande decepção nas oitavas de final, contra a Espanha.

Nem Escócia, Uruguai, tampouco Alemanha foram capaz de fazer frente a Dinamáquina (Foto: Reprodução/Fifa)
Nem Escócia, Uruguai, tampouco Alemanha foram capaz de fazer frente a Dinamáquina (Foto: Reprodução/Fifa)

A Seleção Nórdica chegou a abrir o placar com Jasper Olsen aos 33 minutos do primeiro tempo. No entanto, um apagão inimaginável mudou o rumo do confronto e a Dinamarca acabou derrotada por 5 a 1. Hoje em dia, uma vitória espanhola em cima dos dinamarqueses ser considerada “zebra” é impensável, não é? Mas na época o triunfo ficou marcado como um dos mais surpreendentes em Copas do Mundo. Afinal, assinalou o fim da linha de uma história que poderia terminar com um desfecho interessante para os amantes da beleza nas quatros linhas.

Fontes: Trivela.uol.com Terceiro Tempo

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