Direto da arquibancada da final da Copa do Brasil: Atlético-MG recebe o Grêmio

Um confronto de duas camisas muito tradicionais marca a final da Copa do Brasil 2016

A taça que tricolores e alvinegros querem (Foto:Rafael Ribeiro / CBF)
Por: Lucas Poeiras, MG | Jean Costa, RS

A voz das arquibancadas não podem ser nunca esquecida no futebol. Trazemos aqui antes do primeiro jogo da grande final da Copa do Brasil, a perspectiva dos  atleticanos e dos gremistas que estarão na torcida por seus times.

O atleticano sabe: nada vem de graça para o Galo

(Foto: O mascote Galo Doido/ Foto: Superesportes/Reprodução)
O mascote Galo Doido (Foto: Superesportes/Reprodução)

Os mineiros que acompanham o Atlético Mineiro tem uma ideia clara quando se trata do seu time vencer: nada vem de graça para o Galo. Todas as grandes decisões que o alvinegro venceu foram conquistadas em jogos duríssimos contra oponentes de bom futebol. O estádio Mineirão receberá pela quarta vez em três anos uma final jogada pelo Atlético, mas pela primeira vez receberá o jogo de ida e assistirá os noventa minutos finais pela televisão. Um cenário diferente das outras finais disputadas. Os jogos em Belo Horizonte e Porto Alegre tem a seguinte perspectiva também: tira o jejum de títulos do Grêmio  de quinze anos ou consagra a década mais vitoriosa do Galo.

O time vem de oscilação após sair da briga pelo campeonato brasileiro. Sofreu empates que mudaram sua trajetória na competição (como por exemplo o 2 a 2 contra o Flamengo) e a derrota para o Coritiba nos jogos mais recentes, mas no panorama a equipe faz boa temporada. O time foi poupado no último domingo pelo técnico Marcelo Oliveira e estará descansado para o confronto contra o imortal tricolor. Chegará desfalcado de duas estrelas: o atacante Fred que já disputou a competição pelo Fluminense e o ponta Luan que está lesionado. O meio-campista Otero também é desfalque após retornar machucado de jogo pela seleção da Venezuela. O time conta com a estrela de Lucas Pratto que após retornar de lesão no começo do ano, está em uma fase brilhante marcando muitos gols. A confiança na defesa está também nas luvas de um ex-gremista e hoje atleticano: o goleirão Victor. Espera-se que ele esteja em grande forma pelo time quando seus trabalhos forem requisitados.

A esperança Lucas Pratto (Foto: Bruno Cantini/CAM)
A esperança Lucas Pratto (Foto: Bruno Cantini/CAM)

O Atlético chegou até a final vencendo jogos duríssimos contra Ponte Preta, Juventude e Internacional. Nas oitavas de final venceu a Macaca pelos critérios desempate, avançou para enfrentar o Juventude onde venceu o primeiro jogo por 1 a 0 e perdeu a volta no Rio grande do Sul por 1 a 0. O time contou com a estrela do goleiro Victor para defender as penalidades máximas mais uma vez. A semifinal poderia registrar dois duelos históricos entre rivais estaduais, mas como o sorteio não deixou isso acontecer, o Galo recebeu o Internacional de Porto Alegre. Após um jogo taticamente impressionante no sul, o Galo teve um jogo duríssimo na volta em Belo Horizonte e contou com a estrela de Pratto para marcar o gol da classificação. Esta é a segunda final da história do Atlético e a quinta do treinador Marcelo Oliveira.

O torcedor mineiro espera o que será um confronto de duas camisas tradicionalíssimas do futebol brasileiro e respeita muito a camisa  tetra campeã adversária. Não há favoritismo neste confronto e os alvinegros já estiveram nesta posição que necessitava concentração e seriedade. Mais do que nunca é preciso fazer um grande jogo na ida pois não haverá Horto para reverter resultados desfavoráveis em casa. Alguns tentam desmerecer o clube, mas como os próprios gremistas em nota disseram: “respeitamos a instituição Atlético Mineiro pela sua grandeza”.

O sentimento do atleticano ultrapassa da redundância do “jogai por nós”. A torcida espera que os onze jogadores que pisarem no tapete verde do gigante da Pampulha saibam a grandeza do time que eles representam. O que todo alvinegro aprende desde criança é a respeitar seu escudo, sua história e sua paixão. O mínimo que se espera do seu time é total entrega do seus jogadores. Iremos para o campo como manda o figurino e a música: ” Vamos vamos meu Galô! Com toda raça e amor e eu nunca paro de cantar!”.

Com o Grêmio onde o Grêmio estiver

Se por um lado o Galo sonha com o bi da Copa do Brasil, do lado tricolor não poderia ser diferente. A equipe vem para a sua oitava final na competição e quer colocar fim de vez no jejum de 15 anos sem um título de expressão. A tarefa de conquistar o 5º título não será nada fácil, mas o clube contará com o imenso apoio da torcida. E por falar nela, a classificação para a final impulsionou o clube para garantir milhares de novos sócio-torcedores. O tricolor recentemente bateu a marca de 100 mil sócios, se tornando o quinto com mais associados no Brasil.

Caminhar pelas ruas de Porto Alegre ou de qualquer outra cidade do RS sem encontrar torcedor usando a camisa azul, preta e branca e com confiança lá nas alturas tem se tornado uma tarefa complicada.  Confiança da torcida nas alturas e euforia a tona, mas todo cuidado é pouco. Com o técnico Renato e os jogadores adotando cautela e pregando o devido respeito ao adversário, não se deixar contagiar pela ansiedade do torcedor é uma das chaves em um momento como esses.

Se por um lado a animação precisa ser controlada, por outro nem tanto. O motivo? Renato Portaluppi. O ídolo do tricolor tem um grande papel até aqui. Trouxe com ele uma coisa que faltava ao Grêmio de Roger, um lado anímico. De fato isso tem feito à diferença na Copa. Renato sabe como recuperar a moral dos jogadores e fazer terem confiança. O time que vinha bem treinado por Roger teve visíveis melhoras defensivas com o retorno de Portaluppi. Era o que faltava pra sonhar com algo a mais.

A campanha do Grêmio até aqui também não foi moleza. Começou bem é verdade. Venceu o Atlético Paranaense fora de casa pelas oitavas de final. Parecia que tudo se encaminhava para uma vaga sem problemas, mas o jogo de volta teve sua dose de adrenalina elevada até as alturas. Era a estreia de Renato no comando e o Grêmio perdeu no tempo normal pelo mesmo placar do jogo de ida, após uma falha do goleiro Marcelo Grohe. Não era a estreia que Portaluppi esperava. Vieram os pênaltis e um dos momentos mais tensos desde o confronto contra o Corinthians alguns anos atrás quando Dida defendeu três penalidades. Foi um festival de erros, cinco da parte do Furacão e Grohe estava lá para se redimir e defendeu três delas. 4 a 3 nos penais e Grêmio nas quartas.

"Patrão" da defesa tricolor, Geromel tem a árdua missão de neutralizar Lucas Pratto (Fotos: Lucas Uebel | Divulgação Grêmio)
“Patrão” da defesa tricolor, Geromel tem a árdua missão de neutralizar Lucas Pratto (Fotos: Lucas Uebel | Divulgação Grêmio)

Veio então o Palmeiras, líder do Campeonato Brasileiro, mas com o elenco que tem não seria problema encarar as duas competições. O Grêmio foi gigante! Impôs-se na Arena e venceu por 2 a 1. Pela entrega de jogadores como Kannemann, Ramiro e Douglas o placar acabou sendo até injusto. O resultado era perigoso, mas o Palmeiras foi com os reservas e Gabriel Jesus para o confronto decisivo. O Verdão saiu ganhando e o perigo entrou em cena de vez. Poderia ser o fim, mas Allione foi expulso e o Grêmio cresceu. Foi questão de tempo para o gol sair. Everton, o Cebolinha foi o autor do tento que colocou o tricolor na semi.

E por fim, as semifinais contra o então carrasco Cruzeiro. A raposa até poderia ser um “problema menor” pela situação que se encontrava no brasileiro, mas se enganou quem pensou. Foi tudo ou nada. Melhor pro Grêmio que com uma atuação de luxo das duplas Luan/Douglas e Geromel/Kannemann calou o Mineirão e venceu por 2 a 0. Coube ao tricolor apenas administrar o resultado para enfim voltar a final de uma competição de alto nível.

Dupla Douglas e Luan mais uma vez são esperanças tricolores contra os mineiros (Foto: Pedro Vilela | Getty Images)
Dupla Douglas e Luan mais uma vez são esperanças tricolores contra os mineiros (Foto: Pedro Vilela | Getty Images)

A final veio em boa hora. É a hora daquele torcedor de 20 anos que não se lembra da última conquista se animar. Daquele ainda mais novo que não viu o time ganhar. Daquele mais velho que viu tantas glórias do imortal voltar a sonhar. Pode ser o primeiro título da história da Arena. Que vai estar lotada na espera do último confronto da grande decisão. É pelo mais novo, é pelo de 20 anos, é pelo mais velho. É preciso acreditar!

Por enquanto, o Grêmio foi quatro vezes campeão. A primeira vez foi justamente na estreia da Copa do Brasil. Em 1989, o Tricolor bateu o Sport na final. Os demais títulos vieram sobre o Ceará (1994), Flamengo (1997) e Corinthians (2001).

Após longos 15 anos da conquista do tetra, onde o clube era treinado pelo então técnico da seleção, Tite e comandado dentro de campo por Zinho e Marcelinho Paraíba. Sob a batuta de Geromel, Luan e Douglas, e comandados pelo maior ídolo do clube, o Grêmio vem aí em busca do penta.

Fontes: Superesportes, Globo Esporte, CBFGloboesporte.com/PAL-GRE, globoesporte.com/GRE-CRU, globoesporte.com/CAP-GRE

 

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