Direto da arquibancada da final da Copa do Brasil: Flamengo recebe o Cruzeiro

Decisão começa nesta quinta-feira

Em 2013 Cruzeiro e Flamengo comemoraram no gramado do Maracanã os títulos nacionais. (Foto: Márcio Alves/ O Globo)
Por Daniel Bravo, MG
Por Léo Leal, RJ

A voz das arquibancadas não podem ser nunca esquecida no futebol. Trazemos aqui, antes do primeiro jogo da grande final da Copa do Brasil, a perspectiva dos torcedores de Flamengo e Cruzeiro que estarão na torcida por seus times.

Uma vez Flamengo. Flamengo até morrer.

Destaque rubro negro, Diego Ribas é esperança de gols. (Foto: Getty Images)
Destaque rubro negro, Diego Ribas é esperança de gols. (Foto: Getty Images)

Do lado rubro-negro, a conquista do tetra seria um desafogo para a temporada que não fluiu conforme as expectativas do torcedor diante do investimento feito. Após a eliminação na fase de grupos da Libertadores e uma campanha irregular no Brasileirão, que tornou o título pouquíssimo provável, a conquista da Copa do Brasil viria para “salvar” 2017 na Gávea.

Mas, embora o ano do Flamengo não seja tão brilhante quanto o esperado, a fase atual da equipe é satisfatória para o torcedor. A pressão por resultados melhores ainda existe, mas a chegada do colombiano Reinaldo Rueda trouxe novos ares ao time, que respirou no Brasileirão e eliminou o rival Botafogo em duas tensas batalhas na semifinal da Copa do Brasil. As últimas atuações do escrete rubro-negro mostraram uma considerável melhora no sistema defensivo, que vinha bastante frágil sob o comando de Zé Ricardo. Com a casinha arrumada lá atrás e as ótimas opções na parte ofensiva, o Flamengo vem sendo organizado, objetivo e letal sob o novo comando.

Para os primeiros 90 minutos da decisão, a equipe sofre com desfalques importantes. Além dos quatro jogadores que não podem jogar (Éverton Ribeiro, Geuvânio, Diego Alves e Rhodolfo), o técnico Rueda não conta com o centroavante Paolo Guerrero (suspenso pelo terceiro amarelo) e mais dois atletas lesionados: o lateral Renê e o jovem Felipe Vizeu.

Na lateral-esquerda, o técnico deve novamente improvisar Pará, tendo Rodinei na direita. No ataque, a dúvida é entre Paquetá, que foi bem como centroavante contra o Atlético-GO, e Vinícius Júnior, que jogaria na ponta e daria a Berrio o papel de camisa 9.

O atacante colombiano, por sinal, é o xodó momentâneo da torcida. Após uma sequência de boas atuações que já haviam conquistado a confiança dos rubro-negros, ele ficou marcado pelo drible desconcertante em Victor Luís na jogada que resultou no gol da classificação para a final. Num time tão desfalcado, grande parte da esperança dos flamenguistas encontra-se em Orlando Berrio.

Outro colombiano que merece destaque é o volante Cuellar, que parece outro jogador desde a chegada do novo técnico. Com botes certos e uma boa saída de bola, como mostrou nas atuações sob o comando do compatriota, o jogador parece estar bem à vontade, sendo enfim titular absoluto. Seus bons jogos, inclusive, chamaram a atenção de Peckerman, que voltou a convocá-lo para a Seleção da Colômbia.

Em um dos lances mais geniais da competição, Berrío deu passe para gol de Diego (Foto: Vitor Silva / SS Press / Botafogo)
Em um dos lances mais geniais da competição, Berrío deu passe para gol de Diego (Foto: Vitor Silva / SS Press / Botafogo)

A principal dor de cabeça rubro-negra para esta final encontra-se na meta. Alex Muralha, que chegou a ser convocado para a Seleção Brasileira em 2016, passa por um ano tenebroso, acumulando falhas que esgotaram a paciência da torcida. Thiago, seu concorrente, é um goleiro de futuro promissor, porém ainda muito inexperiente, o que pode pesar na escolha para um jogo de tanta importância. O jovem tem a seu favor a fama de pegador de pênaltis que carrega desde a categoria de base, e isso pode trazer a balança de Rueda a seu favor principalmente na segunda partida, no Mineirão. Entre tantas dúvidas, o único consenso é que o desfalque de Diego Alves tem um peso enorme.

Contra o Cruzeiro, o Fla busca a vingança de 2003, quando não foi capaz de bater a máquina comandada pelo Pofexô Luxa. Bem como 14 anos atrás, o primeiro jogo é em casa. Ao contrário daquela final, o elenco atual é bastante qualificado. Assim como 2003 e 2013 o Flamengo contará com seu craque: o Maracanã lotado.

Vibrando, sendo fibra e pesando libra, carregado pelo 35 e pelo 12, a busca nesse 2017 tenso e imprevisível é confundir a métrica do hino popular ao acrescentar o quarto “Vencer”.

Amamos o Cruzeiro. É o que interessa.

Muralha azul, Fábio foi destaque na classificação do Cruzeiro contra o Grêmio (Foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)
Muralha azul, Fábio foi destaque na classificação do Cruzeiro contra o Grêmio (Foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)

Acostumado a conquistar grandes títulos, o torcedor do Cruzeiro Esporte Clube vive a expectativa de conquistar mais uma Copa do Brasil. Aquela que seria a quinta da história celeste e o colocaria novamente como maior campeão ao lado do Grêmio. Assim como no último título, o time das Minas Gerais terá pela frente um forte Flamengo. As duas equipes repetem a final de 2003 e terão até os mesmo mandos de campo para a realização dos jogos. O primeiro jogo será disputado em um Maracanã lotado e terá sua decisão em um Mineirão igualmente cheio.

O Cruzeiro chega para a final com a expectativa de conquistar o seu primeiro e único título no ano. Distante das taças desde a conquista do bicampeonato brasileiro, o torcedor cruzeirense tem motivos de sobra para confiar na conquista. Apesar de não poder contar com Sassá, o torcedor viu na jovem promessa Raniel uma oportunidade de atacar a meta flamenguista. O garoto que chegou ao Cruzeiro após difícil começo de carreira no Santa Cruz, chega a reta final mostrando enorme poder de finalização e oportunismo. Outros nomes que credenciam o time no Mineirão são os de Thiago Neves, Robinho, Rafael Sóbis e, claro, o goleiro Fábio. Apesar do momento ruim, Sóbis é lembrando por decidir grandes torneios. Já Fábio vive grande fase, ao ser decisivo contra o Grêmio, e sonha em conquistar sua primeira Copa do Brasil como titular, já tendo vencido a competição em 2000, quando era reserva de Arthur.

Para chegar à final, o Cruzeiro precisou passar por todas as fases da competição. Nas iniciais enfrentou Volta Redonda, São Francisco, Murici e o tradicional São Paulo. Nas oitavas, o adversário foi a querida Chapecoense. Em dois jogos difíceis, o time azul celeste classificou por ter vencido em casa e segurado o empate na Arena Condá. Nas quartas, dois empates contra o Palmeiras, mas classificado graças ao 3 x 3 na Allianz Parque, e empate por 1 x 1 em Belo Horizonte. Nas semifinais muita emoção e dois jogos de enlouquecer o torcedor. A primeira partida foi disputada na Arena do Grêmio. O tricolor ameaçou o gol cruzeirense e poderia ter vencido com enorme tranquilidade, não fossem dois milagres do goleiro Fábio, no placar final do jogo de ida: 1 x 0 para os gaúchos. Na volta, um Mineirão com mais de 55 mil pessoas viu um time se entregar até o final e vencer a partida também pela diferença mínima. Nos pênaltis, muitos erros. O principal deles, de Luan, que foi parado por Fábio, no lado azul. Gol de Thiago Neves e classificação comemorada pela China Azul.

Contra o mesmo Flamengo, em 2003, Alex calava o Maracanã e abria o placar para o Cruzeiro com um gol de letra antológico. (Foto: Reprodução Internet)
Contra o mesmo Flamengo, em 2003, Alex calava o Maracanã e abria o placar para o Cruzeiro com um gol de letra antológico. (Foto: Reprodução Internet)

Os dois jogos da decisão prometem ótimas partidas e já são tratados com enorme respeito por ambas as instituições e torcidas. Com um trabalho muito amistoso, o marketing das duas equipes promovem a campanha #FinalDeTimeGrande e #ResenhaDeTimeGrande com a intenção de promover a paz e o respeito não só no estádio, mas na viagem dos visitantes. Dentro de campo, o favoritismo não existe. Dois grandes técnicos, elencos recheados de grandes jogadores que podem resolver uma partida em apenas um lance e um número enorme de títulos na história de ambos os clubes.

Na arquibancada celeste, a China Azul promete apoiar o “Time do Povo” até o final como sempre fez. No campo, os ídolos Fábio, Henrique, Romero, Thiago Neves e todos os outros prometem honrar o manto do Maior de Minas e fazer o possível para trazer a taça para a Toca da Raposa. Na garganta do torcedor, uma certeza: “Na veia tenho sangue azul do meu clube amado, no peito 5 estrelas que carrego com amor…Não importa onde fores jogar, por toda vida vou te acompanhar”.

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