Direto da arquibancada: os 90 minutos finais de Atlético-MG e Grêmio na Copa do Brasil

Com o Grêmio em vantagem, Atlético-MG vai ao RS em busca de virada histórica na Copa do Brasil

(Foto: Reprodução/ Gazeta Press)
Por: Lucas Poeiras, MG | Jean Costa, RS

Assim como no primeiro jogo da grande final da Copa do Brasil, trazemos aqui, de novo, a voz das arquibancadas com perspectivas de gremistas e atleticanos para a final que tem ingredientes o suficiente para se tornar inesquecível. O jogo foi adiado uma semana devido a tragédia de Medellín com a nossa querida Chapecoense. Agora que a vida continua, mineiros e gaúchos esfregam as mãos e torcem para suas hipóteses: a confirmação do título ou um novo milagre.

Já nos disseram que era impossível antes

O primeiro jogo no gigante da Pampulha escancarou todos os defeitos que a temporada de 2016 do Atlético Mineiro teve: confusão tática, correria e falhas defensivas. O time não entrou bem em campo e pereceu ao muito bem armado  Grêmio, que soube usar os contra golpes com extrema eficiência e foi uma máquina na defesa. A derrota foi um golpe na moral da equipe que perdeu o técnico e botou a torcida desconfiada de como o grupo se portará na segunda partida.

Goleiro Victor cobra reação imediata dos companheiros (Foto: Globo Esporte/Reprodução)
Goleiro Victor cobra reação imediata dos companheiros (Foto: Globo Esporte/Reprodução)

O Galo estará sobre os cuidados de seu técnico interino Diogo Giacomini, que terá a chance de comandar a equipe em um momento crítico para definir o sucesso da temporada. O time precisa melhorar drasticamente na parte defensiva para não levar gols, principalmente no desarme. Os erros mentais para manter o time equilibrado nas duas fases serão as chaves para o sucesso do alvinegro. Se o time for capaz de manter esse balanço de forma positiva, haverá esperança de levantar a taça.

O adiamento do jogo trouxe uma possibilidade de benefício para o Atlético junto ao seu departamento médico. A volta de dois jogadores fundamentais no espírito e na qualidade técnica: Luan e Marcos Rocha. Luan, o “Menino Maluquinho” é um dos melhores jogadores do Galo, possui velocidade e técnica extraordinárias, sempre ajuda na defesa e possui um espírito muito guerreiro e determinado. Já o lateral Marcos Rocha é umas da lideranças do grupo. Presente no time por cerca de dez anos, Rocha possui atributos técnicos capazes de mudar o jogo, e sua experiência nos momentos de superação poderão fazer a diferença.

Luan: o menino maluquinho do Galo (Foto: Superesportes/Reprodução)
Luan: o menino maluquinho do Galo (Foto: Superesportes/Reprodução)

O time precisa melhorar profundamente nos aspectos defensivos. O Galo não soube neutralizar os contra golpes e sofria muita pressão sempre que perdia a bola no meio campo. Os impressionantes 61 desarmes tricolores contra oito do Galo mostraram como isso fez a diferença no jogo. O Grêmio também foi mais contundente ao criar mais chances claras de gol: 7 contra 6 alvinegras. É muito difícil que o interino Giacomini tenha sido capaz de melhorar o time em duas semanas, mas os detalhes e evidência estão bem claros. Não há uma fórmula mágica para o futebol, mas os times que jogam de forma organizada e coesa caminham em direção a vitória.

O ataque precisa mais do que nunca confirmar sua qualidade técnica. Robinho, Pratto e Luan precisarão estar em grande forma para ultrapassar o grande zagueiro Geromel e um dos goleiros da seleção: Grhoe. O sistema defensivo adversário precisará ser bombardeado de bolas rápidas e transições lançadas, já que a bola área foi tentada exaustivamente no jogo passado e não teve sucesso.

Interino em apuros: Diogo Giacomini (foto: Superesportes/Reprodução)
Interino em apuros: Diogo Giacomini (foto: Superesportes/Reprodução)

O resultado necessário é um velho conhecido dos alvinegros: 2 a 0. Segundo o colunista do Estado de Minas Fred “Infiltrado” Paiva: ” 2 a 0 é a linha direta entre o atleticano e Deus. Mesmo que seja ateu.” O Galo precisa se superar mais uma vez, só que fora de casa e longe da massa. Muitos já riscaram o nome alvinegro da decisão em suas análises, mas o “eu acredito” nunca será calado. A torcida foi com o time até o aeroporto em Belo Horizonte, recebeu os jogadores em Porto Alegre. O apoio estará lá sempre, e torcemos para que os jogadores correspondam e confirmem mais um milagre para a nossa conta.

O penta está próximo, mas todo o cuidado é pouco para o tricolor

Enquanto o Galo busca acreditar na virada histórica, a torcida tricolor já imagina a possível conquista do Grêmio nesta quarta-feira (7), caso supere o Atlético-MG, no segundo jogo da final da Copa do Brasil. O imortal está prestes a se consagrar como o único pentacampeão da Copa do Brasil, o que será um momento histórico. O primeiro título do novo estádio, uma nova história, novos ídolos e outros que por fim se estabilizarão. A conquista também irá fazer o clube gaúcho voltar ao primeiro lugar do Ranking Nacional de Clubes da CBF, de acordo com levantamento feito pela ESPN. Mas o torcedor gremista nem liga muito para isso e sim para o encerramento do perturbador jejum.

O objetivo está bem claro: vencer. Deixar os 15 anos sem título de lado, esquecer essa seca que virou motivo de piada para os rivais. Conquistar o penta é uma obsessão. São 15 longos anos que estão prestes a serem encerrados meu caro leitor. Esperança e vontade são chaves. A torcida gremista e o Brasil estão próximos de ver aquele time que nas décadas de 80 e 90 levantou muitas taças, voltar a levantar um título de expressão.

Homem do jogo no Mineirão, Pedro Rocha é desfalque no segundo jogo da decisão (foto: Lucas Uebel/ Grêmio)
Homem do jogo no Mineirão, Pedro Rocha é desfalque no segundo jogo da decisão (Foto: Lucas Uebel/ Grêmio)

Renato Portaluppi, o maior ídolo, quem deu o título mundial ao Grêmio em 83, pode novamente ser o responsável por uma alegria que a torcida busca há muito tempo. O resultado foi feito na primeira partida, mas todo cuidado é pouco, ainda mais com um time tão qualificado como o Atlético Mineiro. Muito se fala no jejum, mas em 2005, o Grêmio foi campeão da Série B. Só que o acesso à Série A, com o título ou não, geralmente não é algo a ser comemorado, e sim algo tratado como obrigação para os clubes da elite nacional. Mas há quem diga que título é título, não importa qual ele seja.

Não é tão difícil entender a torcida do tricolor por causa de tamanha cautela com a final da Copa do Brasil. É lógico que quanto mais passarem confiança é melhor para os próprios, mas por baixo de toda essa confiança existe o famigerado receio. 2007 e 2008 explicam por si só o motivo desse cuidado. Há pouco mais de nove anos, após subir para a Série A e se classificar para a Libertadores, o Grêmio chegou à final da competição, onde perdeu para o Boca Juniors de Juan Roman Riquelme. No ano seguinte, venceu o primeiro turno do Brasileirão, lutou pelo título, abriu uma bela vantagem, mas na reta final, acabou sendo ultrapassado pelo São Paulo. Tudo bem que em 2008 foi uma surpresa, afinal, o time era fraco e o técnico Celso Roth tirou leite de pedra até onde podia. Foi por pouco é verdade, mas 2008 é motivo para ter cuidado na noite desta quarta-feira.

É por causa desses acontecimentos que o torcedor pensa que algo ruim possa vir a acontecer e que o time gaúcho perca a taça, mesmo tendo vencido fora de casa por 3 a 1. Até uma derrota simples, por 1 a 0 dá o título para o Grêmio. Mas que o Grêmio não relaxe, pois o Atlético é perigoso e tem carrascos do outro lado. A última vez, sem contar estaduais, em que o imortal venceu um campeonato nacional ou sul-americano foi em 2001, justamente a Copa do Brasil. Conquista essa que serve de inspiração para quarta-feira.

A união faz a força; é hora do Grêmio saber administrar o resultado para o penta na Copa do Brasil (Foto: Jefferson Botega / Agencia RBS)
A união faz a força; é hora do Grêmio saber administrar o resultado para conquistar o penta na Copa do Brasil (Foto: Jefferson Botega / Agencia RBS)

A tragédia irreparável com a delegação da Chapecoense adiou o segundo jogo da final semana passada para esta quarta-feira (7), às 21h45, na Arena. É o primeiro jogo a ser disputado no Brasil após o acidente. Grêmio e Atlético vão jogar com o luto por aqueles que se foram no desastre. Homenagens para o time catarinense irão acontecer, mas que a torcida do campeão possa comemorar como bem entender. O Grêmio está a um passo do paraíso, casa cheia e apoio incondicional não faltará na batalha final. Sem contar que o tricolor tem um belo resultado a favor, mas a cautela também nos faz pensar em um questionamento que durará grande parte dos 90 minutos da partida: “Será que finalmente chegará ao fim o jejum de 15 anos sem títulos?”

Fontes: Globoesporte.com e SuperEsportes

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