Do Pará ao Ceará: a ligação entre bicolores e alvinegros

EXEMPLO PARA TODAS AS TORCIDAS

Torcedores de Ceará e Paysandu se confraternizando em Belém [Foto: Paysandu/Divulgação]
Por: Honorato Vieira, CE

A cidade de Belém do Pará não é tão próxima de Fortaleza, mais precisamente 1571 quilômetros separam as duas metrópoles. A distância nunca foi empecilho para a união e amizade das torcidas de Paysandu e Ceará.

Em meados da década de 80,  a união entre Torcidas Organizadas de estados diferentes começou a aflorar. Com a Mancha Verde, do Palmeiras, e Força Jovem, do Vasco, sendo algumas das pioneiras. Essas conexões interestaduais aumentaram pelo Brasil afora.

São várias razões para que dois grupos distintos criem vínculos de respeito mútuo e amizades. Muitos se aproximam por causa da semelhança entre as cores dos uniformes dos clubes e das torcidas; similaridades nas características e origens das agremiações; a receptividade dos anfitriões aos visitantes em suas cidades; a identificação com a ideologia e forma de organização. Além de afinidades culturais e socioeconômicas.

A ligação entre Paysandu e Ceará começou com a união entre as organizadas Terror Bicolor e Cearamor, ainda nos anos 90. As agremiações se ajudavam na logística entre os estados e recepcionavam em suas sedes os componentes que viajavam para acompanhar o seu clube de coração. Essa relação foi sendo fortalecida ano após ano e se expandiu para outras áreas.

Torcidas organizadas de Ceará e Paysandu em 1998 [Foto: Fotolog/Divulgação]
Torcidas organizadas de Ceará e Paysandu em 1998 [Foto: Fotolog/Divulgação]

A aliança se tornou uma das mais fortes do Brasil e fez com que os “torcedores civis” se confraternizassem também. Os clubes são co-irmãos e sempre fazem ações juntas em prol de seus acompanhantes. Promoções, viagens e muita interatividade sempre fortalecem a amizade entre paraenses e cearenses.

Em 2016, no confronto entre Ceará e Paysandu, pela Série B, as líderes de torcida dos clubes, Vovozetes e Bicolindas, se juntaram para fazer uma apresentação conjunta no gramado da Arena Castelão.

Os torcedores comuns são beneficiados com isso e sempre são bem recebidos quando chegam em Belém ou Fortaleza. A logística, a hospedagem e os programas noturnos (GOSTAMOS) sempre são guiados pelos locais para que os visitantes se sitam em casa.

A cada jogo a amizade é confirmada, geralmente com uma boa recepção aos forasteiros, em ato retribuição ao que receberam quando foram a cidade da co-irmã. Mas não é pra ser uma questão de conveniência, tipo uma lógica mercantil, “eu te dou aqui e ganho ali”, a ideia é fazer uma boa recepção em ato de gentileza, retribuição e solidariedade. Essas trocas acabam criando um ciclo de gentilezas entre as Torcidas Organizadas e vão fortalecendo a relação a cada dia.

Lado ruim

Nem tudo são flores na relação entre Paysandu e Ceará. Com essa união, as torcidas organizadas de Fortaleza, Leões da TUF, e do Remo, Remoçada, resolveram fechar uma aliança para combater a dupla.

Dessa forma, em jogos que em tese não aparentariam nenhum risco de confronto grave entre Organizadas se tornaram “jogos de guerra”. Duelos entre Paysandu x Fortaleza ou Ceará x Remo geram inúmeros conflitos e problemas para as autoridades e até mesmo para os torcedores “comuns”.

Recentemente, quando o Ceará se preparava para enfrentar o Paysandu pela Série B 2017, na sede do Remo, uma parte da torcida azulina protestou contra a presença dos alvinegros em seu recinto.

Fontes: Torcidas Organizadas Brasil, Hoolibras, Paysandu, Ceará, Futebol Cearense

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.


*