Dossiê Copa do Mundo: Qual é a melhor fórmula de disputa?

(Foto: A12.com)
Por: Diego Giandomenico, PR

Não existe esporte no mundo com o alcance do futebol. Todo mundo sabe muito bem disso. Em qualquer lugar do mundo tem praticantes da modalidade e basicamente todos os países, nações, regiões autônomas ou colônias têm suas seleções oficiais. Atualmente são 211 seleções filiadas à FIFA e tem mais um monte que ainda não conseguiu sua aprovação na órgão maior do futebol, mas são filiadas a outras entidades, como a NF Board ou a ConIFA.

Entre elas existem seleções de lugares como: Mônaco, Chechênia, Groenlândia, Zanzibar, Padânia (região ao norte da Itália), Abecásia, Nagorno Karabakh (região de conflito entre Azerbaijão e Armênia), Ilha de Man, Condado de Nice, Tibé, Kiribati, Lapônia e muitas outras. O que eu quero mostrar com isso além do meu gosto por geografia em geral? É que o futebol mudou no mundo, e muito. Não faz muito tempo que as eliminatórias na Ásia e na Oceania eram disputadas em conjunto e tinha direito a apenas uma vaga.

Jogadores de Ilha de Man comemoram um gol pela ConIFA World Cup, a Copa do Mundo das seleções não reconhecidas pela FIFA (créditos na imagem)

Claro, o aumento de vagas que começou a ser promovido pelo não tão querido João Havelange, foi pura politicagem. Foi assim que ele se elegeu presidente da FIFA, prometendo vagas para as Confederações Africana e Asiática. E deu. Talvez sem querer, ele aumentou exponencialmente o número de participantes. Por exemplo, nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 1974, 20 seleções africanas entraram na disputa, com apenas a seleção do Zaire se classificando. Já na Ásia e Oceania, foram 15 seleções, com a vaga indo para a Austrália.

Hoje em dia, as eliminatórias na África rendem 5 vagas, disputadas entre 54 seleções. Já na Ásia, são 4,5 vagas, disputadas entre 46 seleções. Até a Oceania, que não tem vaga direta, tem suas eliminatórias disputadas entre 11 seleções. Ou seja, mais gente sonha em disputar uma Copa do Mundo, mais gente tem se preparado para isso, mais difícil fica para seleções tradicionais garantir com facilidade suas vagas. E quando se é presidente da FIFA e precisa agradar confederações e vê grandes potências com a chance de ficar de fora, você deve intervir. Ou não.

Zaire foi à Copa de 1974, a primeira seleção negra da história (foto: folha seca)

Há pouco tempo atrás Gianni Infantino sinalizou a intenção de ter uma Copa do Mundo de 40 seleções. Depois, veio com uma ideia ainda mais ousada, uma Copa do Mundo com 48 seleções. Cada uma com seus prós e contras. Assim como versões com 32, 64, 24 e até mesmo 16 seleções têm suas vantagens e desvantagens. Vamos esmiuçá-las aqui e ver todo seu arsenal de possibilidades.

A já tradicional com 32 seleções

O modelo implantado na Copa de 1998 deu certo e praticamente não teve nenhuma seleção que passou vergonha mesmo. Jamaica e Trinidad e Tobago não animaram, mas não foram sacos de pancada igual o Zaire, por exemplo. Atualmente as vagas são distribuídas da seguinte maneira: América do Sul (4,5 vagas), Europa (13 vagas), África (5 vagas), Ásia (4,5 vagas), América do Norte e Central (3,5 vagas) e a pobre Oceania com (0,5 vagas).

Há muito se fala em dar uma vaga direta para os oceânicos, tirando assim uma disputa de vaga mundial. Mas qual se tiraria? O mais indicado é que fosse a América do Sul, que tem o maior número de vagas por participantes. Porém, é uma eliminatória muito forte. Brasil, Argentina, Uruguai, Colômbia, Chile e até Paraguai e Equador sempre se apresentaram muito bem em suas participações. É um risco muito grande limar uma vaga de potências iguais a estas.

O que levaria a pensar que podemos cortar uma vaga da CONCACAF. Igual seria ainda pior. Já que além de terem boas participações com EUA, México e Costa Rica, ainda tem muita grana que entra na Copa por lá. Isso sem falar que são muitas seleções para poucas vagas. Não rola. Cortar da Ásia, nem pensar. Os asiáticos já estão fulos da vida com a entrada da Austrália, não vão dar de graça outra vaga para a Oceania. Sem falar que eles são muito poderosos dentro da FIFA. Isso tudo, misturado com o fato de alguns europeus tradicionais bambearem em sua eliminatória, faz com que a opção de 40 seleções seja viável.

Para a nossa tristeza, a França de Zidane foi a primeira campeã com 32 seleções participantes (foto: Daily Mail)

Copa do Mundo com 40 seleções: um sonho possível

Uma ideia que agrada e que aparentemente tem seus bons fundamentos, é a Copa do Mundo com 40 seleções. Divididas da mesma maneira, em 8 grupos, só que com 5 seleções cada. O número de dias de disputa aumentaria em 3, o que não é muita coisa. Já para as seleções seria um jogo a mais. De até 7 iria para até 8. Muda um pouco a questão de recuperação de elenco.

Se vemos jogadores esgotados em uma final com 7 jogos, com 8 talvez fosse ainda pior. Porém, mais seleções teriam suas vagas garantidas e a possível divisão de delas ocorreria da seguinte maneira: América do Sul (5,5 vagas), Europa (16 vagas), Ásia (5,5 vagas), África (6,5 vagas), América do Norte e Central (4,5 vagas) e a Oceania com sua sonhada uma vaga. Isso numa distribuição a esmo. Podem ser feitas outras variações, mas isso praticamente eliminaria os riscos de um “grande” ficar de fora e também dava mais oportunidades para outras seleções realizarem o seu sonho. Um grande contra é que para alguns uma competição inchada não ajuda no espetáculo e que só valeria a pena mesmo a partir das oitavas de final.

Venezuela é o único país sulamericano que nunca disputou uma Copa do Mundo (foto: El País)

Copa do Mundo com 48 seleções: doideira

Se com 32 seleções já tem gente chiando, imagina com 48. O problema nem é tanto o número de seleções participantes, mas o fato é que 16 delas voltariam para casa com apenas UMA partida realizada. Isso mesmo. Infantino declarou que poderia haver uma Pré-Copa do Mundo, com confronto único. O perdedor iria embora para casa direto.

Essa fórmula é uma doideira pelo fato de quem você deslocaria uma seleção e alguns dos seus habitantes para assistirem a uma mísera partida. Do que adianta, sei lá, o Gabão ir para a Copa se forem embora antes da fase de grupos? Com 8 vagas a mais do que a versão com 40, as vagas poderiam ser distribuídas da seguinte maneira: América do Sul (6 vagas), Europa (19 vagas), África (7 vagas), Ásia (7 vagas), América do Norte e Central (6 vagas) e Oceania (2 vagas). Muita coisa? Pode ser.

Aubameyang e seu Gabão podem pintar em uma Copa do Mundo (foto: Público)

Outros formatos e discussões

Na verdade, com o crescimento do futebol, é natural que mais seleções possam disputar a Copa do Mundo. Como podemos ver as eliminatórias são injustas às vezes. Nas eliminatórias africanas, por exemplo, Camarões, Nigéria e Argélia estão brigando por uma única vaga. Aqui na América do Sul, Argentina, Colômbia e Chile estão lutando para um deles ficar na repescagem. Na Ásia, Japão e Austrália enfrentam grandes dificuldades.

O futebol tem ficado mais equilibrado e achar a medida certa entre uma boa competição, com espetáculo e uma competição com diversidade de equipes, com os grandes centros representados, parece impossível de encontrar. Algumas correntes argumentam em usar um ranking histórico, para garantir que as principais seleções continuem a reinar, estilo o que a UEFA pensa em fazer na Champions League. O que obviamente incomoda a quem não faz parte dessa elite.

Argentina de Messi pode depender da repescagem para se classificar (foto: Veja)

Uma Super Copa do Mundo, realizado em paralelo, com as principais seleções, já chegou a ser cogitada. Para alguns, o formato ideal era com 24 seleções. Tinha volume e só jogão. Mas isso faz parte de um pensamento saudosista e é algo que não devemos mais ter na hora de imaginar uma competição. Até porque, como disse lá em cima, o mundo do futebol mudou. Quando o número de participantes passou para 32, em 1998, eram 174 seleções disputando seu lugar ao sol.

Hoje já temos 211. A competição aumentou. E se não for agora, mais para frente terá que ser repensada em seus moldes, estruturas e também seus participantes. Fica a dúvida de qual é o caminho correto a seguir. Entre o inchaço e a escassez, há um boa discussão a seguir. E para você, qual deve ser a fórmula ideal de disputa da Copa do Mundo?  

Enquanto pensa, fique matando a saudade dos golaços que já vimos em Copas.

 

Fonte: Fifa, Ig Esporte, Zero Hora

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