Dr. Sócrates: Muito mais que um gênio da bola

Além de craque no futebol, um guerreiro pela democracia

O líder da Democracia Corinthiana (Foto: Reprodução rivistacontrasti.it)
O líder da Democracia Corinthiana (Foto: Reprodução rivistacontrasti.it)
Por Daniel Bravo, MG

Amigo torcedor, amigo leitor. Ainda que eu escrevesse sobre futebol por toda minha vida, não falar sobre Sócrates Sampaio de Souza Vieira de Oliveira, mais conhecido como Dr. Sócrates, o Magrão, seria sem duvidas um pecado irreparável. Nascido em Belém-PA no dia 19 de fevereiro de 1954, foi cria do Botafogo de Ribeirão Preto, clube que atuava na mesma época em que cursava Medicina na USP. Sócrates é sem dúvida um daqueles casos raros e que com o atual modelo de futebol não deve se repetir. Quase não treinava, mas jogava como poucos, logo após se formar no ano de 1977, se transferiu para o Sport Club Corinthians Paulista.

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Sócrates, nos tempos de Botafogo (Foto: Gazeta Press)

No Corinthians, o Dr. viveu umas das mais belas histórias dentro e fora de campo. No campo formou dupla com os ex-companheiros: Geraldão, Palhinha e com aquele que se tornaria seu grande amigo e parceiro, Casagrande, o Casão. Fora de campo era um líder. Foi um dos líderes a comandar os jogadores corintianos na famosa “Democracia Corintiana” processo que visava dar aos jogadores mais poder de decisão nos clubes e esteve presente também no movimento das “Diretas Já”, um movimento nacional que buscava a democracia no país, prometendo que ainda ficaria no Brasil, caso fossem aprovadas as eleições democráticas, fato que não ocorreu – e Magrão rumou-se para a Europa.

Na Europa, o Dr. desembarcou na Itália para defender a Fiorentina. Contudo, acabou tendo uma passagem com menos brilho que o esperado, já que o  time italiano recebeu de seu craque e capitão Daniel Passarela, campeão do Mundo pela Argentina em 1978, as críticas quanto a velocidade de jogo de Sócrates. Em 1985 acabou retornando ao Brasil para formar novamente a dupla de Seleção Brasileira com Zico, dessa vez no Flamengo, onde aos 32 anos acabou não tendo brilhante passagem e marcando somente 8 gols, mas conquistando o Carioca de 1986. Magrão chegou ainda a jogar pelo Santos e encerrar a carreira no clube onde começou, o Botafogo de Ribeirão Preto.

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A seleção de 82 não venceu a Copa, azar da Copa (Foto: Reprodução internet)

Com a Seleção, Sócrates integrou uma das maiores de todos os tempos, a que para muitos merecia ter vencido a Copa do Mundo de 82. Lembrada até hoje como um time que jogava bonito e pra frente, a seleção foi derrotada pela Itália com 3 gols de Paulo Rossi. Em 86, Sócrates disputaria mais uma Copa, dessa vez com o condicionamento físico já abaixo do esperado e ficou lembrado pelo pênalti perdido contra a França.

Magrão sofreu ainda com o alcoolismo e chegou a ser internado por problemas de saúde. Sem esconder o clube do coração, o Sport Clube Corinthians Paulista, o Dr. dizia que iria morrer em um domingo com o Timão conquistando um título. Assim foi: em 4 de agosto de 2011, dia de seu falecimento, o Corinthians se tornou pentacampeão brasileiro.

Sócrates Sampaio de Souza Vieira de Oliveira, o Dr. Sócrates, o Magrão. Ídolo do Botafogo de Ribeirão Preto, do Corinthians e da Seleção Brasileira. Um símbolo da luta pela democracia e de pessoa que sempre buscava o melhor para o próximo. Um gênio que jamais será esquecido, um Deus do Olimpo do futebol.

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Livro que será lançado em Março de 2017 (Doctor Socrates: Footballer, Philosopher, Legend)

Ps: Em março de 2017 será publicada a obra que trata da carreira de Sócrates. O livro é escrito por Andrew Downie (Caderno de Esportes da agência Reuters no Brasil) e contará com prefácio assinado por Johan Cruyff.

Pesquisa: GGN

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