Em 1966, Flamengo e Bangu fizeram a final que terminou em cenas lamentáveis

O jogo terminou com vitória do Bangu por 3 a 0

Almir Pernambuquinho possuído. (Foto: Agência O Globo)
Por Alexandre Greco, CE

O último título carioca do Bangu Atlético Clube foi épico. Teve de tudo um pouco: grandes jogadas, gols, craques em campo e Cenas Lamentáveis protagonizadas pelo grande Almir Pernambuquinho, polêmico atacante do Flamengo – uma mistura volátil de Edmundo e Serginho Chulapa – que prometeu não ter volta olímpica que não fosse do rubro-negro. Os alvirrubros de Paulo Borges não deram muito importância para o assunto e “assungaram” sonoros 3 a 0 no time do elegante Carlinhos, O Violino!

O Bangu é um dos clubes pioneiros na profissionalização do esporte e o primeiro a ter um negro no time, honrando sua tradição proletária, Francisco Carregal, em 1905, fazia parte do elenco do Bangu, um negro que causava indignação nos times adversários, o futebol era um esporte aristocrático praticado nos clubes frequentados pelas famílias tradicionais. O Bangu é parte fundamental na história do futebol no Brasil.

Última equipe do Bangu a conquistar o campeonato carioca. (Foto: Agência O Globo)
Última equipe do Bangu a conquistar o campeonato carioca. (Foto: Agência O Globo)

Em 1966 o Flamengo e Bangu eram equipes parelhas, o time da Gávea contava com Almir Pernambuquinho, que já era um jogador nacionalmente conhecido, pois havia ganho a taça intercontinental com o Santos (sendo o jogador a substituir Pelé e sofrer o pênalti que deu a vitória ao Peixe) e vinha de passagens pelo Corinthians, Fiorentina, Genoa e Boca Juniors (ARG), e Carlinhos, O Violino, atleta histórico do Flamengo, dono de uma elegância singular, comandava a meiuca rubro negra (mais tarde tornou-se técnico vitorioso pelo clube).

Do outro lado uma equipe histórica que tinha o excelente Ubirajara no gol, Fidélis (O Touro Sentado) na zaga, Paulo Borges, que viria a ser o artilheiro do Campeonato, Ladeira e Aladim, infernais jogadores que marcaram época no tempo em que o time ia jogar em Niterói e pegava barca com os torcedores. O futebol um tanto ordinário, do cotidiano, o ídolo como algo possível de um bate papo descontraído enquanto a barca aporta para partida.

O primeiro turno foi do Flamengo, que venceu por 2 a 1, gols de Silva e Pernambuquinho, mas a final foi um baile da equipe da Zona Oeste, 3 a 0 acachapantes, começando com o gol de Ocimar, aos 24 minutos, em seguida Aladim amplia.  Por fim, Paulo Borges põe números finais ao cotejo e vira artilheiro máximo da competição até que…

Almir Pernambuquinho possuído. (Foto: Agência O Globo)
Almir Pernambuquinho possuído. (Foto: Agência O Globo)

Almir Pernambuquinho entra em cena e não poupa esforços pra transformar a partida num balaio de gato, como havia prometido NÃO HAVERIA VOLTA OLÍMPICA. Almir tinha palavra. Foram distribuídos tapas e pontapés sem economia. Ao todo foram expulsos Ubirajara (que teve um desempenho digno de UFC), Luís Alberto, Ari Clemente e Ladeira, pelo Bangu. No Flamengo o goleiro Valdomiro, que depois foi acusado de ter sido comprado pelo Castor de Andrade (bicheiro ligado ao Alvirrubro), Itamar, Paulo Henrique, Pernambuquinho (obviamente) e Silva.

Foi uma batalha campal que infelizmente temos poucos registros visuais, mas que estão aí ressoando no tempo, naquele tempo que o Maracanã recebia 143.978 torcedores e “tipos humanos” como narra o canal 100, pra ver uma final de carioca entre Flamengo e Bangu. Dois clubes pioneiros na profissionalização do esporte e de substanciais importância pro futebol carioca.

Confira abaixo um registro do Canal 100.

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