A emoção incomparável de ver o Maracanã por outro ângulo

O relato de conhecer, no dia do aniversário dele, o eterno Maior do Mundo

A pequena imensidão do eterno Maior do Mundo (Foto: Cenas Lamentáveis)A pequena imensidão do eterno Maior do Mundo (Foto: Cenas Lamentáveis)
Por Lola Ferreira, RJ

Existem emoções que são inexplicáveis, incomparáveis e que você nunca nem sonha em vivê-las até que chegue o dia. E eu vivi uma dessas emoções ao visitar o eterno Maior do Mundo. Na última sexta-feira, 16/06, o Maracanã completou 67 anos. Mesmo com todos os problemas que já citamos aqui, de construtoras corruptíveis e políticos corruptos a destino incerto, não hesitei em estar no estádio. Diferentemente de outras ocasiões, agora o caminho seria outro, o objetivo seria outro e eu não entraria no Maracanã torcendo para o meu time ganhar.

Junto de mais três membros aqui da CL, fiz a visita guiada no estádio. Diante da imensidão, o passeio é curto: do hall ao campo, passando pelos vestiários e terminando em uma pequena sala de imprensa. No hall, os bustos de Zagallo e Garrincha — aliás, é um pecado este não estar mais exposto para a torcida — e as marcas da calçada da fama de Capita, Washington, Assis, Pelé… Ali, também, a rede do milésimo gol do Rei.

Homenagem a Pelé no hall do Maracanã (Foto: Cenas Lamentáveis)
Homenagem a Pelé no hall do Maracanã (Foto: Cenas Lamentáveis)

Mas é no caminho dos jogadores que a emoção começa. Aquela, sabe? Inexplicável e incomparável? Então. Cruzar a porta e ver, de longe, um pedacinho do gramado já foi uma emoção danada. E entrar nos vestiários, também. Ao entrar nos vestiários, rolou um silêncio. Todo mundo quieto, ou falando baixinho, só olhando para todas aquelas camisas e analisando o lugar. Não tinha muito a dizer mesmo…

Mas ao sair dali, começou a tremedeira. Em filas indianas, fomos em direção ao gramado. E eu nunca tinha visto o gramado do Maracanã assim, tão de pertinho. E quando eu o vi, a sensação é de que o estádio, todo ele, estava menor. As obras encolheram o Maracanã, é um fato. Mas sabe? Ainda é o Maracanã, de episódios históricos e tragédias inesquecíveis. Ainda emociona.

E cada um que chegava até ali, tinha uma reação diferente. Sorrir, tremer, admirar em silêncio, tirar dezenas de fotos, tentar encostar na grama de verdade, e não só na sintética permitida… Vivi e vi, em poucos minutos, um ritual único: ninguém havia vivido aquilo, e caso voltem a viver, nunca mais terá a mesma reação.

Andei pela beirada do campo, sentei no banco de reservas e, mesmo assustada com o encolhimento, tentava assimilar: tô aqui, dentro do Maracanã, só para conhecê-lo. E guardei cinco segundos daquele momento na minha memória, e serão os cinco segundos que eu vou rememorar sempre que possível, para lembrar até estar bem velhinha. Ah! E também o momento em que eu fiz um gol no Maracanã (ok, grama sintética e atrás do gol de verdade, mas um gol!). Para quem tem duas pernas esquerdas e não joga nem videogame, isso, sim, é algo a se comemorar. 🙂

Talvez ao ler estas linhas você não entenda. Talvez você, como eu, critique tudo que fizeram ao Maracanã. Talvez você acha hipocrisia se emocionar e se indignar ao mesmo tempo. Mas… é o Maracanã. Temos que respeitar, bem como devemos criticar todo e qualquer desmonte.

A ele, que não tem culpa de nada, vida longa. Para nós, ele sempre será o Maior do Mundo. E para mim, tão pequenininha, foi um dia histórico.

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