Empréstimo pode ser um bom caminho para recuperar jogadores

A decisão acertada que é emprestar jogadores que não se adaptam

Gustagol. Sucesso na volta ao Corinthians.
Por Victor Oliveira, SP

Os clubes do Brasil e do mundo emprestam jogadores com o intuito de “enxugar” o elenco para a temporada e/ou para dar rodagem a atletas que consideram ideais para o futuro da equipe.  A prática mais comum é de emprestar para clubes de menor expressão para que assim o jogador chegue para ser titular e obter a experiência necessária para voltar ao clube dono de seu passe. Diversas situações podem ocorrer durante o empréstimo: atleta que não se adapta ao clube novo, lesões, não conseguir a vaga de titular e, finalmente, ir bem e voltar confiante para se destacar. Desta última que vamos falar.

O caso em alta agora e com todo mérito é o de Gustavo do Corinthians, o Gustagol. Chegou ao Corinthians depois de boa passagem pelo Criciúma quando fez 18 gols em 32 jogos no ano de 2016. Chegou para ser o 9 do Corinthians. Muita expectativa  — o jogador até tatuou ele com a camisa corinthiana — mas não correspondida, nove jogos e nenhum gol. Torcida pegando no pé do jogador, comissão técnica sem confiança no jogador e o atleta sem se destacar nos treinos.  Fim de 2016 e a decisão foi de emprestar o jogador. Passou em 2017 por Bahia e Goiás, mas não teve o sucesso esperado. O ano de 2018 chegou e apareceu Rogério Ceni na vida de Gustavo, o técnico do Fortaleza via o atacante como um grande cabeceador e pediu a sua contratação por empréstimo. Gustavo chegou ao Fortaleza para ser titular e coube ao sempre rival Rogério Ceni a missão de reerguer um jogador do Corinthians…e conseguiu. Com toda certeza Gustagol teve um 2018 para não esquecer: artilheiro do ano no Brasil com 30 gols e campeão da série B. Tudo para voltar ao Corinthians e brilhar. É o que tem feito, o centroavante já soma oito gols em 13 jogos pelo Timão e status de titular absoluto –deixando no banco Boselli, o atacante que o clube contratou para ser titular.

Reinaldo atinge o status de titular no São Paulo após empréstimos

Temos outros casos recentes: Reinaldo que hoje é titular absoluto do time do São Paulo foi emprestado para Chapecoense e Ponte Preta antes de conseguir se firmar como dono da lateral esquerda tricolor. O lateral que por coincidência chegou ao São Paulo por empréstimo em 2013 teve bom ano e foi comprado meses depois. De 2013 até 2016 trabalhou, mas não alcançou a titularidade e nem o prestígio da torcida. Foi emprestado para Ponte Preta e depois Chapecoense – onde se destacou – e voltou ao São Paulo em 2018. Mais forte, melhor tecnicamente se firmou depois de anos e foi muito elogiado por apoiar muito bem o ataque. Por vezes contestado pela torcida, ainda tem o apoio e a certeza da vaga de titular por tudo o que fez para estar ali e também em alcançar a regularidade exigida.

Guilherme Arana, melhor lateral esquerdo do campeonato brasileiro em 2017, também precisou ir para outro clube antes de voltar ao Corinthians e conquistar a vaga no elenco e depois de titular absoluto. Emprestado ao Athletico Paranaense em 2014, aproveitou as chances que teve no time paranaense e viu seu retorno ser pedido pelo técnico –hoje da seleção – Tite. Foi reserva em 2015 e 2016, até que em 2017, Fábio Carille ajudou o então garoto a deslanchar. Vendido para o Sevilla, hoje o Corinthians tenta sua volta por R$34milhões. Um empréstimo que ajudou o jogador e o Corinthians a mudar o plantel de patamar em 2017.

Arana foi emprestado antes de se firmar no Corinthians

Internacionalmente falando o exemplo é Casemiro. Contratado do São Paulo, ficou no Real Madrid B por um tempo até ser emprestado ao Porto. Na equipe portuguesa foi bem e conseguiu a “rodagem europeia” que o time merengue esperava. Voltou para a equipe até então comandado por Zidane e se tornou um dos melhores volantes do mundo. Com gol em final de Champions League e titular absoluto na Copa do Mundo da Rússia – fez muita falta na eliminação do Brasil para a Bélgica – viu sua carreira elevar de nível. Hoje é titular absoluto no Real Madrid com uma carreira consolidada. Mais uma decisão acertada de empréstimo que fez bem ao jogador.

Casemiro e o sucesso conquistado após empréstimo

O que todos tinham em comum? O desejo de vencer. Os empréstimos quando aliados a vontade do jogador de se destacar mudam o status do atleta de coadjuvante para protagonista. A volta é a chance de se firmar e mostrar o seu verdadeiro valor. Quando as coisas não vão bem, não engrenam, o melhor a se fazer são novos ares, novas oportunidades, porém com a certeza de que poderão voltar e enfim se destacar. O empréstimo é a confiança do clube e do atleta de que dias melhores para os dois virão juntos. Só indo para ter a dimensão do brilho da volta.

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