A era do técnico: o “professor” é o cara do futebol moderno?

Muito mais que um "pofexô", o técnico do futebol moderno é um astro e pode mudar o curso do jogo

O comandante Pepe Guardiola (Foto: Espn/Reprodução)
Por: Lucas Poeiras, MG

O futebol do século 21 trouxe mudanças sensíveis para aqueles que fazem parte da área técnica. As ligas de ponta que detêm todo o talento se tornaram mais refinadas não apenas na seleção de jogadores mas também dos seus managers e técnicos. A competitividade do futebol europeu trouxe um novo momento para os comandantes, professores, paizões e qualquer técnico, com suas variadas alcunhas.

O mundo do futebol caminha em direção oposta aos talentos individuais que encantaram gerações. O jogo coletivo sobrepõe claramente estas características e reforça a necessidade dos clubes investirem massivamente na comissão técnica. O progressivo trabalho na imagem desses técnicos para justificar seus valores exorbitantes os tornou as novas estrelas do esporte bretão.

Olha-se muito mais para o trabalho a longo prazo e na formatação de uma filosofia de jogo. A figura paterna dos técnicos que formam verdadeiras famílias caiu por terra. A postura de manager e “entendido do assunto” é muito mais presente devido à necessidade dos resultados. Apesar disso, os clubes europeus entenderam que a tendência do futebol é acreditar que em prazos razoáveis de triênios ou biênios, seus times serão capazes de adotar um estilo de jogo, uma filosofia de trabalho e então expressar toda sua qualidade em campo.

O técnico do ano da Premier 15-16: Ranieri (Foto: Skysports/Reprodução)
O responsável pelo título fantástico do Leicester (Foto: Skysports/Reprodução)

Os que conheceram lendas como Telê Santana e Yohan Cruyff sabem que os super técnicos não são uma novidade, mas é evidente que o título de “super” está tornando-se comum. Equipes como Chelsea, Manchester United, City, Barcelona, Real Madrid sempre formaram grandes selecionados do futebol internacional, mas sua estrelas brilham menos e muito do seu sucesso está creditado aos homens de terno em campo. Zidane, Pochettino, Mourinho e Conte são exemplos de trabalhos de sucesso que evidenciaram essas figuras como determinantes para as conquistas, sejam em equipes milionárias como o Real Madrid – campeão da Champions League 2015-16 – ou mais modestas como o Porto de 2004-05.

O futebol de ponta precisa mais de talento ou tática?

Um caso emblemático: Guardiola é do Manchester City

Guardiola durante jogo da Champions League (Foto: ESPN/Reprodução)
Guardiola durante jogo da Champions League (Foto: ESPN/Reprodução)

O mês de fevereiro trouxe uma notícia que todo o mundo da bola estava curioso para saber: qual time Josep Guardiola iria treinar após o fim do vínculo com o Bayern de Munique? O Manchester City avisou através de seu site oficial que o espanhol iria comandar a equipe dos Citizens. O técnico anunciou que precisava de um novo desafio e saiu após o primeiro tetracampeonato da história da Bundesliga quando seu contrato terminou.

Os Sky Blues sempre foram o time B da cidade, e desde que o grupo City Football assumiu o controle do clube  em 2007 foram injetadas quantidades astronômicas de recursos. O time passou a disputar a Uefa Champions League com certa frequência e deseja dar um salto para tornar-se relevante no cenário continental. A experiência com o chileno Pellegrini não foi considerada satisfatória, então um contrato de 25 milhões de euros por ano (cerca de 2 milhões de euros por mês) foi dado ao catalão.

As cifras e a badalação mostram o ápice da era dos super técnicos. Ele foi anunciado como o grande reforço da temporada 2016-2017 do City e a expectativa de rendimento subiu. O time já possuía craques como Agüero, De Bruyne e David Silva, e agora a sensação é que o novo comandante seria capaz de extrair o melhor dessas figuras.

Os jogadores sempre foram as estrelas, mas dessa vez o grande astro neste clube era o único participante do time que não entrava efetivamente em campo. Apesar disso, sua filosofia de trabalho e ideia de jogo serão impressas na Premier League e nas outras competições. Criou-se então uma nova expectativa no mundo do futebol: a de se assistir o esquema tático.

Guardiola é um exemplo claro desta nova realidade. Gerou-se uma grande expectativa sobre o time comandado por ele: não assistimos mais apenas pelos craques, assistimos seus jogos por uma esperança de partidas interessantes e dinâmicas. O espetáculo é muito diferente devido às capacidades coletivas e ao futebol extremamente moderno e fluido que é jogado.

A Premier League e sua competitividade técnica em 2016-2017

O campeonato inglês sempre foi sinônimo de competitividade, e é também um dos mais importantes redutos de craques no mundo. O futebol inglês sempre foi inovador principalmente em modelos de gestão e novas ideias para oxigenar a realidade do esporte. Seu “ecossistema” então se tornou favorável para este novo quadro dos técnicos. O ano passado teve o inesperado Leicester como campeão, e a conquista fantástica foi atribuída ao seu comandante Claudio Ranieri, do que creditada aos heróis Kanté, Vardy ou Mahrez.

O rendimento tático das equipes está sendo muito mais analisado do que os resultados de craques como Diego Costa, Ibrahimovic, Agüero e Alexis Sanchez. A própria TV anuncia os duelos entre os técnicos em primeiro plano, ao invés de anunciar os grandes jogadores envolvidos. Os comandantes com suas estratégias modernas e coletivas fizeram o espetáculo ser mais dinâmico e qualitativamente superior aos jogos que são decididos pela expressão individual.

Os seis clubes no topo da Premier possuem técnicos que se encaixam neste perfil, e a classificação poderia ser anunciada como: Comte, Wegner, Pochettino, Klöpp, Guardiola e Mourinho. A única exceção é Arsene Wegner, que está no Arsenal por duas décadas. No decorrer da temporada, as palavras destes profissionais tornaram-se mais significativas que as dos próprios jogadores. O destino das  temporadas está sendo totalmente associado à montagem e treinamento do time, e quando um uma característica sobrepõe o coletivo, este jogador se destaca.

Quem é o cara do Liverpool: Coutinho ou Klöpp? (foto: Fanpage oficial do Liverpool/ Reprodução)
Quem é o cara do Liverpool: Coutinho ou Klöpp? (foto: Fanpage oficial do Liverpool/ Reprodução)

O final da temporada apresentará ao mundo qual destas figuras será a mais vitoriosa em uma liga muito competitiva e bem treinada. O novo fenômeno deste técnicos precisa ser atentamente observado: estas figuras vieram para ficar e comandar os rumos do futebol moderno, ou são apenas famosidades impulsionadas pela mídia? Até onde irá seu poder de decisão?

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Fontes: O GloboESPNESPN

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