Estádio Centenário de Montevidéu: o legado da primeira Copa do Mundo

Maior estádio do Uruguai, o Centenário, é um dos símbolos do futebol da América do Sul e do Mundo

(Foto: Reprodução/conmebol.com)
Por: Augusto Araujo, RJ

Diante de uma época tão conturbada com numerosas arenas sendo criadas ano após ano, visando apenas agradar a parte “gourmet” dos grandes clubes, no Uruguai um ESTÁDIO se difere dos demais, esse é o Centenário de Montevidéu. Inaugurado em 1930, para sediar todos os jogos da primeira Copa do Mundo – algo que não se concretizou pelo fato da chuva ter impossibilitado oito desses que seriam 18 jogos -, o estádio é o lar da seleção celeste, mas também sedia jogos de outros clubes do país, sendo em sua maioria para o Peñarol e para o Nacional.

Centenário em dia de clássico entre Nacional e Peñarol (Foto: Reprodução/carnavaldecamisasfc.blogspot.com.br)
Centenário em dia de clássico entre Nacional e Peñarol (Foto: Reprodução/carnavaldecamisasfc.blogspot.com.br)

Seu jogo de abertura foi no dia 18 de julho de 1930, durante o Mundial, no confronto entre o anfitrião, Uruguai, contra a seleção do Peru, o resultado ficou em 1 a 0 para o mandante, com gol de Hector Castro – conhecido como “El Manco Divino”, por ter cortado seu braço acidentalmente quando era pequeno, com uma serra elétrica. Histórias contam que por causa da chuva, o cimento ainda estava fresco e, por isso, as marcas daquele jogo ainda permanecem no estádio.

Ironicamente, apesar de ter esse nome, ele não foi referência a nenhum aniversário relacionado ao esporte, seja de time ou jogador. O estádio, com capacidade de aproximadamente 62 mil pessoas, tem esse nome em homenagem a Constituição Uruguaia de 1830. Por sua história e importância, o estádio foi nomeado em 83, pela FIFA, como “Monumento Histórico do Futebol Mundial”.

Museu do Futebol

Além de toda a história pela qual o estádio já passou, com mais de uma dezena de final de libertadores e grandes jogos nacionais, agregado ao estádio está o Museu do Futebol. Dentre os objetos que estão guardados no Museu, se somam camisas, posteres, fotos, troféus e bandeiras que relembram a história do futebol sul-americano.

Acervo histórico no Museu do Futebol de Montevidéu (Foto: Reprodução/meusroteirosdeviagem.com)
Acervo histórico no Museu do Futebol de Montevidéu (Foto: Reprodução/meusroteirosdeviagem.com)

É nítida a influência da seleção brasileira em solo celeste quando boa parte do Museu possui ligações com o futebol verde e amarelo. No acervo estão camisas como do Rei Pelé, do Vavá e do, como apelidou o gênio Nelson Rodrigues: “O Príncipe Etíope de Rancho”, o meia Didi.

Porém, a principal referência ao Brasil no Museu do Futebol é algo que nenhum brasileiro gosta de lembrar, pois, mesmo que muitos poucos tenham tido o desprazer de vivenciar isso, o Maracanazo ainda é “memória” viva para todos que amam o futebol. O infeliz acontecimento foi na final da Copa do Mundo de 50, sediada obviamente do Brasil, quando, com o Maraca lotado, a seleção canarinho perdeu por 2 a 1 contra o Uruguai, se tornando uma das finais mais conhecidas de todos os tempos.

Foto gigante na parede do Museu, relembrando do Maracanaço (Foto: Reprodução/meusroteirosdeviagem.com)
Foto gigante na parede do Museu, relembrando do Maracanaço (Foto: Reprodução/meusroteirosdeviagem.com)

Jogos Memoráveis (Sugestões)

Em 86 anos, pode-se dizer inúmeros jogos marcantes já aconteceram na grama do Centenário, então seria injusto escolher alguns e deixar de citar tantos que fizeram a história do futebol sul-americano. Por isso, pedi para que fossem dadas sugestões de algumas partidas para que fossem colocadas aqui sem que seja massante ou pessoal por minha parte.

Final da Copa do Mundo de 1930 (Sugestão de Wagner Ponce)

O futebol é conhecido por ser imprevisível o tempo inteiro, cada dia uma nova zebra aparece e some ao amanhecer, porém na primeira Copa não foi bem assim. A seleção celeste vinha de dois ouros olímpicos (1924 e 28) e era a grande favorita para ser a primeira campeã mundial. Com três vitórias (1 a 0 no Peru, 4 a 0 na Romênia e os incríveis 6 a 1 contra a Iugoslávia) os uruguaios chegaram na final com sede de título.

E isso se concretizou com os 4 a 2 contra a seleção argentina, que apenas tinha um elenco normal. O Uruguai abriu a final com gol de Dorado, veloz ponta-esquerda, porém o primeiro tempo acabou com uma virada, pois a Argentina acordou após o gol e anotou dois, um com Peucelle e outro do Stábile – um dos maiores goleadores da história da seleção hermana. Mas, nos últimos 45 minutos, a torcida e o melhor elenco fizeram a diferença. Com gols de Cea, Iriarte e Castro a seleção celeste tornou-se a primeira campeã da Copa do Mundo.

Clássico Mineiro no Torneio de Verão em 2009 (Sugestão de Daniel Bravo)

A importância deste jogo em si não é relevante, porém é curioso o fato de um clássico regional, de força e grandeza imensa, ter sido em outro estado, até outro país que não o de origem da rivalidade. A partida valia pela semifinal do Torneio de Verão de 2009 e teve como participantes, além dos clubes mineiros, o Peñarol e o Nacional. Ela ocorreu em janeiro e foi o primeiro clássico do ano para os clubes de Minas.

O jogo começou quente, com gol contra de Renan, para o Cruzeiro, aos 17 minutos. Apenas no primeiro tempo foram contados mais três gols, dois para o time azul de Minas, com Fernandinho e Ramires, e o outro para o Galo, feito pelo Diego Tardelli. Na volta do intervalo, o Atletico-MG tentou lutar, com outro gol do atacante Tardelli, porém, com gol de Soares, a Raposa setenciou a vitória no clássico, que terminou em 4 a 2. O Cruzeiro acabou se tornando campeão da competição, quando bateu o Nacional por 4 a 1, novamente no Centenário.

Fonte: GloboesporteViajando por Esporte, Imortais do Futebol.

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