Estádio da USP – O templo desconhecido dentro de São Paulo

Um gigante adormecido dentro da Cidade Universitária da USP

Um gigante adormecido dentro de São Paulo, o Estádio Armando Salles de Oliveira (Foto: Reprodução/ultimadivisão.com.br)
Por: Max Galli – SP

A metrópole de São Paulo é cercada por prédios, avenidas, carros e pessoas, mas também é onde habitam grandes templos  para que a nossa querida pelota role. Como o gigantesco Morumbi que já chegou a ter mais de 100 mil pessoas em finais épicas, o Pacaembu, que é o segundo estádio dos grandes da cidade, os novíssimos Allianz Parque e Arena do Corinthians, o eterno Canindé e até os recatados estádios como o da Rua Javari e o Nicolau Alayon. Além desses existem campos como o do Complexo do Ibirapuera que já recebeu partidas de Brasileirão e Libertadores, mas também existe um que poucos conhecem e tem capacidade para mais de 30 mil pessoas. O Estádio Armando Salles de Oliveira, o Estádio da USP, já foi a casa da final da Copa São Paulo de Futebol Junior de 1988, mas hoje se encontra destruído e deixado às traças.

Ele fica localizado dentro da Cidade Universitária da Universidade de São Paulo (USP), na zona oeste da capital paulista, mais precisamente dentro do Centro de Práticas Esportivas da USP (CEPEUSP), que é um complexo esportivo criado em 1971 para ser apenas uma divisão de esportes da mesma, porém o projeto se engrandeceu após a escolha da cidade para ser sede do Pan-Americano de 1975. Com isso, o centro teve construção de quadras cobertas e de tênis, uma pista de atletismo, um velódromo e o estádio. Mas com o surto de meningite que atingiu a cidade em 74, o Pan foi deslocado para a Cidade do México.

CEPEUSP em 2011 (Foto: Reprodução/Acervo USP)
CEPEUSP em 2011 (Foto: Reprodução/Acervo USP)

Hoje o estádio ainda é bastante usado pelos estudantes. Sob os mais de 50mil kg de concreto da arquibancada fica o chamado ‘Favelão da USP’ que são alojamentos e quartos onde os alunos ficam quando esperam vagas no CRUSP (Conjunto Residencial da USP), além de ser usado como local de estadia para alunos de fora da comunidade uspiana como no TUSP (Taça da Univesidade de São Paulo) em 2016 que alojou equipes das universidade federais do Paraná e de São Carlos-SP que se juntaram à mais três universidade da capital e a dona da casa para promover o esporte universitário de alto rendimento. Já o campo é bastante utilizado para treinamentos de Rugby e jogos da Copa USP e Jogos da Liga USP, além de ser ter sido casa da Copa Danone, campeonato de futebol infantil.

O colosso de verde hoje se encontra em extrema destruição. Em 2011 houve a comemoração de 40 anos do CEPEUSP e com ela surgiram promessas de reformas dentro do complexo como das piscinas, pista de atletismo, velódromo, das quadras cobertas e, principalmente, do estádio. A arquibancada se encontra interditada desde 2011, assim quem fica locado sob ela mal sabe onde estão se enfiando, a iluminação é precária até mesmo fora dele. Na época, o diretor do centro esportivo culpou a própria organização do Pan-Americano de 75, pois a construção veio, porém o legado de continuação não existe já que a universidade não teve capacidade de manutenção dos meios.

Em 2012, um grupo de alunos da universidade e praticantes do esporte universitário fizeram um projeto para tentar revitalizar o estádio e assim utilizá-lo como forma de angariar fundos para a USP que se encontra em grande crise econômica. Com a vinda da Copa do Mundo e Olimpíadas era de se esperar que um projeto de alta arquitetura e que foi feita para promover o esporte de alto rendimento seria melhor avaliado, porém empacou nas promessas. Isso demonstra a precariedade do esporte universitário dentro da USP e, principalmente, do Brasil.

O fato é que o Estádio pode ficar apenas como atração dos locais, mas poucos conhecem a sua verdadeira história e o tamanho da sua magnitude. Há quem sonhe em ver torcidas gritando e a bola rolando como foi na final da Copa São Paulo de Futebol Junior de 88, mas o sonho está distante e não há luz nenhuma perto do fim do túnel.

Fonte: Jornal do Campus, Folha de S.Paulo, Última Divisão

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