Estádio Governador João Castelo, o Gigante do Outeiro

O CALDEIRÃO DO MARANHÃO

Por Pedro Pereira, MA

Quando se fala em Estádio Castelão, a maior parte do Brasil pensa imediatamente no grandioso estádio cearense. Porém, para os maranhenses, Castelão é e sempre será o Gigante do Outeiro, a cancha que foi palco de várias alegrias e tristezas dos três principais clubes de São Luís: Moto Club, Sampaio Corrêa e Maranhão.

O Estádio Governador João Castelo foi construído no dia 1º de maio de 1982, em homenagem aos trabalhadores maranhenses apaixonados por esporte, mas recebeu o nome do então governador do estado. Com uma bela arquitetura, grandes gerais e bem localizado, o Castelão caiu nos braços do torcedor ludovicense, muito também por seus ingressos acessíveis. Construído para receber 80 mil espectadores, o estádio tinha o triplo da capacidade do Nhozinho Santos, estádio municipal que já não comportava grandes jogos dos clubes do Estado.

O jogo de inauguração foi pela Taça do Trabalhador que reuniu clubes da capital como Moto Club, Maranhão, Sampaio Corrêa e Expressinho. O clássico Samará (como é conhecido o duelo entre Maranhão e Sampaio) foi responsável por marcar a estreia do estádio. O primeiro gol foi marcado pelo meia Evandro (MAC) que colocou o bode na frente. O tricolor empatou com Bimbinha e levou a partida para os pênaltis. Nas penalidades, deu Tubarão por 5 a 4. Na segunda partida, o Moto foi superado pelo Expressinho com gol de Binha aos 15 do segundo tempo. Na decisão, Sampaio e Expressinho ficaram no 0 a 0 e, nos pênaltis, o Tubarão venceu por 6 a 5 e conquistou o primeiro troféu no novo estádio, que recebeu cerca de 60 mil torcedores.

Construção do Castelão (Foto/Divulgação: Blog Futebol Maranhense Antigo)
Construção do Castelão (Foto/Divulgação: Blog Futebol Maranhense Antigo)

Passado o torneio, o Castelão proporcionaria um espetáculo inédito para os maranhenses: a seleção brasileira desembarcava em São Luís para um amistoso contra Portugal. Comandados pelo grande Telê Santana, a seleção canarinho contava com grandes nomes como Sócrates, Zico, Junior, Careca e Waldir Peres. Eles puderam desfilar toda sua classe para mais de 80 mil pessoas. A Seleção, que se preparava para a Copa do Mundo, venceu sem muitas dificuldades por 3 a 1. A Amarelinha ainda voltaria a atuar sobre o tapete verde do Gigante do Outeiro em três outras oportunidades: em 1986, contra o Peru com nova vitória por 4 a 0; em 1998 contra a Iugoslávia, dessa vez uma derrota por 0 a 1; em 2001 contra a Venezuela, vitória por 3 a 0.

O Castelão foi palco de grandes jogos e conquistas do futebol maranhense. Em 1997, o Sampaio conquistava a Série C com um bom público. No ano seguinte, um jogo especial foi responsável pelo maior público do estádio e do futebol maranhense. O Sampaio Corrêa recebeu o Santos em jogo válido pela da Copa Conmebol. Com a promoção Nota na Mão, que trocava notas fiscais por ingressos, 95 mil tricolores invadiram a cancha para apoiar o Tubarão. Apesar do bom público, a equipe da casa foi derrotada por 5 a 1.

Entre os anos 80 e 2000, o futebol maranhense também registrou bons públicos, principalmente no superclássico entre Moto e Sampaio. Um dos mais memoráveis jogos para os motenses foi a conquista do Campeonato Maranhense de 2000. Com direito a muitos sinalizadores, papel picado e fumaça, as torcidas fizeram a festa e registraram um público de quase 70 mil. Em campo, a conquista foi Rubro-Negra que encerrou um jejum de 11 anos.

Castelão antes das reformas (Foto/Divulgação: Blog do Zeca Soares)
Castelão antes das reformas (Foto/Divulgação: Blog do Zeca Soares)

Assim como em muitos outros estádios, o tempo venceu o Castelão. Após dar muitas emoções para o torcedor maranhense, o estádio foi interditado em 2004 por problemas estruturais e em uma situação de abandono. Os públicos, que já não eram mais os mesmos, acompanhavam seus times no acanhado Nhozinho Santos. As gerais ficaram vazias e o torcedor foi forçado a se distanciar. Mas em 2012 surgiu uma esperança. Para celebrar o aniversário de 400 anos da cidade, o estado entregaria o Castelão novamente à população, totalmente reformado, mais moderno e atendendo aos padrões de segurança. Apesar de sua volta, a capacidade foi reduzida pela metade para a implantação das enfadonhas cadeiras, que acabaram com as gerais. Além disso, o campo, que era um dos maiores do Brasil, teve suas medidas reduzidas para atender ao odiado Padrão FIFA.

Após seu retorno, o Castelão voltou a presenciar boas campanhas de times maranhenses. Em 2012, ano de sua reabertura, o Sampaio conquistou a Série D de forma invicta. Na final contra o CRAC, o Castelão voltou a ter suas arquibancadas completamente ocupadas, dessa vez para 41 mil pessoas. No ano seguinte, mais uma boa campanha do Tricolor que foi vice-campeão da Série C de 2013 e levou o Tubarão maranhense para a segunda divisão. Em 2016, mais uma torcida teve alegrias no Gigante do Outeiro. O Moto Club conquistava o Campeonato Maranhense após um jejum de 8 anos e mais tarde, o acesso para a Série C, após ser 4º colocado na Série D.

O povo maranhense precisava do retorno do Castelão, não só como uma opção, mas para resgatar os grandes públicos que lotaram as arquibancadas no passado. Agora, cabe a ele juntamente com as equipes da capital maranhense, retomar o prestígio regional e nacional para voltar a ter grandes públicos.

Fontes: Blog Futebol Maranhense Antigo ; Globo Esporte MA ; Jornal O Imparcial

1 Comentário em Estádio Governador João Castelo, o Gigante do Outeiro

1 Trackbacks & Pingbacks

  1. Apesar de tudo... eu te amo, Moto Club - Cenas Lamentáveis

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.


*