Estádio Presidente Vargas, a verdadeira casa do futebol cearense

O estádio que é o xodó do torcedor cearense

A vista da arquibancada do PV (Foto: Reprodução/copa2014.gov.br)

Ser o primeiro estádio de futebol da cidade de Fortaleza, essa é a principal marca na história do Presidente Vargas. O PV, como é popularmente conhecido, carrega consigo todo o carinho dos amantes do futebol cearense por trazer a memória afetiva do velho modelo de estádios (antes das arenas padrão FIFA) e as mais diversas sensações nos jogos que todos passamos nele. Apesar de ter sido reformado algumas vezes, inclusive para receber treinos de seleções para a Copa do Mundo.

Até 1941, ano da inauguração do PV, os jogos do campeonato cearense de futebol eram realizados no Campo do Prado. Ele era simplesmente um campo de terra batida que era molhado por um carro do corpo de bombeiros antes dos jogos para diminuir a poeira que subia, fazendo com que os jogos fossem realizados praticamente na lama. Entretanto, com o Governo do Estado precisando do terreno para fazer a Escola Industrial do Ceará (hoje o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará), foi feito então o acordo com a Federação Cearense de Desportos para a construção do primeiro estádio com gramado da cidade para atender as necessidades do futebol. Assim surgia o PV.

As arquibancadas do PV em 1941 (Foto: Reprodução/fortalezaemfotos.com.br)
As arquibancadas do PV em 1941 (Foto: Reprodução/fortalezaemfotos.com.br)

O primeiro jogo de futebol só foi acontecer uma semana depois da inauguração (21/09/1941), disputado entre as equipes do Ferroviário e o Tramways, de Recife. Com gol de Chinês, de cabeça, o “Ferrão” foi o vencedor do jogo por 1 a 0. O Ferroviário jogou com: Téo, Pópó e Zefélix; Ornar (Tancredo), Airton e Odilon; Mamedo, Chinês, Zecapinto, Demóstenes e Rebôlo. Já o Tramways estava escalado com: Epaminondas; Tarzan e Guaberão; Marinho, Paezinbo e Guaberrinha; Cachorrinho, Sérgio, Ariston, Olívio e Joãosinho. Somente no Campeonato Cearense de 1942 o PV passou a ser utilizado na competição. Quase sempre o estádio abrigou os grandes clássicos da cidade: Clássico-rei (Ceará e Fortaleza), Clássico das cores (Ferroviário e Fortaleza) e Clássico da Paz (Ceará e Ferroviário).

Do início até hoje, o PV passou por mais algumas reformas, ficando marcado o último grande fechamento para uma reestruturação (2008 a 2011). Houveram também momentos espetaculares como: o clássico-rei de 1971 (final do campeonato cearense) em que a torcida do Fortaleza revoltada com o gol do Ceará aos 45 do segundo tempo derrubou o alambrado do estádio e invadiu o campo, fazendo o árbitro da partida (Armando Camarinha) sair escoltado e enxotado da cidade. O jogo mil de Pelé com a camisa do Santos em 1972 contra o Ceará, o jogo de Mané Garrincha vestindo a camisa do Fortaleza em um amistoso contra o Fluminense, o jogo de 1989 entre Ceará e Ferroviário com incríveis 38.515 pagantes no estádio (oficialmente o estádio só cabia no máximo 30 mil pessoas), o clássico-rei  da Série B de 2001 que ficou em 3 a 3, os títulos cearenses decididos no estádio, com destaque para os últimos do “Tubarão da Barra” (em 1994 e 1995), e abrigou uma partida de competição sul-americana que um time cearense jogou (Ceará e São Paulo pela Copa Sul-Americana em 2011).

Por algum tempo o PV foi relegado a segundo plano pelo poder público com a inauguração do estádio Castelão, mas pelos torcedores nunca foi esquecido. É o estádio encravado no meio da cidade, mais acanhadinho e com cara de caldeirão, perto dos bares, em um dos bairros mais acolhedores de Fortaleza e com a aura de ter sido o primeiro. Carrega junto consigo o charme de ser uma breve contraposição ao estilo arena padrão FIFA cada vez mais predominante. Por tudo isso o Presidente Vargas é o templo do futebol cearense, é o xodó do torcedor.

A capacidade atual do estádio é de 20.226 pessoas, saiu a arquibancada de cimento que o ingresso custava 5 a 10 reais e entraram em cena as cadeiras azuis, o alambrado foi retirado para a colocação de um vidro que separa a torcida do campo, mas a eterna caixa d’água que fica ao lado do estádio e que é considerada a arquibancada mais icônica do PV continua ali. Vimos Clodoaldo, Sérgio Alves, Mota, Mazinho Loyola, Gildo, Pedro Basílio, Mirandinha, Jardel, Yarley e tantos outros ídolos desfilarem seu futebol por aquele campo, que memórias maravilhosas. O futebol respirou e respira no Presidente Vargas.

 

Texto: Victor Portto

1 Comentário em Estádio Presidente Vargas, a verdadeira casa do futebol cearense

  1. Era mais limpo mijar no PV fora do banheiro, pois dentro tinha poça de mijo. Saudade dos “cai-duro”, os caras vendendo café e das bicicletas perto do alambrado.

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