Ferenc Puskás: O major artilheiro

O atacante húngaro é o terceiro maior goleador do século XX

(Foto: Reprodução / imortaisdofutebol.com)
Por: Augusto Araujo, RJ

Na história da seleção brasileira, nos acostumamos com os melhores atacantes do mundo, em especial o maior de todos, Pelé, que ao terminar sua carreira, obteve a média de 0,85 gol por jogo, o que é um número espetacular. Poucos centroavantes conseguem algo do gênero. Porém, e se eu lhe disser que um húngaro, país hoje sem expressão no futebol mundial, conseguiu uma média melhor e com mais gols anotados? Sim, é possível. Esse foi o Puskás.

Ferenc Puskás Biró nasceu para ser grande, não em sua altura – tendo apenas 1,71m -, mas em seu futebol. Na década de 50, poucos jogadores fizeram mais por sua seleção do que o Major Galopante. Considerado por muitos o maior jogador de sua época, o menino gordo e baixo surpreendia a todos com sua técnica apurada e seu faro de gols.

Apesar da aparência "quadrada", Puskás tinha uma qualidade sobrenatural (Foto: Reprodução / sportskeeda.com)
Apesar da aparência “quadrada”, Puskás tinha uma qualidade sobrenatural (Foto: Reprodução / sportskeeda.com)

Kispest-Honvéd

Já em seu primeiro clube, o Kispest, mostrou que não era mais um jogador comum, como muitos imaginavam. O time não tinha força para lutar contra as grandes equipes nacionais, Puskás era o melhor e quase o único bom jogador de seu clube, mas para ele isso não importava. Em 1948, mesmo terminando o campeonato nacional em quarto lugar, ele foi o artilheiro da competição, com 50 gols – sendo que o Kispest teve um total de 82 gols.

No próximo ano, por conta da ditadura comunista no país, que queria mostrar domínio também no futebol, o governo tomou conta do time que Puskás jogava e mudou seu nome para Honvéd. Com isso, o time, formado por militares, ganhou muita força, decorrente do apoio popular e da contratação dos melhores jogadores da Hungria.

Com as mudanças no clube, o elenco logo entrou em sintonia e isso gerou inúmeros títulos para Puskás e seus companheiros ao longos dos anos. No âmbito individual, o major continuou a conseguir suas façanhas, foi artilheiro do campeonato húngaro mais três vezes, nos anos de: 1949 (31 gols), 1950 (25 gols) e em 1953 (27 gols).

Seleção Húngara

Na foto uma das melhores seleções de todos os tempos, a Hungria da década de 50 (Foto: Reprodução / imortaisdofutebol.com)
Na foto uma das melhores seleções de todos os tempos, a Hungria da década de 50 (Foto: Reprodução / imortaisdofutebol.com)

É impossível falar de grandes máquinas do futebol mundial sem citar a seleção húngara de Puskás. Convocado desde 45, Ferenc tem uma média de 0,99 gol por partida, e é o segundo maior artilheiro de uma seleção nacional em todos os tempos, com 84 gols – ficando apenas atrás do iraniano Ali Daei, com 109 gols.

Em 1952, a seleção estava mais que preparada para as Olimpíadas da Finlândia, e era a principal favorita junto com a seleção brasileira – vice campeã mundial de 50 – e da Iugoslávia. A verdade era que nenhuma seleção tinha chance contra os húngaros, o time jogava com o trio mágico (Hidegkuti, Puskás e Kocsis) e o entrosamento do elenco era muito bom, pois muitos jogavam juntos no Honvéd. Ao final da competição o esperado aconteceu, a Hungria foi campeã em cima Iugoslávia, por 2 a 0, com um desses gols sendo do Major Galopante. Agora todos conheciam a força dessa equipe, que em cinco jogos ganhou todos, marcou 20 gols e levou apenas dois.

No ano seguinte, um dos jogos mais épicos da história aconteceu. Os húngaros foram para a Inglaterra enfrentar a seleção da casa no estádio do Wembley, lugar onde a seleção inglesa nunca havia perdido, na verdade, os ingleses não tinham perdido em solo bretão, os criadores do futebol estavam invictos em casa. Entretanto, isso só fez o feito da seleção húngara ser mais histórico, pois o placar terminou em 6 a 3 para os visitantes, com dois gols de Puskás.

Billy Wright e Ferenc Puskás trocando faixas antes do começo do histórico jogo no Wembley (Foto: Reprodução / /imortaisdofutebol.com)
Billy Wright e Ferenc Puskás trocando faixas antes do começo do histórico jogo no Wembley (Foto: Reprodução/imortaisdofutebol.com)

Dado ao que aconteceu nos anos anteriores, a Copa do Mundo de 1954 tinha uma grande favorita ao título, essa era a Hungria. Invicta desde 50, a seleção húngara vinha com força total para a competição na Suíça. Já na primeira fase mostrou sua força, ganhando os jogos da fase de grupos por 9 a 0 contra a Coreia do Sul e por 8 a 3 na Alemanha Ocidental, porém o fato mais importante do segundo jogo foi a lesão de Puskás, que após entrada criminosa de Liebrich lesionou o atacante. A lesão impossibilitou o major de jogar o começo do mata-mata da Copa, primeiro contra o Brasil, que acabou em 4 a 2 para a Hungria e depois na semifinal, contra o Uruguai, que terminou no mesmo resultado a favor dos húngaros.

A final seria contra a Alemanha, mas longe de ser uma reedição do jogo da fase de grupos. No primeiro confronto, o lado alemão jogou com cinco reservas, agora eles vinham com força total. Diferente da Hungria, cujo maior craque estava com dor devido a lesão ocorrida contra os próprios. Mas Puskás não podia deixar de jogar, mesmo machucado entrou em campo para a final, e além disso, o craque também marcou um gol no jogo. Porém, no jogo chamado de “Milagre de Berna” a Alemanha Ocidental se sagrou campeã, conseguindo a virada após o 2 a 0 húngaro.

O futebol é considerado por muitos um esporte injusto, pois independente da diferença técnica dos times, quando o juiz apita o começo do jogo tudo pode acontecer. Para muitos, o principal símbolo disso é o vice campeonato da Hungria na Copa da Suíça, o país vinha de anos históricos para o futebol, ninguém chegava perto da força e técnica que os magiares – alcunha daquela equipe – demonstravam em campo, era uma goleada atrás da outra. Entretanto, independente disso, o elenco estrelar húngaro nunca foi esquecido, reconhecido como uma das melhores equipes de todos os tempos.

Real Madrid e Espanha

Em 1956, eclodiu a Revolução Húngara, quando o povo lutou contra o governo socialista que foi implantado em seu país. Com isso o país passou por um período conturbado e de muita violência. Nesse momento o Honvéd, time de Puskás, estava fora do país para jogar a Liga dos Campeões, que foi criada apenas um ano antes, e com medo de voltar ao país, alguns jogadores resolveram ficar fora por um tempo, sendo um deles o Major Galopante, que acabou ficando sem jogar por um ano.

Apenas em 1958 o craque conseguiu voltar a jogar, agora na Espanha, país onde também se naturalizou. O Real Madrid, time de Di Stéfano e outras estrelas, foi sua escolha. Com tanta concorrência, a ida de Puskás foi contestada por alguns, que não esperavam que ele, já com 31 anos, faria alguma diferença ao clube. Porém, com a eterna qualidade dele e a perna canhota calibrada mostrou a todos que ainda tinha muita história pela frente, e a grande parceria com Di Stéfano só ajudou nisso.

No período jogando na equipe madridista Puskás ganhou três Ligas Dos Campeões (1959, 1960 e 1966) e cinco Campeonatos Espanhóis em sequência (1961, 1962, 1963, 1964 e 1965). Na Espanha continuou sendo o grande goleador que sempre foi, sendo artilheiro de quatro Espanhóis (1961, 1962, 1963, e 1964) e duas Ligas dos Campeões (1960 e 1966).

Jogando pela seleção espanhola, disputou uma Copa do Mundo, a de 1962, no Chile. Mas ainda na fase de grupos foram eliminados, sem o brilho próprio de Puskás.

Em 1967, já com 40 anos de idade, o ídolo húngaro e espanhol decidiu se aposentar. Em quase 2o anos jogando profissionalmente, Puskás marcou cerca de 600 gols, sendo um dos maiores goleadores da história, o terceiro se contarmos apenas o século XX. O major sempre será lembrado como um dos melhores jogadores de todos os tempos, uma prova disso é que desde 2009 a FIFA tem o prêmio Ferenc Puskás, que é destinado ao gol mais bonito do ano, homenagem ao atacante que marcou tantos gols maravilhosos ao longo da carreira.

Di Stéfano e Puskás se abraçando. Os dois foram os principais nomes de uma época dourado do Real Madrid (Foto: Reprodução / imortaisdofutebol.com)
Di Stéfano e Puskás se abraçando. Os dois foram os principais nomes de uma época dourada do Real Madrid (Foto: Reprodução / imortaisdofutebol.com)

“Eu estava com (Bobby) Charlton, (Denis) Law e Puskás, estávamos dando aula em uma academia de futebol na Austrália. Os jovens que estávamos treinando não o respeitavam, fazendo piadas com o seu peso e sua idade. Nós decidimos deixar os garotos desafiarem um técnico a acertar uma barra 10 vezes seguidas. Obviamente, ele escolheram o velho gordo. Law perguntou aos meninos quantas vezes em 10 o treinador velho e gordo acertaria. A maioria disse que menos de cinco. Era melhor ter dito 10. O treinador velho e gordo se adiantou e acertou nove em sequência. No décimo chute, ele levantou a bola no ar, tocou com os dois ombros e a cabeça, deixou ela cair para o calcanhar e chutou de voleio na barra. Todos ficaram em silêncio e um dos meninos perguntou quem ele era e um respondi: ‘Pra você, o nome dele é Senhor Puskás’.”
GEORGE BEST

Fontes: Imortais do FutebolGlobo e Goal.

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