Fernandão: 2 anos do luto de uma lenda

Sete de Junho de Dois Mil e Quatorze. A data de maior luto para a nação Colorada em toda sua história. Neste dia, Fernando Lúcio da Costa, o Fernandão, nos deixava em um trágico acidente de helicóptero, no auge de seus trinta e seis anos. Fernandão era um cara predestinado. Em seu primeiro jogo com a camisa do Internacional, o Gre-Nal número 360, Fernandão saiu do banco para, em um cruzamento do lateral Élder Granja, subir mais alto que a zaga do coirmão e marcar de cabeça o gol mil da história de um dos maiores clássicos do Mundo. Na sua comemoração, Fernandão correu para o lado da grande área e ajoelhou-se para comemorar sua estreia com gol, sem ter a consciência da importância do que havia acabado de protagonizar. Após o jogo, já sabendo que havia acabado de entrar para a história, Fernandão declarou: “Marquei meu nome na história dos Gre-Nais. Prometo bastante empenho e garra dentro de campo sempre”. E assim foi.

Revelado pelo Goiás, Fernandão jogou por três anos na França antes de desembarcar em Porto Alegre, onde jogou de 2004 até 2008. O Internacional, que sempre foi um time de tradição, nunca tinha conquistado títulos fora do Brasil. Isso mudou quando a braçadeira de capitão passou a ser ostentada pelo eterno F9. Logo em sua primeira temporada completa, Fernandão foi o principal nome daquele time de 2005, vice-campeão do (fatídico) Brasileirão vencido pelo Corinthians.

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A temporada de 2006 se iniciou com Fernandão sendo líder dentro e fora de campo de um Inter que estava prestes a entrar para a história. Na Copa Libertadores, ele foi o artilheiro do time, com cinco gols. O Internacional chegou a final da Taça contra o atual campeão da competição, o poderosíssimo São Paulo. O primeiro jogo, no Morumbi, foi 2×1 para o colorado. Já no jogo de volta, no Beira Rio, não havia outra pessoa que pudesse ser o protagonista se não ele. Marcou o primeiro gol da partida e deu passe para o segundo gol colorado, no jogo que terminou em 2×2. E aos gritos de “uh, terror, Fernandão é matador”, o capitão colorado ergueu a taça de campeão da competição mais importante da América Latina. Fernandão foi o responsável por colocar o clube gaúcho no lugar onde sempre mereceu. Mas não parou por aí. Fernandão seguiu comandando o clube durante o ano de 2006 até o mês de dezembro, onde após enfrentar o complicado Al-Ahly e vencer por 2×1, o colorado ia enfrentar o maior time do mundo daquele ano; o Barcelona, de Ronaldinho Gaúcho e Cia. O tão temido clube Catalão só serviu de motivação para que o Sport Club Internacional entrasse em campo e realizasse uma verdadeira peleia. Antes do jogo, Fernandão protagonizou uma palestra para os jogadores que faz até o mais “bruto” se emocionar. Na roda de jogadores, Fernandão iniciou seu discurso proferindo a frase: “Chegou a hora. Chegou o tão sonhado momento. Chegou contra uma equipe que NÃO É imbatível”. E de fato não foi. Não foi porque, para o time comandado por aquele ser humano, nada era impossível. Foi um jogo muito difícil e Fernandão lutou bravamente até cair por câimbras. Era tão predestinado que, em seu lugar, entrou Adriano Gabiru. Alguns minutos depois, Gabiru marcou o gol que pintou o Mundo de vermelho e branco. Mesmo esgotado, Fernandão seguiu na casamata sendo uma espécie de segundo treinador ou décimo segundo jogador, como queiram. Após o apito final, foi coroado com a taça mais cobiçada por todos os clubes no Mundo, da Ásia até a África.

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Sua trajetória no clube gaúcho se estendeu até 2008, quando saiu para jogar no futebol do Catar. Em 2009 retornou ao Brasil para atuar no Goiás, onde jogou até 2009. Saiu do Goiás e encerrou sua carreira como jogador no São Paulo, jogando nos anos de 2010 –quando enfrentou e foi eliminado pelo Inter na Libertadores- e 2011. O Eterno Capitão, como era (e ainda é) carinhosamente chamado, foi ainda diretor executivo no Internacional e treinador no mesmo. É impossível traduzir em palavras as dores que um torcedor colorado sentiu quando soube da notícia de sua morte. Não é fácil lidar com a precoce perda de um ícone futebolístico. Fernandão representou, para a torcida colorada, muito mais que os títulos. Fernandão é uma entidade, um Deus. Não é à toa que, em sua homenagem, nos arredores do estádio Beira-Rio, existe uma estátua em sua homenagem. Ao lado do estádio também, encontra-se uma rua chamada “Fernando Lúcio da Costa”. Fernandão era um homem íntegro e digno de todas admirações possíveis. Sua morte foi lamentada não só por torcedores colorados, muitos torcedores gremistas (e inclusive a instituição Grêmio) lamentaram sua morte. A falta que o Capitão América, o F9, o Eterno Capitão, faz nos corações dos torcedores colorados é única. A camisa nove deveria ter sido aposentada e enterrada junto com seu caixão. Fernandão, que há dois anos nos deixou, não morreu, ele virou uma LENDA.

Texto: Ângelo Teixeira

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