Final da Copa do Brasil de 2006: Flamengo x Vasco

A final da Copa do Brasil de 2006 entre Flamengo x Vasco foi considerada surpreendente - e fixou o Vasco como vice

Juan comemora o gol que deu o título para o Flamengo (Foto: Guilherme Pinto/ Arquivo O Globo)
Por José Victor, RJ

A final da Copa do Brasil de 2006 entre Flamengo x Vasco foi considerada surpreendente. Ambos os clubes não estavam atravessando o seu melhor momento, mas ainda assim fizeram uma final memorável e cheia de histórias.

Flamengo x Vasco é o maior clássico do Rio de Janeiro e a polêmica já começa com tal afirmação. É sempre complicado dizer quem faz o maior clássico do Rio, um debate que pode se estender por horas e horas na mesa de um bar. Pesa a favor do Clássico dos Milhões os confrontos decisivos entre os clubes, o número de finais do clássico dos milhões é bem superior ao Fla x Flu, são 21 finais entre Vasco x Flamengo contra apenas 12 finais entre Flamengo x Fluminense. Se for analisar os confrontos decisivos nos últimos 20 anos, o clássico dos milhões novamente leva vantagem no número de confrontos. Em 97, Vasco deu show com Edmundo e sapecou 4 x 1 no Flamengo no Maracanã garantindo a vaga na final do brasileirão contra o Palmeiras. Até aí o 1 x 0 Vasco em confrontos decisivos. Pois é, só até aí.

Elenco do Flamengo campeão da Copa do Brasil de 2006 (Foto: Reprodução Internet)
Elenco do Flamengo campeão da Copa do Brasil de 2006 (Foto: Reprodução Internet)

Vieram as decisões do Carioca de 1999, 2000 e 2001. Vasco tinha um time melhor em todas as três decisões, mas o Flamengo com o máximo de raça, amor e paixão escreveu o nome de Rodrigo Mendes, Athirson e Petkovic na história do clube tornando o Flamengo soberano na virada do século quando se tratava do clássico dos milhões. Mesmo com o Vasco aplicando duas goleadas de 5×1 sobre o rubro negro em 2000 e 2001, quando estava valendo título, o Mengão sempre se impunha e conquistava o título.  Foi inevitável não deixar a equipe de São Januário com estigma de “vice”.

O tempo passou e a sensação era de que o futebol carioca atravessava uma crise. Os times do Rio de Janeiro ficaram alguns anos sem perspectiva de títulos nacionais, embora o Flamengo surpreendesse e conseguisse o feito de chegar em duas finais da Copa do Brasil consecutivas em 2003 e 2004, perdendo respectivamente para Cruzeiro e Santo André.

O Vasco já não contava com aquele time de Romário, Edmundo, Juninho, Felipe, Ramon entre outros craques que impunham respeito e por vezes fazia o Vasco ser considerado o melhor elenco do Brasil desde 1997 até 2001. O Flamengo das grandes contratações que geraram enorme expectativa, mas infelizmente não encaixaram em campo como as de Alex, Vampeta, Denílson, Gamarra e Edílson já não era mais rotina na Gávea.

As dívidas foram disparando, o extra campo e a crise financeira eram cada vez mais presentes nos dois clubes, até que no ano de 2004 voltaram a se enfrentar pela final do Campeonato Carioca. O Flamengo vinha da conquista do tricampeonato carioca (99-00-01) que ainda doía muito em São Januário, era a chance da redenção vascaína que não aconteceu.

O Mengão, do eterno ídolo vascaíno Felipe em grande fase, tinha um time melhor no papel que o Gigante da Colina, porém diferente do cruzmaltino, o rubro-negro soube lidar com o favoritismo e passou por cima do Vasco na final do Carioca mais uma vez e era inevitável dizer: VICE DE NOVO!

Se a sequência de títulos estaduais em cima do maior rival era a principal alegria rubro-negra até então, o melhor ainda estaria por vir.

A final da Copa do Brasil de 2006

Se as histórias de alguns jogadores e outros diversos personagens do futebol se misturam com a história centenária de Vasco e Flamengo, a Copa do Brasil de 2006 é síntese disso. A final improvável de 2006 colocou o futebol carioca de novo no topo do futebol nacional. Uma final que foi construída com muitas zebras para que os dois clubes pudessem de maneira surpreendente se enfrentar, e para que Obina, Luizão e Juan entrassem para a história do Mengão.

Se tivermos que escolher um marco para o início da campanha vitoriosa do Mengão, não marcaremos a estreia da Copa do Brasil contra o ASA. Vamos fazer valer a nostalgia para um momento que sequer seja um gol, drible ou até mesmo um adversário. O momento é a contratação de um técnico, anuncia pra gente e justifica a sua escolha, Vassoura:

O Sr. Waldemar assumiu o Flamengo pela primeira vez em 2003 quando substituiu o próprio irmão e obteve um aproveitamento superior a 66%. Mesmo superando todas as expectativas, a diretoria do time da Gávea não deixou o treinador no comando da equipe no ano seguinte.

Waldemar Lemos voltaria a assumir o rubro-negro em março de 2006. O ano da conquista do bicampeonato da Copa do Brasil começou conturbado, no melhor estilo “Flamengo Raiz.” Elenco em crise, salários atrasados, contratações folclóricas… tudo certo para dar errado. Mas aqui é Flamengo! E o Mengão é tão grande que fez da adversidade a sua principal força.

Não se pode duvidar do Flamengo nunca, e um fato que merece ser exaltado é que o Flamengo venceu todos os seus traumas para conquistar o bicampeonato da Copa do Brasil. A zebra da final contra o Santo André ainda estava presente na memória de todo torcedor rubro-negro. As campanhas ruins do campeonato brasileiro também vinham sendo um fator que despertava desconfiança no torcedor.

A campanha do Flamengo começou contra o ASA de Alagoas, o time estava mal das pernas no Campeonato Regional, mas deu muito trabalho para o rubro-negro no Maracanã. Foi 3 x 2 no agregado, e na próxima fase viria o ABC. Presa fácil para o rubro-negro que venceu os dois jogos de maneira tranquila. Nas oitavas, o Mengão pegou o Guarani, 5 x 0 no primeiro jogo e 1 x 1 no Brinco de Ouro.

A Copa do Brasil afunilava e o time do Sr. Waldemar vinha conquistando confiança na competição. Nas quartas de final viria a primeira pedreira: o Atlético-MG. O Galo foi presa fácil para o Flamengo que venceu os dois jogos e goleou mais uma vez, 4 x 0 no Maracanã e de quebra ainda venceu por 1 x 0 no Mineirão.

A semifinal já era realidade, mas o Flamengo tinha o surpreendente Ipatinga do técnico Ney Franco pela frente. O time mineiro eliminou grandes equipes do futebol nacional como Botafogo, Náutico e Santos, chegando na semifinal com muita moral para enfrentar o Mengão no Maracanã. O Ipatinga fez um jogo duríssimo, mas o rubro-negro passou por cima e chegaria na sua terceira final de Copa do Brasil em quatro anos.

O Vasco também possuía um time limitado e ao longo da competição foi crescendo e driblando as suas limitações. O gigante passou por Botafogo-PB, Iraty, Criciúma, Volta Redonda e Fluminense. O surpreendente clássico dos milhões faria sua primeira decisão a nível nacional com elencos limitados de jogadores que acabaram escrevendo seus nomes no céu ou no inferno na memória de determinados torcedores.

1° jogo      

Vasco e Flamengo se enfrentariam após a Copa do Mundo de 2006. O intervalo de dois meses entre a semifinal e a final da competição é muito criticada até hoje pelos vascaínos, já que o clube vinha de uma sequência de vitórias e completamente embalado. O Flamengo mesmo na final da competição ainda enfrentava a desconfiança por parte da torcida e da diretoria. O rubro-negro não conseguiu chegar até a final do Campeonato Carioca e estava mal no Campeonato Brasileiro. Com isso, Waldemar Lemos que levou o Flamengo até a final da competição, acabou substituído por… Ney Franco!

O ex técnico do Ipatinga que tinha sido eliminado por Waldemar Lemos, acabou assumindo o Mengão no que talvez seja uma das trocas de treinador mais bizarras do futebol brasileiro. Ney Franco escalou o Flamengo no 3-6-1 de fazer inveja a Antonio Conte. A escalação contava com os seguintes jogadores: Diego, Renato Silva, Ronaldo Angelim e Fernando; Leonardo Moura, Jônatas, Toró, Renato, Renato Augusto e Juan; Luizão.

O Vasco do técnico Renato Gaúcho vinha empolgadíssimo após eliminar o Fluminense. O técnico escalou o Vasco com Cássio, Wágner Diniz, Fábio Braz e Jorge Luiz; Diego, Ives, Andrade, Morais e Ramon; Valdiram e Edílson.

Ganhar um título nacional passando por cima da dupla Fla-Flu seria uma redenção que nem o vascaíno mais otimista não conseguiria imaginar que poderia se tornar realidade. A Copa do Brasil daria a oportunidade dos vascaínos viverem a sua redenção da melhor maneira possível, mas para alegria da nação rubro-negra não houve redenção. Literalmente, só deu Mengão.

O primeiro tempo não teve muitos lances perigosos, o jogo estava truncado e as melhores chances vieram dos pés de Andrade de falta para o Vasco e de uma cabeçada de Luizão. Juan também levou um pouco de perigo à meta de Cássio, e o veterano Ramon bateu uma falta que passou perto do travessão de Diego. Os dois times se resguardavam e a partida era muito mais marcada pelo medo dos times perderem do que pela vontade de vencer.

O segundo tempo ainda estava truncado, até que aos 15 minutos Renato Augusto cobrou escanteio e no bate e rebate dentro da área vascaína, a bola sobrou para Obina. Ele substituiu o lesionado Renato Silva e precisou de apenas 4 minutos em campo para  mandar um balaço nas redes do Maracanã. Um chute de tão rara felicidade que se Eto’o visse o lance, talvez não conseguisse fazer igual. Era o herói improvável, 1 x 0 no placar e Mengão abrindo vantagem.

O Vasco sentiu o gol e logo no lance seguinte, o Flamengo chegou ao ataque com cruzamento de Léo Moura para Luizão garantir a lei do ex e aproveitar a falha de Cássio após sair mal da meta. Luizão como artilheiro nato, só escorou de cabeça e balançou a rede do Maracanã pela segunda vez na noite do dia 19 de julho de 2006. O fantasma do vice estava vivo, a terceira final em quatro anos já não pesava tanto e o Mengão colocou a mão na taça levando uma enorme vantagem para o segundo jogo.

2° jogo

O Flamengo começou o segundo jogo com a mão na taça, mas todos sabem que não se pode decretar vitória antes de uma decisão, principalmente quando se trata de um dos maiores clássicos do futebol nacional. Quem disse?

A equipe comandada por Ney Franco começou melhor a partida. Renato Augusto quase abriu o placar aos 30 segundos do primeiro tempo, obrigando Cássio a realizar uma boa defesa. O Vasco nitidamente não conseguia lidar com a pressão de reverter o resultado contra o maior rival e não conseguia se impor em campo. O Gigante da Colina estava sendo engolido nos minutos inicias pelo Flamengo e aos 3 minutos de jogo, o Bacalhau já tinha o lendário Valdir Papel amarelado.

Aos 15 minutos do primeiro tempo, Valdir Papel dá uma tesoura em Léo Moura e leva o vermelho deixando toda torcida vascaína e o técnico Renato Gaúcho enfurecido. A reação vascaína já passava a ser um devaneio e o Flamengo já comemorava. Era só amarrar o jogo, segurar a posse de bola e levar a taça pra Gávea, mas o Mengão passou por cima do maior rival com requintes de crueldade.

No primeiro lance após a expulsão de Valdir Papel, o Vasco quase marcou com Morais que pegou um chute de fora da área na veia para Diego realizar uma grande defesa. Obina quase marcou seu segundo gol após contra ataque do Flamengo, o artilheiro baiano chutou por cima do gol de Cássio.

O gol do Flamengo no segundo confronto estava muito próximo de acontecer, o rubro-negro se impunha em campo, enquanto o Gigante da Colina não apresentava sinal de reação. Aos 27 minutos, Léo Moura arrisca da intermediária e a bola acaba sobrando para Juan chutar forte e rasteiro no canto de Cássio. Era o gol do título rubro-negro, e a essa altura do jogo o vice já estava decretado. O Mengão ainda continuou criando as melhores oportunidades, e quase ampliou o placar com Obina, Jônatas e Luizão.

É bem verdade que o placar poderia ser mais elástico para indicar a superioridade que o Flamengo teve no segundo confronto, mas isso era mero detalhe. Ganhar de 3 x 0 ou 1 x 0 daria no mesmo. A torcida rubro-negra presente no Maracanã já gritava OLÉ desde os 25 minutos do segundo tempo. Não precisava de mais nada, todos os fantasmas presentes contra o Cruzeiro e Santo André já tinham sido apagados, a má campanha do time no Brasileirão também se tornou irrelevante. Aos 49 minutos do segundo tempo, Carlos Eugênio Simon pediu a bola e estava decretado: MENGÃO CAMPEÃO DA COPA DO BRASIL DE 2006!

E o Vasco? Vasco foi Vice de novo! Era a consolidação da freguesia.

Fontes: futpedia.globo.com

3 Comentários em Final da Copa do Brasil de 2006: Flamengo x Vasco

  1. Galera, vocês viajaram nos placares
    Flamengo x Guarani foi 5×1 no Rio e 0x1 em Campinas.
    Flamengo x Galo foi 4×1 no Rio e 0x0 em BH
    VOCÊS ESTÃO CUMPRINDO O DECRETO AINDA?

  2. Galera, vocês viajaram nos placares
    Flamengo x Guarani foi 5×1 no Rio e 1×0 em Campinas.
    Flamengo x Galo foi 4×1 no Rio e 0x0 em BH
    VOCÊS ESTÃO CUMPRINDO O DECRETO AINDA?

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