Final da Libertadores 2018 em Madrid: Copa do Rey para os Adelantados

Conmebol rasga a história da Libertadores ao transferir a final para Madrid

Piniola e Benedetto, após o primeiro jogo da decisão em La Bombonera. M.- BRINDICCI REUTERS
Por: José Victor – RJ

Durante o ano de 1958, o então presidente da Conmebol, o brasileiro José Ramos de Freitas, após sucessivos torneiros internacionais no quais os clubes sul-americanos se destacavam, resolveu que já estava mais do que na hora de criar um campeonato que pudesse enaltecer os campeões de cada nação do continente.

Em 1960, o plano saiu do papel, e assim surgiu a competição mais importante de clubes do continente: a Taça Libertadores da América. Um campeonato que permite enxergar nossas semelhanças ao longo da história. Por isso, nada mais simbólico do que as homenagens aos ditos Libertadores, mesmo que com suas controvérsias: Simón Bolívar, José de San Martín,  Bernardo O’Higgins, José Gervasio Artigas, entre outros. Infelizmente, nenhum deles seria capaz de esperar um desfecho tão trágico para o nosso querido torneio, com a mudança da final entre Boca x River para o estádio Santiago Bernabéu, em Madrid.

Diante de tamanho desrespeito com as nossas tradições, o mínimo que a Conmebol deveria fazer era retirar o nome da Taça Libertadores da edição de 2018. Nossas correntes foram colocadas de volta, fosse a final em Doha, Miami ou Marte. Porém, Madrid é uma desconsideração muito grande com a nossa história.

Estádio Santiago Bernabéu receberá a decisão da Copa Libertadores de 2018 (Foto: Reprodução Internet)

River Plate x Boca Juniors jogarem a final da Copa Libertadores da América na Espanha é algo constrangedor em todas as esferas. Uma possibilidade que até os jogos de vídeo game recusam, tamanha é absurda tal hipótese se tornar realidade. Nem a ficção consegue acompanhar a incompetência travestida de megalomania realizada pela Conmebol.

O infortúnio acontecimento no último sábado não pode ser justificativa para que a nossa incompetente federação tire a final do continente, e principalmente, leve para o lugar responsável pelas mais diversas perversidades que até hoje reproduzem estigmas que nos colocam como um submundo. Não há desrespeito maior à história feita por alguém no âmbito esportivo. É inconcebível que a atual gestão da Conmebol tenha um sangue latino de fato, aquele mesmo cantado por Ney Matogrosso. Simplesmente romperam os tratados e traíram os ritos.

Se já não bastasse a final única, a ânsia pelo dólar, euro ou qualquer outra moeda de cotação mais alta que o real ou peso, a final nos ignorou e será para agradar o “Rey”. Qual deles? Todos. Desde o que tenham o espanhol como herança. Seja Fernando de Aragão, emissário de Cristóvão Colombo, ou até Filipe VI, atual monarca espanhol. Pasmem, ainda há um sentimento monarca em Madrid, mas os atrasados somos nós mortais que gostaríamos de desfrutar da nossa própria decisão de campeonato.

Como já existe Copa do Rey, produto único espanhol, que seja Copa Hernán Cortés, colonizador genocida e um dos principais responsáveis pela dominação do povo Asteca por parte dos espanhóis. Ou quem sabe, Copa Francisco Pizarro, responsável por fazer o Império Inca sucumbir aos espanhóis. Homenagem aqueles que promoveram a verdadeira selvageria e falta de humanidade na história do nosso continente.

Alejandro Domínguez, presidente da Conmebol, certamente irá preferir Copa Adelantados, aqueles que representaram o poder da Coroa Espanhola no continente que não receberá a final de sua própria competição.

Desculpa, Libertadores! Para a decepção de Pablo Neruda, Gabriel García Márquez, Eduardo Galeano, Jorge Amado, Che Guevara e tantos outros que mesmo no século XX e XXI continuaram lutando pela nossa independência, ainda estamos presos as correntes.

Porém, a reflexão maior sobre toda situação descrita até aqui, fica a ponte entre um ex homenageado pelo o que já foi até pouquíssimo tempo, a maior competição de clubes do continente, Simón Bolívar. E Gabriel García Márquez, escritor colombiano vencedor do prêmio Nobel de Literatura de 1982, duas das principais figuras da História do continente; algo que provavelmente, a atual gestão da Comenbol desconheça: “Como sairemos deste labirinto?”

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