A final mais esperada de uma Copa do Nordeste

A torcida do Bahia lotou a Fonte Nova e comemorou o título [Foto: Assessoria do Bahia]
Honorato Vieira, CE

A Copa do Nordeste de 2017 chegou ao fim e trouxe muitos questionamentos para os amantes da maior competição regional do país. De longe, esta foi a edição que menos empolgou. Com uma média de público um pouco maior de 6 mil pagantes por jogo, a competição mostrou que deveria acontecer algumas mudanças para continuar sendo rentável aos clubes. A grande alteração na Copa do Nordeste será no número de participantes. A partir do próximo ano disputarão apenas 16 equipes em vez de 20.

Em 2018, classificam-se diretamente para a fase de grupos os nove campeões estaduais e os vices das três federações melhores ranqueadas (Bahia, Pernambuco e Ceará). As quatro vagas restantes serão definidas em um mata-mata (GOSTAMOS!) preliminar , entre os vice-campeões dos outros seis estados (Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas e Sergipe) e os terceiros colocados dos estaduais da Bahia e Pernambuco.

Em 2019, as vagas para a fase preliminar deixarão de ser oferecidas pelos estaduais e passarão para os clubes melhor ranqueados dentro de cada estado.

Começo lento e final arrasador

Sem dificuldades, as grandes equipes avançaram na primeira fase sem fazer muito esforço. As exceções foram Fortaleza e Náutico, que foram eliminados ainda no início.

Os públicos e o interesse não eram os mesmos de outros anos, mas a importância do título sempre foi a mesma para as equipes. O destaque negativo foi a participação do Uniclinic. A equipe cearense conseguiu a proeza de fazer a pior campanha, além de tomar um sonoro 9 x 0 do Náutico, em casa. Para piorar, antes do torneio, a equipe quase vendeu a vaga.

Na parte que mais interessa ao torcedor, o mata-mata, tivemos confrontos de potências e clubes emergentes. Nas quartas de final, o Sport passou, com dificuldades, pelo Campinense, time copeiro que sempre incomoda na Copa, nos pênaltis. Na partida de ida, a Raposa paraibana venceu por 3 x 1. Mas com a Ilha do Retiro entupida e show de Diego Souza, o clube pernambucano devolveu o placar e venceu nas penalidades.

Outra equipe de Pernambuco, o Santa Cruz passou pelo Itabaiana/SE com duas vitórias por 1 x 0. Com mais facilidade, as equipes baianas, Vitória e Bahia, eliminaram Ríver/PI e Sergipe, respectivamente.

Após uma primeira fase sem grandes emoções e um mata-mata sem tanto brilho, a semi-final reservou inúmeros capítulos dignos de cenas lamentáveis.

Dois clássicos definiram os finalistas do certame e foram de tirar o fôlego. Os dois jogos entre Sport e Santa Cruz foram literalmente insanos. Na Ilha do Retiro, o Santinha surpreendeu e venceu por 2 x 1. Diego Souza abriu o placar de pênalti, mas o Tricolor virou. O gol da vitória foi marcado por Halef Pitbull e o atacante comemorou em cima do símbolo do rival, fato que gerou pano para manga.

Halef Pitbull comemora gol da vitória em cima do escudo do Sport (Foto: Futura Press)
Halef Pitbull comemora gol da vitória em cima do escudo do Sport (Foto: Futura Press)

Jogando no Estádio do Arruda, diante do Santa Cruz, o time rubro-negro venceu por 2 x 0 e deu o troco no rival, que venceu o jogo de ida por 2 x 1. No agregado, vitória do Sport por 3 a 2.

Com o volante Rithely muito exaltado e participando da maioria das polêmicas, as confusões dentro de campo foram se aflorando, principalmente, após o gol de André Balada, que deu a classificação ao Leão nos minutos finais.

 

Na outra semi-final, o clássico baiano teve o dendê bem apimentado. Além de disputarem a vaga na final da competição, Bahia e Vitória duelavam pelo título do campeonato estadual. Os ânimos estavam aflorados em Salvador e os santos estavam trabalhando muito.

Com o Barradão cheio, o Vitória saiu na frente e venceu o Bahia por 2×1. Na volta, o Tricolor de Aço fez valer a força da Fonte Nova e enfiou 2×0 no Leão.

Após o jogo, uma confusão generalizada marcou o Clássico BA-VI. O ex-treinador do Vitória, Argel Fucks, chamou o volante do Bahia, Édson, para a briga e a pancadaria rolou durante a saída do gramado.

Decisão na Lampions League

Desde que o Nordestão foi retomando de vez, em 2013, a final ‘cantada’ pelos especialistas era o duelo entre Bahia e Sport, dois dos maiores times da região. Após um atraso de quatro anos, as duas equipes se encontraram em uma final e trouxeram a atenção de todo o Brasil para a região mais feliz do país.

No jogo de ida, uma partida de grande nível, o Bahia saiu na frente com uma pancada de Juninho, mas o Leão foi buscar o empate. E, com outro Juninho, a equipe pernambucana igualou o marcador.

Na partida de volta todos os ingressos foram esgotados e a torcida baiana fez a festa antes do jogo. Para motivar e receber os atletas antes do duelo decisivo, os tricolores fizeram uma recepção sensacional.

Com amplo domínio, o Bahia controlou as ações da partida desde o começo, mas pecou nas finalizações. Em uma boa jogada trabalhada, o Tricolor baiano abriu o placar com um belo gol de Edgar Junio. A vida do Sport ficou ainda mais complicada com a expulsão do atacante Rogério, por simulação, ainda no primeiro tempo.

Até o fim do jogo, o Rubro-Negro pernambucano não conseguiu criar, mas ficou vivo na final muito por conta de Magrão. Com no mínimo cinco defesas difíceis, o arqueiro deu vida extra a equipe.

O jogo ficou incessante nos minutos finais com chances claras para os dois lados. Sem gols até o fim da partida, o Bahia conquistou o título regional pela terceira vez em sua história e voltou a gritar “É campeão!” após 15 anos.

A Copa do Nordeste não pode perder a sua essência

Mesmo com as autoridades tentando acabar (ainda mais) com o nosso futebol, as torcidas devem voltar a fazer o seu papel nas arquibancadas e fora delas. Na bancada, os públicos podem ser maiores e a participação na maior competição do primeiro semestre do futebol brasileiro deve ser valorizada. Fora do estádio, a cultura deve (e  pode) ser mais exaltada e levada pelos torcedores ao mundo. O Nordeste é rico em todos os aspectos, principalmente no futebol, e isso deve ser mostrado, como foram nas edições anteriores, mas um pouco esquecida nas últimas.

A competição é muito maior e mais importante que todos pensam. O torneio é a congregação de cores, crenças, povos e culturas que ficam esquecidas pelo resto do Brasil. Se o poderio financeiro das equipes aumentou, um dos grandes responsáveis é a Lampions League.

TODOS OS CAMPEÕES

Times que ganharam a Copa do Nordeste ou foram vice:

  • 2017 – Bahia 
  • 2016 – Campeão: Santa Cruz / Vice: Campinense
  • 2015 – Ceará / Bahia
  • 2014 – Sport / Ceará
  • 2013 – Campinense / ASA
  • 2011 e 2012 – não disputado
  • 2010 – Vitória / ABC
  • 2004 a 2009 – não disputado
  • 2003 – Vitória / Fluminense de Feira
  • 2002 – Bahia / Vitória
  • 2001 – Bahia / Sport
  • 2000 – Sport / Vitória
  • 1999 – Vitória / Bahia
  • 1998 – América de Natal / Vitória
  • 1997 – Vitória / Bahia
  • 1995 e 1995 – não disputado
  • 1994 – Sport / CRB

Os maiores campeões da Copa do Nordeste:

  • Vitória – 4 (1997, 1999, 2003 e 2010)
  • Sport – 3 (1994, 2000 e 2014)
  • Bahia – 3 (2000, 2001 e 2017)
Fontes: Super Esportes; Esporte Interativo; Globo Esporte; Futebol Cearense; Futebol Nordeste e Ganhador

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