A flecha do Bugre voou! – Guarani sobe para a Série B

Depois de quatro anos, Guarani volta para a Série B do Brasileiro.

Vibra torcida bugrina, o Guarani subiu pra Série B. (Reprodução/Rodrigo Villalba/Memory Press/Globoesporte.com)
Por: Max Galli, SP

“Não faltará luta! […]”, disse o técnico do Guarani, Marcelo Chamusca, no último treino antes da partida decisiva contra o ASA-AL e isso foi levado a sério dentro de campo do Estádio Brinco de Ouro da Princesa em Campinas (SP) no último sábado (8). 15 anos após o início da derrocada do Bugre com o primeiro rebaixamento no Campeonato Paulista, o clube enfim pode respirar aliviado e assim dar reinício a sua história vitoriosa voltando a honrar o fato do Guarani ser a única equipe do interior do Brasil a ser Campeão Brasileiro, sucesso feito em 1978.

Depois de se classificar com a melhor campanha da primeira fase da Série C do Brasileiro para as quartas de final, o clube do interior paulista iria enfrentar o ASA de Arapiraca, que só conseguiu o acesso às quartas num heroico empate no último jogo da fase preliminar. O primeiro jogo lá em Alagoas, o ASA impôs o mando de campo e venceu a partida de virada por 3 a 1, obrigando o Guarani a vencer por 2 a 0 ou por três gols de diferença, caso quisesse passar de fase e assim conseguir o acesso à Série B. Com a força da torcida que empurrou a equipe desde os treinamentos antes da partida, na chegada do time ao estádio e lotou o Brinco de Ouro, o Bugre deu a volta por cima, venceu por 3 a 0 e, depois de quatro anos, avança para a semifinal e consegue a promoção à Série B do Brasileiro.

Elenco que levou o Bugre à Série B. (Reprodução/Rodrigo Villalba/Memory Press/Globoesporte.com)
Elenco que levou o Bugre à Série B. (Reprodução/Rodrigo Villalba/Memory Press/Globoesporte.com)

Com nove rebaixamentos, somando estadual e brasileiro, em 15 anos, o Bugre quase fechou suas portas em 2014. Com cerca de oito meses de salários atrasados, dívidas de quase R$250 milhões, renúncia de presidência, um iminente leilão do estádio e um quase rebaixamento à Série D, o Guarani resurgiu. O estádio foi comprado por um parceiro do clube em dezembro daquele ano e isso fez com que o astral do clube mudasse, ainda que não se livrando totalmente de todos os problemas que por lá rondam.

Uma peça importante nessa virada foi Horley Senna, atual presidente do clube que assumiu o posto naquele mesmo momento e um dos responsáveis pelo acerto da venda do estádio Brinco de Ouro para o grupo Magnum, antigo patrocinador do clube em 1994, ano em que o clube tinha Luizão, Amoroso e Djalminha. O grupo irá implantar um projeto imobiliário no local do estádio, mas irá construir uma Arena com Centro de Treinamento em outro terreno para compensar o clube campineiro, além de investir no clube com valores acima de R$350mil por mês.

O presidente atua não somente como cartola, mas também segue o coração bugrino em muitas ações, como veto de emissoras de rádio nos jogos do Guarani por possíveis críticas e pelo incentivo à torcida pelo não consumo dos produtos da Brasil Kirin, principal parceira da rival de Campinas, a Ponte Preta, motivado pela pesquisa feita à pedido da empresa que mostrou o Bugre apenas com a sexta maior torcida de Campinas e a rival alvinegra com a segunda maior.

O presidente Horley Senna presenteado com a bola do jogo do acesso. (Reprodução/Rodrigo Villalba/Globoesporte.com)
O presidente Horley Senna presenteado com a bola do jogo do acesso. (Reprodução/Rodrigo Villalba/Globoesporte.com)

Outra peça importante nessa virada de jogo do Guarani foi a volta do ídolo Fumagalli ao fim de 2011. O atleta viveu de perto os altos e baixos que o clube passou. A sua dedicação se iniciou com o vice-campeonato do Paulista de 2012, porém, acompanhou a equipe ladeira abaixo, sendo rebaixado para a Série C do Brasileiro no mesmo ano e rebaixado para a Série A-2 do Paulista no ano seguinte após isso foram anos sem muito sucesso, mas isso não fez com que o ídolo abandonasse o Bugre e, aos 39 anos, ele, que cruzou a bola para o primeiro gol da vitória do último sábado, pode enfim comemorar o tão buscado acesso à segunda divisão nacional.

Junto a Fumagalli, depois de inúmeras tentativas frustadas de acesso, o Guarani queria alguem que conhecia a Série C, após a campanha ruim no campeonato estadual no primeiro semestre, apostou no técnico Marcelo Chamusca, que por muitos foi tachado como contratação de engano, pois diziam que o clube queria mesmo era seu irmão, Péricles (técnico da conquista da Copa do Brasil em 2004 com o Santro André). Entretanto, mesmo conhecedor do jeito de jogar o campeonato, Marcelo somava grandes derrotas na disputa. Dirigindo o Fortaleza em 2014 e 2015, mesmo com grandes campanhas na primeira fase, se viu dentro de um Castelão lotado nos dois anos, seguidas derrotas e frustações para os cearenses. Era a chance de redenção de Chamusca.

O técnico, junto com o gerente de futebol do clube, Rodrigo Pastana, impactaram internamente, mudando o departamento médico e a parte de análises de desempenho que, unindo a isso, formaram uma equipe sem nomes badalados e que entendessem o projeto firmado pelo clube. Assim, Chamusca trouxe uma nova forma de jogar e, com apenas três derrotas no campeonato e invicto dentro de casa, levou o Bugre à Série B.

Ídolo Fumagalli comemorando o acesso com a torcida. (Reprodução/Rodrigo Villalba/Memory Press/Globoesporte.com)
Ídolo e capitão Fumagalli comemorando o acesso com a torcida. (Reprodução/Rodrigo Villalba/Memory Press/Globoesporte.com)

Juntando a ideia de mudança, a torcida acolheu a equipe e fez do Brinco de Ouro um verdadeiro caldeirão para quem fosse enfrentar a equipe lá em Campinas, mesmo com uma média de público de 4 mil torcedores. Incentivando desde o início do campeonato, os bugrinos lotaram no jogo decisivo e colocaram cerca de 12.700 pessoas, sendo o maior público do estádio desde a semifinal do Paulista de 2012, isso tudo mesmo com algumas partes do estádio interditados.

Depois de muito esforço e muitas lágrimas, a torcida alviverde de Campinas pode comemorar e esperar por uma mudança de ares do Guarani e, nas palavras do próprio Fumagalli: “Fiz de tudo e quero fazer mais para que o Bugre volte a ser um time grande. Agora vamos buscar o título. Essa torcida merece não só subir de divisão, mas merece voltar a elite do futebol brasileiro”, mostra que é só o começo. O Estádio Brinco de Ouro da Princesa pode ter vivido a última glória antes de sua demolição, mas a busca pelo título continua e esse pode ser o presente para uma casa que recebeu a premiação de Campeão Brasileiro em 78, mas passou por muita tristeza nos últimos 15 anos. Cada um que viveu suas arquibancadas têm suas histórias mas, a salvação feita dentro de campo ficará pra sempre eternizada. Que a flecha bugrina voe ainda mais. Quem agradece é o futebol.

Fontes: Globoesporte.com, ESPN, Trivela, Folha e Globoesporte.com

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