Fluminense 3 x 1 LDU: Quando o sonho tricolor parou em Cevallos

Fluminense e LDU protagonizaram uma das partidas mais memoráveis para os torcedores do bom futebol

Catimbeiro, Cevallos foi um dos destaques daquela decisão (Foto: Reprodução/globoesporte.com)
Por: Bruno Todaro, RJ

Existem jogos que ficam marcados para sempre na memória, por inúmeros motivos: uma vitória épica, uma derrota catastrófica, uma goleada no rival, entre outros. Mas poucas torcidas no mundo passaram por uma experiência igual à torcida do Fluminense naquela noite do dia 02 de julho de 2008. Após uma derrota em Quito por 4 a 2, o tricolor carioca precisava de uma vitória por dois gols contra a LDU para provocar a prorrogação, ou de três para se sagrar campeão no tempo regulamentar. Diante de 80 mil torcedores, o Maracanã viu uma das festas mais bonitas de sua história. Na entrada do time, fogos nas três cores que traduzem tradição cercavam o estádio. O pó de arroz dava um clima de guerra para o espetáculo, e sinalizadores formavam um belo mosaico nas arquibancadas.

Dificilmente veremos uma festa dessa no novo Maracanã "gourmet" (Foto: Reprodução/imortaisdofutebol.com)
Dificilmente veremos uma festa dessa no novo Maracanã “gourmet” (Foto: Reprodução/imortaisdofutebol.com)

Depois de 23 anos, o Fluminense voltava a disputar a Libertadores, e fez questão de voltar em grande estilo. Na primeira fase, caiu logo no grupo da morte, com a LDU-EQU, Libertad-PAR e Arsenal-ARG. Na estreia, empate sem gols na altitude de Quito. No primeiro jogo em casa, os 33 mil pagantes viram uma das melhores exibições do clube nos últimos anos. Vitória esmagadora por 6 a 0 contra o Arsenal. O destaque da partida foi o atacante Dodô, autor de um gol antológico. Contra o Libertad, duas vitórias magras. Fora de casa, os comandados de Renato Gaúcho ganharam de virada por 2 a 1, enquanto no Maraca o placar foi um tranquilo 2 a 0. Na Argentina, a primeira derrota da campanha. Com um time misto, o tricolor foi derrotado pelo Arsenal por 2 a 0. Já classificados, Fluminense e LDU mandaram times mistos, e o resultado foi uma vitória carioca por 1 a 0.

Dodô se prepara para marcar um dos gols mais bonitos da história da Libertadores (Foto: Reprodução/globoesporte.com)
Dodô se prepara para marcar um dos gols mais bonitos da história da Libertadores (Foto: Reprodução/globoesporte.com)

Primeira vez nas oitavas de final da Libertadores, e com a melhor campanha da competição, o tricolor das Laranjeiras enfrentou o Atlético Nacional-COL. Com vitória por 2 a 1 em Medellín, e 1 a 0 no Rio de Janeiro, as quartas de final reservariam um dos jogos mais épicos da história do clube. O São Paulo, campeão brasileiro na época, venceu o primeiro jogo no Morumbi com gol de Adriano Imperador. No Maracanã, o Fluminense conseguiu reverter o placar com um gol de Dodô e dois de Washington. Um destes, aquela cabeçada aos 46 do segundo tempo. Vitória por 3 a 1, e o Boca Juniors no caminho. Em Buenos Aires, empate por 2 a 2, com gols de Thiago Silva e Thiago Neves. Na volta, o time argentino chegou a sair na frente com Palermo, mas Washington, Conca e Dodô viraram o placar em novo 3 a 1.

Na final, quis o destino que Fluminense e LDU se enfrentassem mais duas vezes. Jogando a mais de 2.700 metros acima do nível do mar, a Liga Desportiva Universitária saiu com uma vantagem de dois gols nos primeiros 90 minutos da decisão. Pela primeira vez na história, o Maracanã seria palco da grande decisão da Libertadores. Com alguns minutos de atraso, o jogo mais importante da história de ambos os times começou eletrizante. Com cinco minutos, Bolanõs deixava a missão tricolor ainda mais dramática. A partir daí, começou o show de Thiago Neves, em uma das melhores atuações individuais em uma final na História.

Aos 12 minutos, Thiago Neves limpa a marcação e chuta de longe, no cantinho esquerdo do goleiro Cevallos. Com a resposta imediata, a torcida passa a jogar junto. Aos 27, mais uma vez Thiago Neves: após cruzamento de Cícero, o camisa 10 completa para o fundo do gol e vira a partida.

Thiago Neves comemora um de seus três gols na partida. (Foto:Reprodução/Alexandre Cassiano/Agência O Globo)
Thiago Neves comemora um de seus três gols na partida. (Foto:Reprodução/Alexandre Cassiano/Agência O Globo)

No segundo tempo, Renato coloca Dodô em campo, que logo aos sete minutos chuta a bola no pé da trave adversária. A noite era dele, Thiago Neves. Aos 12 minutos da segunda etapa, o craque do time cobra falta com precisão, e faz o seu terceiro gol no jogo. Com mais de 30 minutos ainda no relógio, o time se acomodou, e viu a LDU chegar perigosamente por três vezes seguidas. Um pênalti claro em cima de Washignton foi completamente ignorado por Héctor Baldassi, o que poderia resultar no quarto gol tricolor. Ao fim dos 90 minutos, prorrogação.

Durante os 30 minutos extras, um gol mal anulado a favor da LDU deixou o treinador Edgardo Bauza inconformado. Thiago Neves quase marcou seu quarto gol na partida, mas parou em uma bela defesa de Cevallos. No último lance do jogo, Guerron quase marca após arrancada do próprio campo de defesa. O capitão Luís Alberto não pensou duas vezes e cometeu a falta, sendo expulso na sequência. A decisão ficou para os pênaltis.

LDU acaba com o sonho

Com cinco cobranças para cada lado para definir o campeão continental, coube aos equatorianos começar o processo. Com chute forte, abriram o placar. Na primeira cobrança do time das Laranjeiras, Conca bate mal, e perde. Na sequência, outra defesa, desta vez a favor do time da casa. Valendo o empate, Thiago Neves, o melhor jogador da partida está na bola. Autor de três dos quatro gols da noite, ele parte para a bola e converte, mas o juiz manda voltar a cobrança. Na segunda tentativa no entanto, ele fracassa.

Herói do título, goleiro Cevallos defendeu três pênaltis na decisão (Foto: Reprodução/Abril.com)
Herói do título, goleiro Cevallos defendeu três pênaltis na decisão (Foto: Reprodução/Abril.com)

O silêncio no estádio é melancólico. Logo após, os visitantes marcam, e fazem 2 a 0 na disputa. Na terceira tentativa, finalmente sai o primeiro gol brasileiro, em cobrança indefensável de Cícero. O time da altitude não desperdiça sua quarta cobrança, e abre 3 a 1. Placar esse que acompanhava os tricolores desde a partida contra o São Paulo. Em todos os jogos decisivos, o 3 a 1 estava com o tricolor. Foi assim contra o Boca e contra a própria LDU.

Por ironia do destino, os deuses do futebol fizeram o torcedor sentir o lado amargo do resultado. Com a defesa de Cevallos, a LDU se sagrava campeã da Libertadores. Naquela madrugada do dia 03 de julho de 2008, o sonho tinha chegado ao fim. A campanha épica ficou na memória, mas a taça nunca veio. E este jogo ficará marcado na história por inúmeros motivos.

Fonte: GloboEsporte.com, Imortais do Futebol

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