Fluminense 3×1 São Paulo: Todo herói possui um coração valente

Washington fez aos 46 minutos do segundo tempo o gol da classificação do Fluminense (Foto: reprodução NETFLU
 Por: José Victor Mendonça, RJ

O ano era 2008 e depois de 23 anos, o Fluminense voltava a disputar a competição de clubes mais importante do continente: A Libertadores da América. O tricolor carioca vinha embaladíssimo na edição de 2008, fez a melhor campanha da fase de grupos com direito a uma goleada de 6 a 0 sobre o Arsenal de Sarandí (ARG). Já o São Paulo, era uma das equipes mais temidas do continente nos últimos anos. Mas, mesmo campeão da Libertadores em 2005, vice em 2006 e atual bicampeão brasileiro, o time carregava uma sina de ser eliminado por equipes brasileiras nas últimas edições. Apesar do tricolor paulista ser, à época, o atual bicampeão, o temor de cair novamente para um clube do mesmo país no mata-mata da Libertadores era evidente.

O São Paulo, que contava com as presenças moralizadoras de figuras como Didico, Hernanes, Miranda e Aloísio Chulapa, ainda assim, não conseguiu passar por cima do Fluzão no Maracanã e amargurou pelo terceiro ano consecutivo uma eliminação na Libertadores. O Fluminense foi o vencedor do que, para a história da competição, era um dos principais confrontos entre times brasileiros. Para a realização desse feito era necessário jogar com o coração e ser um time valente. O protagonista dessa história não poderia ser outro: Washington.

O personagem

Atacante de área nato, Washington chegou ao Fluminense depois de uma boa passagem pelo futebol japonês e de uma história de superação incrível. Foi diagnosticado com problemas cardíacos na época em que atuava no futebol turco vestindo as cores do Fenerbahçe e teve sua carreira ameaçada. Menos de um ano após a descoberta, Washington voltou a jogar futebol pelo Atlético Paranaense e terminou a edição do Brasileirão de 2004 como artilheiro. Depois disso, Washington migrou para o futebol japonês onde defendeu o Urawa Reds Diamonds.

Em 2008, voltou ao Brasil com status de ídolo para defender o Fluminense que estava de volta a Libertadores após 23 anos. Sem dúvida alguma, Washington foi peça fundamental para realização da melhor campanha do tricolor carioca na história da Libertadores, e se uma partida é capaz de justificar tal afirmação, esta é o jogo de volta das quartas de finais contra o São Paulo.

O jogo

No dia 21 de maio de 2008, Fluminense e São Paulo se enfrentaram pelo segundo jogo das quartas. Dono da melhor campanha da primeira fase, o Flu, apesar de ter perdido o primeiro jogo no Morumbi por 1 a 0 – gol marcado por Adriano Imperador – estava confiante na classificação. O clube carioca foi em peso ao Maracanã. Mais de 70 mil estavam presentes e testemunharam de perto um jogo memorável, daqueles que nos faz lembrar o porquê do futebol ser o esporte mais amado do mundo.

O jogo estava truncado, típico de Libertadores. Poucas chances foram criadas, até que em uma disputa na área, aos 11 minutos, Cícero resvalou de cabeça, a bola sobrou para Washington que, com um toque sutil, tirou de Rogério Ceni e abriu o placar para o Fluminense, terminando um jejum pessoal de oito jogos sem marcar. Com este placar, o duelo seria decidido nos pênaltis. Após o gol de Washington, o Flu foi pra cima e assustou a meta defendida por Ceni algumas vezes, chegando, inclusive, a carimbar o travessão no chute de Conca.

Washington comemoração
Washington vibra muito depois de abrir o placar para o Fluminense e encerrar o jejum de oito jogos sem marcar (Foto: Globoesporte.com)

As equipes voltaram para o segundo tempo determinadas a decidirem o jogo o mais rápido possível. A partida se tornou mais intensa do que na primeira etapa e o São Paulo passou a oferecer mais perigo à meta do Fluminense. A entrada de Aloísio no lugar de Dagoberto fez o São Paulo crescer, e com um cruzamento primoroso de Chula para a cabeça do Imperador, o São Paulo empatou o jogo aos 25 minutos. Parecia que o tabu de eliminações para brasileiros ficaria para trás… Mas, no minuto seguinte, Dodô colocou os cariocas novamente na frente e incendiou o jogo.

Era inevitável dizer que o São Paulo tinha sentido o gol do Fluminense. O time se desestabilizou emocionalmente e viu Joílson ser expulso em meio à pressão do Tricolor das Laranjeiras pelo terceiro gol. Depois dos 40 minuto, virou praticamente ataque contra defesa. O Fluminense arriscava e Rogério Ceni salvava. Naquela altura do jogo, o São Paulo só ansiava o fim da partida.

O terceiro gol da equipe carioca não poderia ter sido de maneira mais emocionante. Quando a partida já estava nos acréscimos e parecia que o São Paulo avançaria para a semifinal, Thiago Neves cobrou escanteio para área e Washington subiu diversos andares de um prédio para superar a marcação de três jogadores do São Paulo e cabecear firme, marcando o terceiro gol do Flu. Vitória do Fluminense por 3 a 1, torcida ensandecida e o Fluzão pela primeira vez na semifinal da Libertadores.

Washington marca para o Fluminense nos acréscimos
Rogério tenta, mas não consegue impedir a potente cabeçada de Washington que eliminou o São Paulo da Libertadores de 2008 (Foto: jovempan.uol.com.br)

Para Washington, a partida significou um lugar na galeria de ídolos de clube. O eterno Coração Valente, guerreiro tricolor, proporcionou um dos momentos mais vibrantes e felizes da vida de qualquer apaixonado pelo Fluminense.

Fonte: Globoesporte.com, O Globo

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