Fortaleza e os dois vices da Taça Brasil na década de 1960

O Tricolor Cearense ficou com o vicecampeonato em 1960 e 1968

Fortaleza e Botafogo na final de 1968 [Foto: Arquivo Botafogo/Reprodução]
Por Honorato Vieira, CE

O Fortaleza garantiu o acesso à Série B nesta semana, depois de passar sete anos na Série C. Mas o time cearense já teve seus períodos de glórias nas divisões acima do futebol brasileiro. Além de acessos da Série B para a elite nos anos 2000, o Tricolor de Aço já foi o segundo melhor time em duas oportunidades. Na década de 60, onde a Taça Brasil era o maior campeonato entre clubes do nosso país, o Leão chegou até a final em dois anos, 1960 e 1968, mas sucumbiu aos fortes e estrelados times de Palmeiras e Botafogo, respectivamente.

No primeiro ano da década, o time cearense começou a caminhada contra o ABC-RN e passou com tranquilidade. No Estádio Presidente Vargas, uma vitória por 3 a 0, com gols de Válter Vieira (2) e Bebecê, deram a tranquilidade suficiente para segurar uma vantagem no jogo da volta. Em Natal, um empate por 1 a 1 garantiu a vaga na fase seguinte. Jorginho abriu o placar para o alvinegro natalense e Calado, contra, igualou o marcador.

Na segunda etapa do certame, o Tricolor enfrentou o Moto Club-MA e, no mesmo esquema do duelo contra o ABC, com um bom resultado em casa, a equipe passou de fase. No jogo de ida, uma vitória por 2 a 0 com gols de Bebecê e Benedito; e na volta um empate em 1 a 1, com Bebecê marcando mais uma vez para os cearenses, carimbou a vaga no terceiro embate da Taça Brasil.

O elenco do Fortaleza em 1960 [Foto: Reprodução/Google]
O elenco do Fortaleza em 1960 [Foto: Reprodução/Google]

A terceira fase marcava também a final da Chave Norte contra o favorito Bahia. Seguindo a linha das fases anteriores, o Leão venceu o duelo inicial por 2 a 1 e segurou o 0 a 0 na partida de volta em Salvador. Com isso, o título da região estava garantido e desafios maiores viriam pela frente.

Na semifinal da Taça Brasil, o Fortaleza enfrentou o pomposo Santa Cruz-CE e os periódicos da época já especulavam a final entre Palmeiras e o time pernambucano. No jogo de ida, em Pernambuco, um empate em 2 a 2 colocou o favoritismo da Cobra Coral em cheque. Na volta, em um PV abarrotado de gente, o Tricolor bateu o Santinha por 2 a 1 com gols da dupla icônica do futebol alencarino, Bebecê e Benedito.

Era dezembro, últimos dias do ano e a final estava prestes a acontecer. No dia 22 de dezembro de 1960, o Fortaleza recebeu o Palmeiras no Estádio Presidente Vargas, mas sucumbiu ao forte elenco alviverde. Com gols de Romeiro (2) e Humberto, o Porco venceu por 3 a 1 e levou grande vantagem para São Paulo.

Após o Natal e perto do Réveillon, no dia 28 de dezembro, o Pacaembu recebeu um grande público para comemorar o título palmeirense. No início, o público teve um grande susto quando Charuto abriu o placar para os cearenses. Entretanto, o forte time rival fez com que o Tricolor sucumbisse. Uma goleada por 8 a 2 acabou com o sonho de um título nacional por parte do Leão do Pici.

Ficha técnica das finais da Taça Brasil de 1960 [Foto/Reprodução]
Ficha técnica das finais da Taça Brasil de 1960 [Foto/Reprodução]

Oito anos depois e uma nova chance

Tendo sucumbido ao Palmeiras oito anos antes, o Fortaleza entrou na Taça Brasil de 1968 sem muitas pretensões. Após conquistar o título estadual em 1967 e recuperar a hegemonia do estado — o time havia tido sua série de dois títulos interrompida pelo América-CE — o Tricolor começou o ano seguinte cambaleante e sem a consistência de outrora.

A Taça Brasil de 1968 foi a última edição do torneio e marcada por um longo adiamento. Nas quartas de final, Botafogo e Metropol se enfrentaram por duas vezes, com uma vitória para cada lado, 5 a 1 para o Glorioso no Rio e 1 a 0 para os catarinenses na volta.

Segundo o regulamento, o desempate deveria ser disputado no mesmo local da segunda partida. Porém, o estádio do Metropol não oferecia condições de iluminação adequadas para o jogo do dia 11 (quarta-feira), noturno, e a CBD transferiu a partida para Florianópolis. Com a recusa do ‘Metro’ em jogar em outra cidade, criou-se um impasse que atrasou em meses a continuidade do torneio até que os catarinenses aceitaram jogar em Florianópolis.

Após três meses de indefinição, a partida foi marcada, mas o Botafogo foi sozinho. O Metropol, com muitos desfalques, solicitou o adiamento da partida mas não foi atendido. Com isso, entregou os pontos do jogo. Mais tarde, o clube tentou voltar atrás e o WO foi revogado. A partida foi transferida para o Rio de Janeiro, a ser disputada no mês seguinte. Depois de muito imbróglio, os dois foram a campo, mas o tempo fez questão de pará-los. O jogo foi suspenso aos 13 minutos do 2º tempo devido ao temporal. Novo jogo foi marcado para o dia 04/04 e o Metropol não compareceu, sendo considerado perdedor por W.O. A CBD declarou o Botafogo vencedor por 1 a 0.

Antes disso, o Fortaleza ficou frente a frente com o Bahia por uma vaga na semifinal, e garantiu o título regional. No primeiro embate, os baianos venceram por 1 a 0, em Salvador. Na volta, os cearenses devolveram o placar com gol de Croinha e forçaram o terceiro duelo. O Bahia tentou comprar o mando de campo, mas o técnico Caiçara e a torcida se revoltaram impedindo essa manobra dos rivais.

Na partida extra, no PV, o Leão venceu por 2 a 1, na prorrogação, e garantiu uma vaga na semifinal. Os gols foram marcados por Mozart e Croinha.

Na fase prévia, o Tricolor enfrentaria o Palmeiras, mas o Alviverde e Santos desistiram da competição em fevereiro de 1969 em função daquele imbróglio envolvendo Botafogo e Metropol.

Assim, o adversário foi o Náutico (único regulamento possível). O Fortaleza venceu o jogo de ida por 2 a 1 e foi derrotado pelo mesmo placar na volta. No jogo extra, em Pernambuco, o Tricolor enfrentou inúmeras adversidades, como a violência dos torcedores, mas conseguiu uma heroica vitória por 1 a 0, com gol de Mozart.

Pela segunda vez, o Fortaleza ficou com o vice da Taça Brasil [Foto: Reprodução/Google]
Pela segunda vez, o Fortaleza ficou com o vice da Taça Brasil [Foto: Reprodução/Google]

Na final, o adversário era o Botafogo do técnico Zagallo, e o Leão, mais uma vez, sucumbiu. No Estádio Presidente Vargas, um disputado empate em 2 a 2 deu a esperança do título aos cearenses. Erandir e Joãozinho fizeram, mas Ferreti guardou dois para os cariocas.

No Rio de Janeiro, um mês depois, Ferreti fez mais dois, além de Roberto e Afonsinho, assim o Leão foi goleado por 4 a 0 e viu o sonho de ser campeão ruir bem próximo.

Ficha técnica das finais da Taça Brasil de 1968 [Foto/Reprodução]
Ficha técnica das finais da Taça Brasil de 1968 [Foto/Reprodução]
https://www.youtube.com/watch?v=UtcA8jR1D9o

Resultados dos jogos – TAÇA BRASIL

1960

Fortaleza 3×0 ABC
ABC 0x0 Fortaleza
Fortaleza 2×0 Moto Club
Moto Club 1×1 Fortaleza
Fortaleza 2×1 Bahia
Bahia 0x0 Fortaleza
Santa Cruz 2×2 Fortaleza
Fortaleza 2×1 Santa Cruz
Fortaleza 1×3 Palmeiras
Palmeiras 8×2 Fortaleza

1968

Bahia 1×0 Fortaleza
Fortaleza 1×0 Bahia
Fortaleza 2×1 Bahia
Fortaleza 2×1 Náutico
Náutico 2×1 Fortaleza
Fortaleza 1×0 Náutico
Fortaleza 2×2 Botafogo
Botafogo 4×0 Fortaleza

Fontes: Futebol Nacional; Blog do Marcão, Globo Esporte, Futebol Cearense

1 Comentário em Fortaleza e os dois vices da Taça Brasil na década de 1960

  1. Em parte, o longo adiamento da Taça Brasil de 1968 (citado no texto) impossibilitou a participação do Fortaleza na Taça Libertadores do ano seguinte. Segundo o site da RSSSF:

    ” Originalmente, as vagas na Taça Libertadores 1969 seriam concedidas ao campeão e ao vice-campeão da Taça Brasil 1968. Em dezembro de 1968, porém, percebendo que a Taça Brasil 1968 não terminaria antes do início da Taça Libertadores 1969, a CBD decidiu que as vagas brasileiras seriam preenchidas pelo campeão e pelo vice-campeão da Taça de Prata 1968.

    Posteriormente, em 23/12/1968, a CBD declarou que nenhum clube brasileiro disputaria a Taça Libertadores 1969, pois o Brasil discordava da fórmula de disputa do torneio, cujas datas atrapalhariam a preparação da Seleção Brasileira para as Eliminatórias para a Copa do Mundo de 1970”.

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