Futebol é delas também

(Foto: Divulgação/CBF)
Por Samir Leão, TO

Que os Deuses do futebol perdoem essas pessoas que acreditam que o futebol “não é coisa de mulher”. Como em qualquer outro esporte, há mulheres que gostam e outras que não curtem. Assim como existem homens que amam e outros que não estão nem aí. O pensamento que mulheres, de forma geral, não admiram esse esporte é ultrapassado e preconceituoso. A emoção que esse esporte proporciona é imensa para ser privada apenas ao público masculino.

Acreditar que uma mulher, em qualquer lugar do mundo, pode torcer, xingar, analisar, comentar, apitar e jogar, assim como qualquer homem, nada tem a ver com imposição ideológica ou “mimimi”. É apenas a certeza que esse esporte é universal em muitos termos e isso inclui a questão de quem pode gostar ou não. E no Brasil, o slogan “país do futebol” não determina que essa é uma nação na qual apenas homens gostam do esporte.

(Torcida Colorada no Gigante da Beira Rio. Fonte: Divulgação)

Mulheres também compram os produtos dos times, frequentam estádios e vão aos bares para assistirem aos jogos. Quando há alguma pesquisa para medir as maiores torcidas, lá não estão os registros apenas das pessoas do sexo masculino. Já passou da hora de querer medir o grau de entendimento de uma mulher sobre futebol.

A visão de que o esporte “não é coisa de mulher” prejudica a maneira como o futebol feminino é tratado, tanto no mundo quanto no Brasil. Para ficar apenas no campo da Seleção Brasileira Feminina, a impressão é que ela só existe a cada quatro anos. Salvo a rainha Marta, dona de seis títulos de melhor jogadora do mundo, é apenas durante a realização dos Jogos Olímpicos que grande parte do público ouve falar sobre as mulheres que defendem a seleção. Um lapso de emoção surge e o país torce pelo ouro sem saber onde joga a maior parte das jogadoras.

Mas logo a euforia passa e são esperados mais quatro anos por um novo contato.

Conquistas

Ainda muito distante do devido tratamento que o futebol feminino merece, mas de certa forma um grande avanço, a Copa do Mundo da categoria vai contar com a transmissão de algumas partidas na grade aberta de uma grande emissora de televisão. A Rede Globo, que através do seu canal pago, SporTV, já transmitiu a competição em 2015, vai trazer para o seu canal aberto todos os jogos da seleção brasileira. Os demais jogos da competição vão ser transmitidos pelo canal fechado.

(Pela primeira vez a Seleção Brasileira de Futebol Feminino vai ter os seus jogos, em uma Copa do Mundo, transmitidos na grade aberta da Rede Globo. Fonte: Divulgação)

Ano passado durante a Copa do Mundo da Rússia, a jornalista Isabelly Morais fez história ao narrar, através do canal Fox Sports, o jogo de abertura do mundial entre Rússia e Arábia Saudita. Era a primeira vez que uma mulher comandava a transmissão de uma partida daquela grandeza. Outro marco importante para o futebol feminino foi o prêmio Melhores do Brasileirão 2018. O evento que costumava destacar apenas homens não premiou apenas os 11 melhores atletas masculinos do ano mas também as 11 mulheres de destaque daquela temporada.

O ano de 2018 também marcou história para as mulheres da Arábia Saudita. Das muitas restrições que as sauditas sofrem no país, como viajar ao exterior ou abrir uma conta bancária, a ida aos estádios já não faz parte desse triste grupo. A partir de 12 de janeiro, elas ganharam o direito de assistirem os jogos dos seus times de perto. O tamanho dessa conquista não pode ser medido, pois, se em países que a disparidade de gênero é menor o público feminino que gosta de futebol já sofre com a falta de respeito, em uma região tão conservadora que essas mulheres vivem o valor dessa vitória é imensurável.

(Na Arábia Saudita, as mulheres conquistam o direito de frequentar os estádios do país. Fonte: BBC)

Com todos os grandes exemplos de conquistas e quebra de barreiras que a história das mulheres têm, não é difícil imaginar que elas conquistarão o universo do futebol também. Nesse dia 8 de março, a CL parabeniza todas elas que acreditam que esse esporte não é só um jogo. Também aquelas que não acham a menor graça. O amor pelo futebol não é definido pelo gênero.

Fontes: Carta Capital, Globo Esporte, ESPN, BBC

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