Gargalhadas de Jesus e o repórter do cabelo engraçado

FICOU FAMOSO PELO ESTILO DO CABELO

Gabriel Jesus e Alisson gargalhando com o cabelo do repórter (Foto: Reprodução na internet)
Por Ricardo Santos, RS

Na semana de Brasil x Equador um acontecimento rodou pelos principais veículos de esporte do país, durante a entrevista coletiva pós-treino da Seleção. Esse ritual tão questionado por muitos pelo fato de distanciar o atleta da imprensa e da torcida, ao construir um ambiente árido e repetitivo, foi receptáculo de largas risadas dos jogadores Gabriel Jesus e Alisson, em uma brincadeira com o cabelo de um jovem repórter.

O que esse episódio inusitado na coletiva esconde é uma história de busca por espaço no tão competitivo ramo da comunicação esportiva e a realização de um sonho de todos os apaixonados pelo futebol. Qualquer criança que tenha contato inicial com a bola e goste do esporte, logo, também aprende a admirar a Amarelinha. Claro, temos que considerar o fenômeno moderno dos “brasileiros estrangeiros” que, chegando as grandes competições, dizem-se torcedores da Argentina, ou da Alemanha. A estes só podemos desejar pêsames. Mas para quem desde cedo tem brilho nos olhos ao ver os jogos da Seleção imagina um dia poder ter a sua frente um destes ídolos.

E onde o episódio cômico da coletiva e essa realização ao encontrar um ídolo convergem, é na semana especial que viveu Henrique Chaparro Pinto, 18, natural da cidade de Canoas-RS. Chaparro escreve sobre futebol desde os 12 anos. Desde então, não parou mais. Em 2013, criou o QQD – Quatro Quatro Dois. Ele afirma sempre ter feito conteúdo com muito empenho. Tudo o que aparecia ele fazia. Assim, conseguiu contato com muitos empresários e assessores, também fazendo amizade com alguns atletas.

Graças a estes tantos contatos feitos com a produção que ele tinha para a internet, conseguiu a credencial para fazer a sua primeira cobertura da seleção brasileira, através da Gracenote Inc., agência contratada pela FIFA. Importante, somado ao empenho e talento para falar de esporte, é ter a capacidade de trabalhar com outras línguas, como o inglês e o espanhol.

Assim que chegou para a cobertura, nervosismo. Mauro Naves, PVC, Gustavo Hoffman, e outros tantos nomes conhecidos do jornalismo compartilhavam espaço com o jovem repórter. Mesmo assim, antes do fatídico episódio e como um “estranho no ninho”, foi bem recebido pelos profissionais:

“Diferente do que pode se imaginar, os repórteres gigantes a nível nacional eram os mais solícitos comigo, conversavam e davam dicas, aí eu ficava mais seguro”.

Até chegar o momento da entrevista coletiva do goleiro Alisson e do atacante artilheiro do hexa Gabriel Jesus. Depois de muitas perguntas, chegou a vez de Chaparro: “Quando o microfone chegou nas minhas mãos o nervosismo alcançou nível máximo. Eu pretendia perguntar ao Alisson, mas acabou mudando para o Jesus. Assim que fui começar o questionamento a ele, a brincadeira teve início. Não conseguia mais parar de rir”.

Foi assim que o “repórter do cabelo engraçado” protagonizava os assuntos mais falados da grande maioria dos veículos. Nos moments do twitter, o cabelo. Na televisão, nos canais ESPN, o cabelo. Em páginas do Instagram, como a “quejogada”, com um milhão de seguidores, o cabelo. Extasiado pelo o que havia ocorrido, Chaparro foi atendendo a colegas da Uol, Fox, ESPN que pediam fotos do famoso cabelo para poder narrar um pouco dessa história.

Ficou difícil para ele acompanhar tamanha repercussão. Suas redes sociais estavam lotadas de notificações. Até pessoas pedindo dicas de cortes: “Um cara me mandou mensagem perguntando o nome do corte. Ele me mandou uma foto do cabelo dele e disse que estava indo ao cabeleireiro. O mais engraçado é que ele falava sério, mesmo. Eu disse que era um corte original”, brincou.

O encontro ocorreu mais uma vez, agora na zona mista da Arena do Grêmio. Chaparro chamou Gabriel Jesus e ele atendeu, prontamente. Ele veio aos gritos: “ah, o do cabelo”. Eles conversaram mais um pouco. Chaparro falou a Jesus que graças ao “elogio” que recebeu, até algumas meninas estavam achando ele mais bonito. Jesus novamente, aos risos, disse: “Com esse cabelo? Duvido”.

O reencontro de Henrique Chaparro com Gabriel Jesus. (Foto: arquivo pessoal/Henrique Chaparro)
O reencontro de Henrique Chaparro com Gabriel Jesus. (Foto: arquivo pessoal/Henrique Chaparro)

Passado o episódio e a seleção deixando Porto Alegre com mais uma vitória na bagagem, Chaparro ainda tenta assimilar tudo o que aconteceu. Mesmo com seu empenho, ele sabe que um momento assim vai além do mérito. Existem jornalistas no Brasil inteiro querendo uma oportunidade de cobrir a Amarelinha. Ele, tão novo, conseguiu.

“Eu tenho estrela, além de tudo o que batalhei desde cedo, as coisas acontecem comigo”. Chaparro comentou que finalmente normatizou a situação quando se via conversando casualmente com Mauros Naves, um repórter que cobre a seleção canarinho antes do jovem jornalista nascer.

Além dos nomes citados, Chaparro também conversou com Galvão Bueno. (Foto: arquivo pessoal/ Henrique Chaparro)
Além dos nomes citados, Chaparro também conversou com Galvão Bueno. (Foto: arquivo pessoal/ Henrique Chaparro)

O repórter começou a faculdade de Publicidade e Propagando este ano. Por que publicidade, quando já se vê repórter? Ele diz que não consegue se definir na área da comunicação. Gosta de se identificar como criador de conteúdo futebolístico. Permeando ambas as áreas, jornalismo e publicidade. Entretanto, ele já realizou muitas coisas no jornalismo, somente na prática da profissão. “Eu não me acomodo. Isso que aconteceu foi incrível. Eu quero mais. Uma exclusiva com o Gabriel Jesus, quem sabe”.

Narrando essa história, o repórter que vos fala sentiu de tudo um pouco. Felicidade ao ver o sonho de alguém tão jovem se realizando e aquela pontinha de inveja por se ver ainda distante de cobrir algo tão grandioso quanto a Seleção. Henrique Chaparro pode ter representado a alegria que muita gente teria ao estar frente aos seus ídolos. Não sei vocês. Eu talvez deixe meu cabelo crescer. Vai que dá certo.

(Foto: arquivo pessoal/Henrique Chaparro)
(Foto: Arquivo Pessoal/Henrique Chaparro)

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