Gordon Banks: O homem que parou Pelé

Banks e um cãofrade, uma verdadeira cena CL (Foto: Trivela.com)

Houve apenas alguns goleiros durante todo o curso da história do futebol que se tornaram nomes conhecidos. Gordon Banks é certamente um deles. O homem de Yorkshire media 1,88m e levava a torcida ao êxtase fim de semana após fim de semana, com a sua capacidade atlética magnifica e seus incríveis voos por toda a extensão da baliza.

"Banks voando para defender a cabeçada certeira de Pelé" Crédito: The Guardian
Banks voando para defender a cabeçada certeira de Pelé (Foto: Divulgação/The Guardian)

Nunca um goleiro foi lembrado por um lance em particular, exceto ele e sua incrível defesa, e é por isso que nós, confrades amantes do futebol, nunca esqueceremos de Banks voando para parar uma cabeçada mortal do imortal Pelé. Banks parecia, literalmente, ter um jato nos pés ao saltar de trás da linha em direção a bola. Pelé subiu como um dos maiores goleadores que o mundo já havia produzido, enquanto Banks desceu como um dos maiores goleiros que mundo já havia visto.

Nascido em Sheffield, em 1937, Gordon gostava de futebol como um hobby, mas, como todos os seus colegas, estava sendo preparado para o trabalho. Ele começou o labor como ensacador de carvão, mas seu papel como goleiro da equipe da mina rendeu-lhe uma oportunidade em Chesterfield, um time homônimo a uma cidade que ficava nas proximidades.

Banks impressionou rapidamente as multidões através da Equipe “B” quando fez sua estréia, em 1958, com 21 anos, depois de ter ajudado o time de juniores a ganhar a FA Youth Cup em 1956, contra os Busby Babes. Banks foi arrebatador em Chesterfield. Estava destinado a feitos maiores. A terceira divisão estava prestes a ser substituída pela primeira, isso se deu quando o Leicester City fez uma proposta oferecendo £7,000 em 1959.

Quando Gordon assinou pelo Leicester, ele não foi imediatamente o camisa nº 1. O titular da equipe no gol naquela época era Dave McLaren, mas, quando este sofreu uma lesão durante um confronto com o Blackpool em 1959, os deuses do futebol sorriram, pois sabiam que era a hora de Banks brilhar e ele não decepcionou as expectativas divinas. Embora McLaren tenha voltado para a meta do time após recuperar a forma, o Leicester entrou em uma espiral negativa de resultados. Uma mudança era necessária, e a primeira coisa que mudou foi Banks assumindo a titularidade no gol.

"Banks com a camisa dos Foxes" Créditos: BBC
Banks com a camisa dos Foxes (Foto: Reprodução/BBC)

Uma vez de volta, ele seria o dono da meta. Iria passar os próximos 6 anos no gol do Leicester, fazendo 293 partidas e salvando inúmeros gols. Ele ajudou o time a chegar à final da FA Cup, em 1961, ao bater o Sheffield United na semifinal. Mas eles teriam de enfrentar a poderosa força do Tottenham Hotspur, que, contando com a habilidade refinada de Jimmy Greaves, parecia ser imbatível. Embora tenha travado uma boa luta contra os atacantes dos Spurs, Banks não conseguiu evitar dois gols em sua meta, e o Tottenham saiu de Wembley com o caneco nas mãos.

Mais uma vez, em 1964, Banks e o Leicester estavam de volta na final da FA Cup e, assim, eles enfrentariam um oponente inacreditável. Os jogadores do Manchester United que sobreviveram ao trágico desastre aéreo de Munique, uniram-se e com o seu herói Matt Busby, chegaram à final da FA Cup contra todas as probabilidades. Era a oportunidade perfeita de Gordon e dos Foxes de levantarem a taça.

Porém, o futebol reserva surpresas, e nem sempre o mais forte é o vitorioso. Banks aprendeu essa lição na final de 64, aonde teve uma atuação abaixo da crítica, falhando nos gols de Denis Law e David Herd, vendo o United ganhar o jogo por 3 a 1. Mas depois desse fracasso, as coisas estavam prestes a mudar para o homem de Yorkshire.

Gordon Banks será sempre lembrado como o herói guardião da meta inglesa. Se você vestia a camisa da Inglaterra, em 1966, havia sempre uma chance de tornar-se uma lenda. A estreia de Gordon no English team veio como resultado de uma grande mudança na equipe após a Copa do Mundo no Chile, em 1962, que foi iniciada pela nomeação do novo treinador Alf Ramsey. Ramsey tinha a intenção de forjar sua própria equipe e levar a taça em sua terra natal, em 1966. Ele ficou impressionado com Banks, o suficiente para dar-lhe uma chance em um jogo contra a Escócia em 1963, e a camisa nº 1 depois disso, substituindo Ron Springett.

A Copa do Mundo começou de forma brilhante para Banks, que não tomou um único gol nos três jogos da fase de grupos e não foi solicitado a fazer nenhum milagre na meta. Sua baliza permaneceria intocada após o jogo contra a Argentina, depois de uma vitória por 1 a 0 sobre os hermanos. O desafio era Portugal nas semifinais. Então foi uma mão na bola, cometida por Jack Charlton e subsequente penalidade cobrada pelo genial Eusébio, que finalmente fizeram Banks ir em direção as redes para recuperar a bola.

Então veio a final: Inglaterra na sua terra natal contra a Alemanha Ocidental. A Batalha da Grã-Bretanha estava sendo revivida na frente de milhões e Gordon Banks ficou no gol esperando não ser incomodado como não tinha sido durante todo o torneio. Mas não foi isso que aconteceu. Os alemães marcaram o primeiro gol em um vacilo cometido por um mal-entendido entre os zagueiros. Felizmente, Geoff Hurst e em seguida, Martin Peters, colocaram a Inglaterra em vantagem no segundo tempo. Então veio um momento de imerecida má sorte que fez com que a bola fizesse um arco no ar e parasse no fundo das redes inglesas resultando no gol de empate.

O dia era de Geoff Hurst e de mais ninguém. Ele marcou para a Inglaterra duas vezes, fazendo seu hat-trick e dando a contagem final de 4 a 2 para os ingleses. Banks tinha feito o seu país orgulhoso e sua recompensa foi segurar o troféu da Copa do Mundo.

"Banks e seus companheiros, comemorando o título mundial de 1966" Crédtios: BBC
Banks e seus companheiros comemorando o título mundial de 1966 (Foto: Reprodução/BBC)

Mesmo sendo o melhor goleiro do mundo, Banks se viu em apuros no seu clube, pois sua camisa nº 1 estava sob séria ameaça de um goleiro jovem e muito elogiado em Leicester, chamado Peter Shilton. Shilton só concordou em permanecer no clube se fosse na condição de titular, e assim, Banks foi vendido para o Stoke City. No Stoke, o goleiro nunca alcançou o sucesso que havia feito no Leicester e na seleção inglesa.

Contestado e em má fase, Gordon continuou a ser o arqueiro número 1 e foi para a Copa do Mundo de 1970, no México, onde fez “a defesa”, evitando o gol de Pelé em uma jogada que pareceu desafiar a lógica. Essa defesa seria eternamente lembrada e se tornaria o grande destaque de sua carreira. O torneio de 1970 terminou de vez para Gordon quando, infelizmente, contraiu um problema estomacal estranho que o retirou do restante das partidas.

A Inglaterra perderia nas quartas-de-final para a sua velha rival, Alemanha Ocidental, em um jogo que próprios alemães admitiram que teria sido diferente caso Banks fosse o homem na meta. Ele continuou a jogar pela Inglaterra depois disso, mas foi aos poucos se afastando e permitindo que um jovem goleiro fosse experimentado. Então, algo muito trágico aconteceu com Gordon numa noite em que dirigia para casa após um treino com o Stoke.

Ele perdeu o controle do carro e caiu enquanto fazia o caminho de volta, em 1972. Ele sobreviveu, mas acordou com a perda da visão do olho direito. Houve uma esperança de continuar a jogar depois disso, porém, infelizmente, Gordon teve que abandonar sua camisa nº 1 da Inglaterra, cedendo-a à Peter Shilton. Ironicamente Shilton também tomaria o seu lugar no Stoke City, quando deixou o time, em 1974.

Banks foi contratado no Estados Unidos pelo Fort Lauderdale Strikers, mas sua carreira foi chegando ao fim e ele finalmente pendurou as chuteiras e luvas, em 1978. Foi incluído, em 2012, no Football Hall of Fame inglês e, para muitos, é visto como o maior goleiro produzido pela terra de Sua Majestade. Foi um dos poucos que conseguiu parar o ímpeto de Pelé, merecendo ser lembrado por essa mágica confraria e ter seu nome gravado como um autêntico gênio da bola.

 

Texto: Pedro Portugal

1 Comentário em Gordon Banks: O homem que parou Pelé

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.


*