Grandes Esquadrões – O Atlético Paranaense de 2001

A lenda do Furacão se tornou nacional em 2001.

A equipe do Atlético-PR campeão brasileiro em 2001. (Foto: Reprodução/Valterci Santos)
Por, Max Galli – SP

Em 1949, surgiu o Furacão da Baixada em Curitiba. O Atlético-PR fizera épica jornada no Campeonato Estadual daquele ano. Em 12 jogos, ganhou 10, empatou um e sofreu apenas uma derrota, com média superior a quatro gols por partida. Mais de meio século se passou e a lenda se tornou nacional. O Rubro-Negro montou um esquadrão para exterminar quem via pela frente. Utilizou sua fortaleza recém construída para não deixar os inimigos mostrarem força. Aliado ao grito vindo das arquibancadas se coroou Campeão Brasileiro de 2001.

A história deste título começa nos primórdios de 1995. Ano em que o Atlético-PR bordou a estrela prata que simboliza a conquista da Série B. O Campeonato teve um gosto especial pois o seu maior rival, o Coritiba, foi vice. Dois anos depois de se manter na Série A, o clube resolveu mudar de vez. Começando pela demolição do estádio Joaquim Américo, para a criação da mais moderna Arena do país na época. Em junho de 1999, a abertura da Arena da Baixada – sem os 40 mil lugares programados por conta de uma escola nos fundos do estádio – deu ainda mais fôlego aos torcedores. Na ocasião, O time já levava a campo muitos atletas que seriam peças importantes na campanha de 2001: o goleiro Flávio, o zagueiro Gustavo, o atacante Kléber (que depois virou Kléber Pereira) e os meias Kléberson e Adriano (que depois virou Adriano Gabiru)

Arena da Baixada, a nova fortaleza do Furacão. (Foto: Reprodução/Paraná Online)
Arena da Baixada, em 2011, a fortaleza do Furacão. (Foto: Reprodução/Paraná Online)

Com a nova casa, o Furacão conseguiu, pela primeira vez, se classificar para a Libertadores da América de 2000. Fez grande campanha na primeira fase, mas perdeu para o Atlético-MG nos pênaltis, nas oitavas de final. No entanto, levantou o título estadual e contratou o lateral Alessandro que viria a ser outra peça fundamental para a campanha do ano seguinte.

Em 2001, o Atlético começou reforçando o ataque com a vinda de Alex Mineiro. Acabou eliminado da Copa do Brasil pelo Corinthians, nas quartas de final.  Se reergueu e abocanhou o bi-campeonato estadual em cima do Paraná Clube. Após o título, o técnico Flávio Lopes deixou o clube. Veio Mário Sérgio e colocou em prática o  esquema 3-5-2. O novo comandante trouxe o meia Souza e o atacante Ilan para fortalecer a equipe no Brasileirão. Nos primeiros cinco jogos, quatro vitórias e um empate. Ótima campanha para mostrar que as contratações surtiram efeito.

Depois do início animador, começou a draga rubro-negra. Veio a primeira derrota, contra o São Paulo, no Morumbi. Perdeu de 4 a 0 para o Vasco em São Januário e empatou em casa com o Santos. Na ocasião, Mário Sérgio soltou a célebre frase: “Ou o Atlético acaba com a noite ou a noite acaba com o Atlético”. Em seguida, mais dois resultados negativos, contra Palmeiras e Fluminense, que culminaram na sua demissão. A diretoria foi rápida e trouxe Geninho, até então pouco falado no Brasil. Ele continuou com o 3-5-2. Mas injetou motivação para a equipe ter mais luta dentro de campo e diminuiu as noitadas da garotada.

Técnico Geninho levantou o astral do Furacão rumo ao título brasileiro de 2001. (Foto: Reprodução/Arena Esporte/Jader da Rocha)
Técnico Geninho levantou o astral do Furacão rumo ao título brasileiro de 2001. (Foto: Reprodução/Arena Esporte/Jader da Rocha)

Logo na estreia, vitória sobre a Portuguesa. Dai em diante o “professor” não conheceu mais derrotas. Foram 12 jogos invictos até alcançar a classificação. Depois, relaxado, perdeu para o Juventude. O Atlético chegou ao mata-mata com a segunda melhor campanha e o ataque mais positivo. Feito que deu a vantagem de atuar em casa o jogo único até as semifinais. Na final, só fecharia longe de seus domínios se enfrentasse o São Caetano. Os paulistas foram os primeiros colocados. Ciente da dificuldade dos duelos que estavam por vir, Geninho exigiu que a equipe ficasse concentrada no CT do Cajú. A medida foi tomada para evitar problemas fora de campo.

Nas quartas-de-final, o Furacão encarou o São Paulo que, no papel, tinha grandes nomes como França, Julio Baptista, Beletti e Kaká. O meia sofreu muito com a marcação acirrada de Cocito, grande xodó dos torcedores. Apagado, foi substituído após uma falta do volante e saiu do gramado chorando. No mata-mata, o camisa 9 do Atlético-PR mostrou ainda mais o porquê foi contratado. Alex Mineiro fez o gol da classificação, na vitória por 2 a 1.

Na semifinal, a Arena da Baixada estava novamente tomada por rubro-negros que empurravam ainda mais os guerreiros em campo. A equipe enfrentaria o único time que ganhou em solo paranaense em toda a competição: o Fluminense. Em um dos confrontos mais movimentados do torneio, o centroavante mostrou seu poder novamente e marcou três vezes. Resultado final: 3 a 2 . Vaga na grande final garantida. O adversário era o São Caetano. O xodózinho do Brasil na época, já que vinha de um vice nacional no ano anterior.

No primeiro jogo, a Baixada foi o 12º jogador, não ficando quieta um minuto sequer. O Furacão partiu para cima do Azulão, como sempre fez em todo o campeonato. Ilan marcou no início, mas logo depois o time do ABC empatou com Mancini. Na volta para o segundo tempo, virada dos paulistas, mas nada que abalasse o artilheiro do mata-mata. Alex Mineiro empatou a partida após o gol sofrido, virou aos 35 e decretou a vitória num pênalti no finzinho: 4 a 2 e vantagem para o jogo no Anacleto Campanella. Em São Caetano, os comandados de Geninho entraram com a mão e mais alguns dedos na taça. Com um jogo seguro, venceram por 1 a 0, gol de Alex Mineiro. O triunfo deu ao time o primeiro título do Brasileirão. Venceu o elenco com melhor aproveitamento, melhor ataque (68 gols), e artilheiros da competição –  Kléber e Alex Mineiro, com 17 gols cada.

Pode-se dizer que a base da Seleção Brasileira pentacampeã foi inspirada no Atlético-PR de 2001. Tanto a formação (3-5-2), quanto Kleberson, peça importante dos selecionados de Felipão. Há também que se dizer e muito do Furacão de 2001, mas é difícil encontrar palavras quando se trata de uma lenda.

Cocito comemora com uma das taças de Campeão Brasileiro de 2001. (Foto: Reprodução/Valtecir Santos)
Cocito comemora com uma das taças de Campeão Brasileiro de 2001. (Foto: Reprodução/Valtecir Santos)

Base do Atlético-PR de 2001:

Flávio (Goleiro); Fabiano e Alessandro (Laterais); Nem, Gustavo e Rogério Corrêa (Zagueiros); Cocito, Adriano Gabiru, Kleberson (Meias); Kléber Pereira e Alex Mineiro (Atacantes).

Fontes: Globoesporte.com,

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