Grêmio x Palmeiras – O memorável embate pela América em 1995

PROTAGONISTAS DA DÉCADA DE 1990

Expulsões, tensão e muitas cenas lamentáveis: Grêmio e Palmeiras tiveram embates épicos na década de 90 (Foto: GloboEsporte.com/Reprodução)
Por Paulinho Rahs, RS

Se o saudosismo pelos anos 1990 hoje nos abraça sempre que vemos coisas que deveriam ser muito diferentes no futebol atual, muito dessa falta que nos acomete é pela lembrança de jogos memoráveis e seus personagens. Os clássicos entre Grêmio e Palmeiras que atravessaram àquela década estão no hall de partidas que jamais serão esquecida por qualquer brasileiro. Mas o de 1995 pela Libertadores foi especial. Marcou o ápice do embate entre as equipes em dois confrontos repletos de gols.

Dinho e Válber transformam o Olímpico em ringue (Foto: Futebol Nostálgico)
Dinho e Válber transformam o Olímpico em ringue (Foto: Futebol Nostálgico)

A grande rivalidade teve início em 1993. O Palmeiras de Luxemburgo caiu nos pênaltis para o Grêmio nas quartas de final da Copa do Brasil após dois empates por 1 a 1. Na Copa do Brasil de 1995 deu Grêmio novamente após mais dois empates, mas com o Tricolor passando com o gol qualificado no Pacaembu. Rivaldo comendo a bola de um lado, Danrlei fechando o gol do outro. Ali foi plantada a semente do jogo mais impactante entre os clubes. Avançando no tempo, o Palmeiras teve sua vendetta na semi da copa do Brasil de 1996 com um ataque formado por Rivaldo, Djalminha e Müller. Os dois ainda se enfrentaram nas quartas do Brasileirão daquele ano, mas o confronto mais épico entre Grêmio e Palmeiras foi mesmo o das quartas de final da Libertadores de 1995.

Jardel comemora a goleada por 5 a 0 no Olímpico. A volta em São Paulo guardava uma reação história do Palmeiras. (Foto: Doentes Por Futebol/Reprodução)

Na ida, jogo no Olímpico Monumental em Porto Alegre. A rivalidade em pauta fez com que o Brasil parasse para assistir ao confronto. O envolvimento emocional era tão forte que, no início da partida, Rivarola e Rivaldo estiveram envolvidos em uma disputa fortíssima, e Rivaldo foi expulso. Nada comparado, porém, a Dinho e Válber, que após serem expulsos se botaram numa corrida maluca para se encontrar atrás do gol entre voadoras e muita porrada. Cenas lamentáveis e que os torcedores se recordam muito bem. Os jogos entre palestrinos e tricolores eram sempre para tirar as crianças da sala. Com 10 contra 11 e no velho Olímpico, o Grêmio desembestou a fazer gols. Jardel, iluminado pelas suas cabeçadas, marcou três. Arce e Arílson, um cada um. A partida terminou com um inesperado e sonoro 5 a 0 pra o Tricolor de Porto Alegre, porém o que ninguém sabia é que na verdade nada estava decidido.

A goleada por cinco gols parecia irreversível para o jogo da volta, principalmente quando em São Paulo, Jardel fez um bizarro gol para abrir o placar. Mas o Palmeiras, que tinha um verdadeiro “cano” com Mancuso, Cafu, Paulo Isidoro, Alex Alves e Müller, entre outros, iniciou aos pouquinhos a difícil missão. Ainda na primeira etapa virou a partida e seguiu moendo o Grêmio depois do intervalo. Aos 39 do segundo tempo, conseguiu um inacreditável o 5 a 1 no placar. Era um jogo tão diferente que o lateral Cafu fez dois gols e Amaral, nosso querido Amaral, fez o primeiro da carreira. Nos minutos finais, o time de Felipão segurou-se como pôde e avançou para o título da Libertadores, deixando pelo caminho seu adversário mais poderoso. No fim de tudo, o Grêmio acabou sendo campeão daquela Libertadores. Porém o jogo mais importante ficou sendo o memorável embate de sangue, suor, cenas lamentáveis e ONZE gols contra o Palmeiras.

Que jogo, meus amigos!

1 Trackbacks & Pingbacks

  1. A caminhada do Grêmio e o sonho pelo Tricampeonato - Cenas Lamentáveis

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.


*