Guarani Futebol Clube: um presente para Campinas

(Foto: Reprodução/Facebook/ Guarani Futebol Clube)

A ideia de criar o Guarani começou com doze jovens, os quais se juntaram e estavam decididos a criar um time de futebol para a cidade de Campinas. Eles atendiam pelos nomes de: Vicente Matallo, Antonio de Lucca, Pompeo de Vito, Romeo Antonio de Vito, Angelo Panattoni, José Trani, Luiz Bertoni, José Giardini, Miguel Grecco, Julio Palmieri e Hernani Felippo Matallo, reunindo-se no dia 1 de abril de 1911.

O nome foi escolhido em referência à obra mais conhecida do importante compositor campineiro Carlos Gomes, o mesmo que dava nome à praça onde foi realizada a reunião, chamada “Il Guarany”. Sua data de fundação ficou para um dia depois do encontro entre os adolescentes para evitar qualquer possível piada em relação ao Dia da Mentira.

Alguns meses depois de confirmada a criação do time, foi disputada a primeira partida, em 18 de junho, contra o Sport Club XV de Novembro, terminando com triunfo do Bugre pelo placar de 3 a 0. Com isso, aos poucos, o Guarani foi se consolidando como uma das grandes forças de Campinas e passou a disputar o Campeonato Paulista da Associação Paulista de Esportes Atléticos (APEA), sempre tendo boas campanhas.

Ganhando destaque, acabou rompendo com a Associação por ser contra a implantação do profissionalismo, passando a disputar apenas torneios regionais. Em 1942, retorna a Campeonatos Amadores do Interior, desta vez organizados pela Federação Paulista de Futebol.

As partidas eram disputadas no estádio chamado de Pastinho, porém, em 1953, o Brinco de Ouro da Princesa é construído graças ao dinheiro de torcedores do Guarani, sendo inaugurado em duelo diante do Palmeiras, que terminou com vitória dos campineiros por 3 a 1. Recebeu essa denominação por conta de matéria publicada pelo jornalista João Caetano Monteiro Filho no jornal “Correio Popular”, na qual dizia que o novo estádio em formato circular, semelhante a um brinco, seria um presente para a Avenida Princesa D’Oeste.

Destacando-se no futebol paulista, o Bugre estreou na elite do futebol nacional, em 1973, ao empatar pelo placar de 1 a 1 com o Nacional-AM, em Manaus. Sua campanha não foi das melhores, terminando na décima segunda colocação, e sendo eliminado logo na fase seguinte. No entanto, cinco anos mais tarde, veio a “bonança”.

Classificando-se com 16 pontos, na quinta colocação do grupo D, o Guarani também passou pela segunda fase, ao se classificar em quarto, em chave que contava com agremiações tradicionais como São Paulo, Vasco e Portuguesa. Na terceira fase, deixou para trás o Santos, avançando na primeira posição de um grupo de oito times, entre elas o Internacional.

Vieram então as quartas de final da competição e junto delas, a primeira vítima do Bugre. O Sport foi despachado com um placar agregado de 6 a 0. Na semi, superioridade diante do Vasco e triunfos por 2 a 0, e 2 a 1. A grande decisão aconteceu diante do Palmeiras e o placar foi o mesmo nos confrontos de ida e volta, 1 a 0 para os campineiros, tentos anotados por Zenon e Careca, garantindo a taça à agremiação interiorana.

Como prêmio pela conquista da taça, veio o direito de disputar a Copa Libertadores da América, na qual o Bugre fez excelente campanha, terminando na quarta colocação, atrás apenas de Olímpia-PAR, Boca Juniors e Independiente-ARG, ficando a frente de equipes tradicionais como Peñarol, Nacional-URU e Palmeiras.

O Guarani tem sua parte no polêmico Brasileirão de 1987, pois foi vice-campeão da segunda divisão ao perder para o Sport. Assim, a  Confederação Brasileira de Futebol (CBF) exigiu que Flamengo e Internacional disputassem a decisão do Campeonato Brasileiro com campineiros e pernambucanos, mas eles se recusaram. Por isso, o título foi dado ao Leão e o vice, ao Bugre.

Apesar das glórias passadas, o século XXI foi e continua sendo bastante conturbado para o Guarani, pois o time alternou entre rebaixamentos e acessos, tanto no Campeonato Paulista como no Brasileirão, juntando isso a uma situação financeira ruim e tentando, aos poucos, reerguer-se para voltar ao caminho das conquistas.

Foi responsável por revelar para o mundo do futebol grandes jogadores, como os atacantes Careca, Evair, Amoroso, Jonas e Luizão, os volantes Mauro Silva, Elano, Renato e Deco, os meio campistas Neto, Edílson “Capetinha”, os zagueiros Edu Dracena e Paulo André.

Possui em sua sala de troféus, um Campeonato Brasileiro (1978), um Campeonato Brasileiro Série B (1981), um Campeonato Paulista Amador (1944), um Campeonato Paulista Série A-2 (1949), cinco Campeonatos Paulistas do Interior (1944, 1972, 1973, 1974, 1975), três torneios Iniciais-Paulistas (1953, 1954, 1956) e doze Campeonatos Campineiros (1916, 1919, 1920, 1938, 1939, 1941, 1942, 1943, 1945, 1946, 1953, 1957).

 

Texto: Luiz Felipe Longo

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