A história do século XXI: a reconstrução da Chapecoense

O Verdão do Oeste vai para a segunda Libertadores com uma história que prova que nada é impossível

Neto, Alan Rushel e Folmann comemoram a vaga na Libertadores [Foto: Cahê Mota, Chapecó, SC]
Por Honorato Vieira, CE

Um dos enredos mais tristes da história do futebol vai virar de página em 2018. Após um pouco mais de um ano da tragédia com o avião da Chapecoense, que vitimou 71 tripulantes, a equipe do interior de Santa Catarina vai disputar a sua segunda Libertadores.

Em 2016, a delegação viajava com o sonho de um título internacional para carimbar a vaga no maior torneio continental do mundo. Infelizmente, a vaga veio sem um jogo oficial. Após a queda da aeronave, o Atlético Nacional abriu mão da taça para homenagear os falecidos.

O recomeço

Após o luto, a missão dos que resolveram comandar a Chape em 2018 era de reconstruir praticamente do zero. Sem diretores, jogadores ou comissão técnica, o elenco foi sendo moldado por Vágner Mancini, treinador escolhido para seguir o projeto. Com a ajuda de vários clubes, o plantel foi ganhando forma para os inúmeros compromissos que 2017 prometia.

Sob a batuta de Mancini, o Verdão do Oeste conquistou um inédito bicampeonato estadual e caiu de pé na Libertadores. A equipe bateu o Lanús, vice-campeão na temporada, mas foi eliminada por escalar o zagueiro Luiz Otávio de maneira irregular.

No Brasileirão, a inesperada liderança nas primeiras rodadas deu um ar de “Será?”. Rapidamente, as oscilações apareceram, a crise chegou e algumas mudanças no comando técnico foram inevitáveis.

Após as inúmeras viagens para o exterior para enfrentar Barcelona, Roma e Kashima Antlers, o regresso ao Brasil era com uma pulga atrás da orelha. Vagner Mancini, Vinicius Eutrópio e um curto período sob comando de Emerson Cris até a chegada do recém contratado, Gilson Kleina. O treinador viu um dos jogos chave para a retomada na competição. A vitória por 3 a 2, no Horto, diante do Atlético/MG foi a dose de motivação que o novo trabalho precisava.

A briga era contra o rebaixamento, mas a Chape foi além, como sempre, e viu uma vaga na Libertadores premiar os que se foram, os que ficaram e lutaram por eles. O honroso nono lugar foi a melhor posição da história do clube catarinense.

A lição

No futebol, dentro e fora das quatro linhas, a lição que a história da Chapecoense deixa é de que o planejamento tem suas imperfeições, mas o trabalho correto e bem executado é recompensado. A nova diretoria seguiu a filosofia de trabalho, seja na comissão técnica ou nas contratações de jogadores.

Para a vida, a história que fica é a de superação, solidariedade e amor. Sim, o amor. Diante de tanto choro, tristeza e pressão por resultados, a Chape foi singela, simples e solidária, como é o amor. Não cobrou nada em troca, não quis pena e lutou pelo o que acreditava. O voo dessa vez foi de felicidade. A vaga na Libertadores é uma homenagem para todos os envolvidos desde os eternos guerreiros até os que honraram o manto verde.

É a história mais cheia de sentimentos distintos que alguém pode contar. Aquele time sem expressão, afundado em dívidas e que entrava na Série D sem muita expectativa em 2009, passando pelo acesso na Série C em 2012 e a campanha que impressionou o Brasil, na Segunda Divisão, em 2013.

Na Série A desde 2014, o Verdão do Oeste nunca ficou tão ameaçado de rebaixamento, além de acumular resultados impactantes contra as grandes equipes brasileiras. No âmbito internacional, a Chapecoense chegou nas quartas de final da Sul-Americana em 2015 e levantou o caneco em 2016. Agora, irá para a sua segunda Libertadores seguida.

O feito é imenso. O choro de tristeza após a tragédia pauta cada conquista do clube. O recomeço será eterno e 71 mortos estarão com a Chape onde ela esteja. O time mais amado do Brasil é a mostra que nós podemos ser melhor a cada dia, que mesmo diante de uma tragédia tão grande, nós vamos conseguir nos levantarmos. A Chape sempre será assim. Pautada no amor, na solidariedade e nos bons exemplos, independente de qualquer coisa.

Parabéns, Chapecoense!

 Fiquem com a emocionante narração de Rafael Henzel no gol que classificou a Chape e o depoimento dos sobreviventes.

Fonte: Globo Esporte

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