Humilhações da Seleção Brasileira, até quando?

Por que a amarelinha perdeu o brilho nas competições e virou motivo de chacota para os outros países?

Renato Augusto cabisbaixo após mais uma humilhação da seleção brasileira (Foto: AFP PHOTO/ Timothy A. CLARY)
Renato Augusto cabisbaixo após mais uma humilhação da seleção brasileira (Foto: AFP PHOTO/ Timothy A. CLARY)

A Seleção Brasileira de Futebol foi eliminada na primeira fase da Copa América Centenária disputada nos Estados Unidos, fato que não acontecia há trinta anos e ocorreu, mais uma vez, nesses 100 anos de competição. Soma-se mais um vexame à recente lista de humilhações da seleção nacional: eliminados num grupo fácil que tinha Peru, Haiti e Equador. Fora da zona de classificação para a próxima Copa do Mundo, fracasso na Copa América do ano passado e finalmente a derrota por 7 a 1 na semifinal da última Copa. Até quando Brasil? Até quando?

O fato é que a seleção perdeu o respeito que tinha, tanto por parte dos adversários quanto por nós brasileiros. A recente eliminação não causou indignação e sim foi motivo de chacota por parte dos torcedores, até mesmo a retumbante goleada aplicada sobre a fraquíssima seleção do Haiti, por 7 a 1, serviu-nos apenas para relembrar e tirar sarro da humilhante goleada sofrida para a Alemanha. No exterior então, somos motivos de risada, tanto é que os torcedores da seleção da Irlanda do Norte, que irá enfrentar a Alemanha na Eurocopa, ostentou uma bandeira avisando os alemães que eles não são o Brasil. Sim, eles não são o Brasil. Eles não têm as 5 estrelas na camisa. Após tantos vexames e derrotas, parece que nós (e boa parte do mundo) esquecemos o tamanho do Brasil para o futebol mundial.

Nesta segunda-feira, poucos brasileiros acordaram tristes pela derrota da seleção. Justamente o contrário. São-paulinos acordaram felizes por ter Rodrigo Caio e Ganso de volta ao time (estes que foram aos EUA a passeio), santistas ainda mais eufóricos com o retorno de Lucas Lima e Gabigol, e as cenas se repetem com diversos times brasileiros: os interesses pelo clube estão (muito) acima dos interesses pela seleção nacional. Essa falta de atenção que o canarinho recebe é fruto não só de resultados ruins, mas também de escândalos de corrupção e casos de má administração que eclodem a cada mês na Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e só aumentam a antipatia em que vemos o time. Jogadores que construíram sua carreira toda na Europa também não tem a empatia do púbico, mas, no passado, não era tão diferente quanto pensamos.

Em 2001, o Brasil perdeu para a Honduras e foi eliminado da Copa América e um ano depois, foi campeão do mundo. A base brasileira atuava toda em gramados europeus e a bagunça na confederação era a mesma que existe hoje, quiçá até pior. Mesmo assim vencíamos, pois nossos jogadores eram tão talentosos e acima da média que por si só conseguiam derrotar qualquer seleção do mundo. Hoje, infelizmente, não temos esses craques. O único que temos é jovem e muitas vezes imaturo, e colocamos em cima dele uma pressão enorme para que ele consiga carregar a seleção (o que convenhamos, ele às vezes faz) porque nos acostumamos a jogar em cima do talento individual de nossos atletas. Com ele nosso time, não temos esquema tático nem padrão de jogo, mas no brilho técnico ainda conseguimos os resultados. Sem ele é terra arrasada! Nesse aspecto, nos distanciamos cada vez mais das grandes seleções do mundo e nos assemelhamos à seleções como a Suécia, de Ibrahimovic, e o Portugal, de Cristiano Ronaldo, apegadas a um jogador muito acima da média que, quando eles não estão presentes ou quando não fazem boa partida, não têm forças para amedrontar nem seleções muito menos poderosas.

É preciso, porém, ver com cautela mesmo estando longe de termos como “os melhores jogadores do mundo”.  Ainda temos boas peças que poderiam render um ótimo time se fossem organizadas: Coutinho, Willian e Douglas Costa são coadjuvantes sim, mas seriam titulares em 70% ou 80% das seleções do mundo. Entramos, então, no aspecto do treinador que, aliás, é essencial para a construção de uma seleção forte. A saída de Dunga e a chegada de Tite sinaliza um avanço, mas ainda é pouco. Se tivermos um treinador competente que monte uma defesa sólida e um meio campo eficiente, a criatividade e o talento de Neymar se sobressairão no ataque e nos resultados. Assim, consequentemente, a empatia do público e também o respeito dos adversários voltarão finalmente para a seleção mais vezes campeã do mundo.

Ficamos na esperança de dias melhores para o Brasil dentro de campo porque no quesito na direção do futebol nacional fora dele, a bagunça continua a mesma e muito longe de melhorar. Mas isso, meu amigo… Ah! Isso é outra história.

Texto: Juliano Damas

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