A incrível Bulgária de 1994

Campanha ficou marcada na história da seleção

A Bulgária nunca havia ganho um só jogo em Copas do Mundo. (Foto: Google)
Por Alexandre Greco, CE

O ano 1994 teve uma das Copas do Mundo mais loucas que se tem notícia, num pais sem tradição futebolística, com partidas insanamente sendo disputadas ao meio dia em pleno verão de rachar a moleira. Sabemos perfeitamente que foi a Copa de Romário, Bebeto e cia, mas várias equipes fizeram campanhas surpreendentes, entre elas, a excelente Bulgária, que chegou ao 4º lugar capitaneada pelo Cristo, aliás, Hristo Stoichkov! Nunca antes na história do universo do futebol a Bulgária havia ganho um mísero jogo em Mundiais, mas em 94, com a demanda reprimida, eles quebraram logo todos os tabus e chegaram à semifinal, deixando o México e Alemanha, então campeã mundial, pelo caminho.

Os EUA recebiam pela primeira vez um campeonato mundial de “soccer”, em pleno verão estadunidense com temperaturas que chegavam a mais 40°c e partidas disputadas entre 11h e 13h, realmente as condições climáticas eram pouco favoráveis a prática do esporte, mas isso não pesou para a Bulgária no início da competição; caindo em uma chave que, na melhor das hipóteses, poderia levar a equipe búlgara á um honroso “melhor terceiro lugar” que classificaria a seleção para a segunda fase.

Logo na primeira partida um vareio nigeriano, esmagadores 3 a 0, com direito a baile de futebol. Parecia que a Bulgária repetiria as copas anteriores e cumpriria o papel de saco de pancadas. A Grécia era a grande adversária pelo pretenso terceiro lugar, mas foi devolvido o placar de estreia com um saldo a mais pra ficar bonito, 4 a 0 e que venha a poderosa Argentina de Caniggia, Redondo, Batistuta e Maradona, que não jogaria contra a Bulgária por ter sido pego no anti dopping e acabaria expulso da Copa. O que aconteceu foi um grande jogo da Bulgária e uma vitória incontestável por 2 a 0 com gols de Sirakov e de Stoichkov.

Hristo Stoichkov, craque da Bulgária e artilheiro da Copa 94. (Foto: Google)
Hristo Stoichkov, craque da Bulgária e artilheiro da Copa 94. (Foto: Google)

A equipe avançou de fase pela primeira vez. Nas oitavas o adversário seria o organizado México. O jogo foi tenso e o placar de 1 a 1 se arrastou até o final, levando a partida para os pênaltis. Aí apareceu o goleirão Mikhailov e catou duas cobranças, levando o time para as quartas de final. A Bulgária empolgou para o confronto diante da atual campeã Alemanha, que na época não vinha tão bem, mas contava com jogadores muito experientes como Kohler, Matthaeus, Klinsmann e Voller. Com muita tradição, eram os favoritos.

O primeiro tempo passou sem nenhuma das equipes abrir o placar. O calor era insuportável e o desgaste dos jogadores eram evidentes até que Matthaeus deixou os alemães em vantagem logo no início do segundo tempo, A Bulgária correu atrás do resultado e Hristo cobrou uma falta perfeita, marcando um golaço, que hidratou o time. Poucos minutos depois o carequinha Letchkov venceu a zaga e virou o jogo.  A partir daí os alemães tentaram de tudo mas pouco fizeram. O desgaste era visível e a Bulgária avançou, intrépida, à improvável semifinal diante da Itália de Roberto Baggio.

A Azzurra tinha aquele estilo conhecido, marcava muito bem, era elogiada pelos comentaristas que só falavam sobre seu “sistema defensivo”, era forte mesmo, no gol Pagliuca, a zaga era composta por Benarrivo, Mussi, Maldini e Costacurta, protegendo a zaga Albertini e Dino Baggio, que foi substituído no jogo por Antonio Conte, era realmente uma defesa fantástica. A Bulgária só contava com seu principal jogador para furar esse sistema. Problema que tinha um outro Baggio, mais a frente, que estava inspirado e carregava as vitórias de seu time nas costas. O atacante marcou dois gols antes dos 30 do primeiro tempo. Com aquele calor e o desgaste por decisões seguidas contra México e Alemanha, a Bulgária até esboçou uma reação com Stoichkov de pênalti, mas não foi suficiente.

Na disputa do terceiro lugar perderam novamente, dessa vez para a Suécia, que havia caído para o Brasil nas semis. Hristo foi artilheiro da Copa com seis gols, ao lado de Oleg Salenko. Também formou, com Romário e Baggio, o trio de craques da competição e entrou pra história dos mundiais junto com sua valente seleção.

Time Base: Mikhailov; Kremenliev (Kiriakov), Ivanov, Hubchev, Tsvetanov; Yankov, Letchkov, Sirakov (Borimirov), Balakov; Stoichkov e Kostadinov. Técnico.: Dmitar Penev (Foto: Agência O Globo)
Time Base: Mikhailov; Kremenliev (Kiriakov), Ivanov, Hubchev, Tsvetanov; Yankov, Letchkov, Sirakov (Borimirov), Balakov; Stoichkov e Kostadinov. Técnico.: Dmitar Penev (Foto: Agência O Globo)

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