A incrível história da Romênia de 1994

O esquadrão amarelo que levou o futebol romeno para a eternidade

A papa-gigantes Romênia fez história na Copa de 94 (Foto: Reprodução/Pesmitidelcalcio.com)
Por: Max Galli, SP

Foram 10 anos de brilhantismo romeno. A história começou no fim dos anos 80 com a conquista do Steaua Bucareste da Liga dos Campeões da UEFA. O único título do país no torneio dava uma mostra de que a época de ser mero coadjuvante na Europa acabaria. A Romênia tinha uma base sólida para a Copa do Mundo de 1990, porém parou nas oitavas-de-final, mas tudo seria bem diferente no Mundial seguinte. A Seleção ficou conhecida como papa-gigantes, por uma geração que parecia uma orquestra: dava prazer em assistir.

O técnico Anghel Iordanescu comandava a equipe no esquema 4-4-2, que parecia ser bem defensivo, mas tinha alçadas bem verticais e dois atacantes velozes com sede de marcar gols. Nas eliminatórias para o Mundial dos Estados Unidos, o plano de jogo era o mesmo da Copa anterior, com seis dos convocados que atuaram naquele torneio. Os romenos ficaram em primeiro num grupo que aparentemente era fácil. Com a classificação assegurada e com um belo futebol apresentado, a equipe chegava com grandes esperanças na terra do Tio Sam.

 

Equipe base da Romênia em 94 (Foto: Reprodução/TacticalPad)
Equipe base de Iordanescu na Copa do Mundo dos EUA em 94 (Foto: Reprodução/TacticalPad.com)

A Copa do Mundo de 1994.

A Romênia caiu no Grupo A que também tinha os donos da casa, a Suiça e, até então favoritos para a conquista do Mundial, a Colômbia que vinha embalada de uma eliminatórias de grande sucesso com direito a um 5 a 0 contra a Argentina dentro da casa dos hermanos. Logo na estreia enfrentaria a equipe de Valderrama, Rincon, Asprilla e companhia. De cara, um grande desafio para por em prova tudo que vinha sendo produzido pelo time.

Eis que surge o maestro Hagi para reger sua orquestra diante do estádio Rose Bowl tomado de cor amarela. A Romênia tomou conta da partida logo de início e, num lance do camisa 10 que roubou a bola na intermediária, acabou com gol de Raducioiu. 1 a 0. O meia ainda tentou um lance mágico ao perceber o goleiro Córdoba adiantado e mandar por cobertura, mas por cima da trave. Mas ele não desistiu.

Em um lance na esquerda, cruzou, a bola fez um efeito e acabou no fundo das redes. Um gol que mostrava a mágica de um maestro. A Colômbia ainda diminuiu no fim do primeiro tempo, mas depois não conseguiu produzir mais nada. Ainda deu tempo de Raducioiu fechar o placar ao final da partida e selar a vitória romena, por 3 a 1. Início espetacular para dar ainda mais moral para a equipe.

Hagi marca Valderrama na partida com vitória romena (Foto: Reprodução/YouTube)
Hagi marca Valderrama na partida com vitória romena (Foto: Reprodução/YouTube)

Na segunda partida, a Romênia chegava com mais impeto e enfrentaria uma das equipe com pouca tradição em Copas do Mundo, a Suiça. Mas foi um jogo para se esquecer, numa partida desastrosa da zaga e do goleiro Stela, a equipe foi vazada quatro vezes e perdeu por 4 a 1. Assim levaria uma grande pressão para o jogo seguinte contra os donos da casa que vinham de uma vitória em grande estilo contra os colombianos. Num Rose Bowl tomado de norte-americanos, o técnico Iordanescu mandou Prunea para o gol no lugar do então titular, Stela. A zaga recuperou a confiança e assim deixou o ataque mais tranquilo. Petrescu abriu o placar e os amarelos seguraram o resultado para garantir a classificação como primeiro do grupo.

A Romênia chegava novamente até as oitavas-de-final da Copa do Mundo e dessa vez enfrentaria um adversário ainda mais forte e sempre favorito nos campeonatos que entra: a Argentina de Redondo, Ortega, Simeone e Batistuta, mas que estava desfalcada de Maradona pego no exame antidoping. Tendo em vista a qualidade da equipe que enfrentaria, Iordanescu quis fechar ainda mais a defesa romena com um homem a mais na linha de zaga, tirando o artilheiro Raducioiu do time titular e liberando ainda mais o mestre Hagi. Novamente, o palco da batalha seria o Rose Bowl, um verdadeiro amuleto para os amarelos na campanha do Mundial dos EUA.

O time do Leste Europeu simplesmente comandava o confronto até que aos 11 minutos Dumitrescu bateu uma falta com extrema qualidade, golaço: 1 a 0. Mas logo em seguida, o artilheiro Batistuta igualou o placar. Aos 18, linda troca de passes entre Dumitrescu e Hagi, onde o camisa 11 estufou as redes novamente deixando os amarelos em vantagem e assim ficou na primeira metade da partida.

Na volta do intervalo, o goleiro Islas salvou e muito a meta dos argentinos, mas não estava páreo para a dupla Dumitrescu e Hagi, que aos 13 do segundo tempo armaram um contra-ataque mortal. O camisa 10 só teve o trabalho de tirar do goleiro. Mais um lindo gol dos romenos na Copa do Mundo. Os argentinos tentaram mais alguma coisa, mas mesmo com o gol de Balbo no meio do segundo tempo não conseguiram reagir: 3 a 2 e a Romênia passava para as quartas-de-final pela primeira vez, tirando uma das favoritas ao título. Uma partida que o maestro deixou sua orquestra o reger e a ideia de Iordanescu prevaleceu.

O técnico Anghel Iordanescu é erguido pela equipe após a vitória contra a Argentina (Foto: Reprodução/FRF)
O técnico Anghel Iordanescu é erguido pela equipe após a vitória contra a Argentina (Foto: Reprodução/FRF)

Nas quartas-de-final, a equipe romena encarou a Suécia que vinha com uma bela campanha, principalmente pela ofensividade. Entretanto, a Romênia chegava diferente para a partida que era longe do Rose Bowl e sem a cor habitual e emblemática, o amarelo dava lugar ao vermelho no uniforme. Iordanescu voltou ao 4-4-2 e recolocou o artilheiro Raducioiu de volta ao ataque o que fez aumentar o ímpeto da equipe do leste europeu.

O primeiro tempo foi equilibrado indicando que a partida seria decidida em um erro. No segundo tempo foi ainda mais corrido e com várias chances, aos 33 minutos, a Suécia conseguiu abrir o marcador com grande jogada ensaiada numa falta. Mas os romenos não desistiram e aos 43, Raducioiu estava no local certo e na hora certa após cruzamento na área e empatou a partida. O duelo foi para prorrogação. No início do tempo complementar, o artilheiro romeno não perdeu a chance deixada por um erro da zaga sueca e virou o marcador: 2 a 1.

O sonho da semifinal estava ainda mais perto depois que os escandinavos ficaram com um a menos. Mas aos 10 minutos da segunda etapa da prorrogação veio o balde de água fria. Prunea saiu errado numa bola alçada na área e Andersson empatou novamente. Penalidades. Nas cobranças, o goleiro sueco Ravelli foi o personagem principal defendendo duas cobranças e levando a Suécia para a semi-final e acabando com o sonho romeno.

Hagi sofreu com a marcação forte dos suecos (Foto: Reprodução/Getty Images)
Hagi sofreu com a marcação forte dos suecos (Foto: Reprodução/Getty Images)

O mundo todo achou uma injustiça a geração que vinha desde a conquista do Steaua em 86 não ter chegado mais longe naquela Copa do Mundo. Hagi e companhia ficaram marcados na memória dos saudosistas do futebol ofensivo e bem apresentado. Assim como a ideia colocada em jogo por Iordanescu. A orquestra regida por um maestro eterno ainda será música aos nossos ouvidos e colírio para os olhos ao rever as imagens daquele Mundial inesquecível para os romenos.

Fontes: Bola na Rede, Canelada, De Letra na Copa

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