A inesquecível Holanda de 1974

A geração de ouro holandesa de Cruyff e companhia

"O mágico Carrossel de 1974" (Foto: Reprodução/comabolatodafc.blogspot.com)
Por: Victor Portto, CE

Jan Jongloboed; Win Suurbier, Arie Haan, Win Rijsbergen e Ruud Krol; Win Jansen, Johan Neeskens e Van Hanegem; Rob Rensenbrink, Johan Cruyff e Johnny Rep. Técnico: Rinus Michels. Essa é a escalação e o técnico de uma das equipes mais encantadoras da história do futebol mundial, “o Carrossel Holandês de 1974”. Falar desta obra de arte em forma de time representa revisitar não só um modelo de jogo, mas uma concepção de ideias que sempre gostamos de ver no futebol: jogar bonito, se movimentar intensamente e marcar de maneira insana. Em suma, é o que todo peladeiro acha que sabe e gosta de fazer e que queria demais ver o seu time conseguir aplicar tais ideias dentro de campo.

Como os bons conhecedores de futebol sabem, o Ajax foi a grande influência do “Carrossel Holandês” por conta do técnico (Rinus Michels) da seleção ser o mesmo do time nos grandes títulos europeus da década de 70 e o grande maestro da equipe ser o craque do time holandês campeão europeu (Johan Cruyf). Mas o que pouca gente sabe é que o Feyenoord também ajudou e muito a montar aquele esquadrão com sete atletas vindos da sua base – os titulares Rijsbergen, Jansen e Van Hanegem, e os reservas De Jong, Israel, Treijtel e Vos. Outro tópico relevante e de pouco conhecimento do público é que o princípio do futebol total (base do pensamento da “Laranja Mecânica”) não nasce com Rinus Michels. Ele vem das décadas de 20 e 30 com os ingleses John Jack Reynolds (Rinus aperfeiçou as ideias de jogo de seu ex-comandante, tendo sido treinado por ele quando era jogador) e Herbert Chapman, treinando o Ajax e o Arsenal, respectivamente, e aplicando a estes times o esquema de movimentação intensa e valorização da posse da bola que marcaria a Holanda.

"O esquema tático da inesquecível Holanda de 74" (Foto: Reprodução/imortaisdofutebol.com)
“O esquema tático da inesquecível Holanda de 74” (Foto: Reprodução/imortaisdofutebol.com)

O sistema de jogo holandês era em tese o 4-3-3, mas era possível observar que dependendo dos momentos dos jogos podia se transformar em outros três sistemas: 1-3-3-3, 3-4-3 e 4-3-1-2. Não a toa os jogadores eram chamados de bailarinos, por rodarem e trocarem de posições com muita facilidade, além de nesses movimentos fortalecerem a sua forma de marcar. A linha de impedimento facilitava o trabalho dos defensores, que por estarem em tese sempre em menor número que o ataque adversário no plano tático, recorriam a essa prática de forma muito coordenada juntamente com todo o resto da equipe e assim acabavam aparecendo em superioridade na marcação no final das contas. Formando uma verdadeira caça ao portador da bola e aos fechamentos de qualquer espaço de passe que ele pudesse ter. Darío Pereira (grande ídolo do São Paulo) disse que em determinado momento do jogo contra os holandeses na Copa de 74 clamou por sua mãe, devido a grande dificuldade em ficar com a bola.

Encaixotar, sufocar, cansar e enlouquecer a equipe adversária poderia ser a melhor descrição para o que os holandeses faziam naquela marcação pressão absurda. Veja o vídeo abaixo e tente lembrar de algum time que fez algo parecido com esse tipo de marcação…o Guardiola até que tenta, mas ainda passa longe disso.

Técnica, raça, entendimento tático e obediência tática, às vezes até com uma certa dose de violência na marcação, foi assim que os holandeses conseguiram reunir da classe à catimba em um só esquema. Vendo os vídeos da época e analisando cada jogador, é possível notar que: Cruyff era um maestro que ia da sua área a área adversária (por todos os pontos do campo), todos tinham a liberdade de atacar e a obrigatoriedade de defender, os jogadores giravam de posição (por isso o nome de Carrossel) tanto marcando quanto atacando e havia sim um único pecado…o deslize no aproveitamento de chances, pois a equipe perdia muitos gols.

No plano ofensivo, algo bem diferente para a época, o máximo de jogadores no campo adversário para dar opções de passe, trocas de posições instintivas (do lateral virando centroavante ao atacante virando lateral esquerdo) para confundir a marcação e passes procurando sempre os espaços vazios ou os companheiros menos marcados. Resumindo, era impossível saber quem estaria em qualquer faixa do campo para receber a bola e assim quase toda a marcação adversária necessitava de um preparo físico invejável para conseguir parar essas trocas.

Mas o que mais encantava, ao autor do texto, nesta seleção era a originalidade, a genialidade e a infantilidade que se tinha no próprio futebol do “Carrossel Holandês”. Infantilidade? Você deve estar se perguntando o porque desta palavra vindo de um sistema de jogo tão complexo. Pois bem, infantil porque os holandeses prezaram pelas coisas que mais fazemos quando somos crianças com a bola: tocar a todo momento a pelota, marcar de forma “desordenada” avançando todos ao mesmo tempo no jogador adversário, todo mundo atacar que nem naquela pelada de rua que aprendemos a amar na infância e, sobretudo, se divertir enlouquecendo os outros em campo. A Holanda não ganharia aquela Copa e nunca mais viria a encantar o mundo de forma tão original quanto aquela, mas ganharia para sempre o coração e a memória dos apaixonados por futebol.

Esse foi com certeza um esquadrão antológico que eu queria ter visto, fica a inveja de quem pôde acompanhar esses caras jogando na época e o esclarecimento do porque esse time foi demais e encanta até hoje. Apenas uma Copa do Mundo com essa marca, mas que deixou admiradores no mundo inteiro. Segue abaixo os jogos daquele inesquecível baile holandês em 1974 e uma reportagem interessante falando sobre como foi aquele mundial para os próprios holandeses:

1ª FASE

15/6/1974 (Hannover)       Uruguai 0 x 2 Holanda

19/6/1974 (Dortmund)        Holanda 0 x 0 Suécia

23/6/1974 (Dortmund)       Bulgária 1 x 4 Holanda

2ª FASE

26/6/1974 (Gelsenkirchen)    Holanda 4 x 0 Argentina

30/6/1974 (Gelsenkirchen)    Alemanha Or. 0 x 2 Holanda

03/7/1974 (Dortumund)         Holanda 2 x 0 Brasil

FINAL

07/7/1974 (Munique)  Holanda 1 x 2 Alemanha Oc.

 

Fonte: Imortaisdofutebol.com, revistaforum.com, gqglobo.com, comabolatodafc.blogspot.com

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.


*