Internacional: o dia em que a teimosia e a arrogância levaram à queda do gigante

Erros da atual gestão fizeram com que o clube deixasse o seleto grupo dos incaíveis

Foto: Gustavo Granata/Estadão Conteúdo
Por: Jean Costa, RS

Aconteceu! O pesadelo interminável que a torcida do Inter tanto temia aconteceu. O caos foi por fim totalmente estabelecido. Em meio a várias trocas de treinadores e uma administração completamente perdida, a queda do gigante aconteceu. Em 10 anos, o Internacional foi de Tóquio à Série B. Há quem fale de Argel e Falcão, mas os problemas começaram quando Piffero ganhou a eleição, mesmo que na época isso não se mostrasse evidente devido ao então presidente ser sinônimo de títulos.

Time na Libertadores. O estádio estava sob o controle do clube. Tinha tudo nas mãos, mas Piffero foi pífio. Esnobou Abel Braga e Mano Menezes, dizendo que contrataria Tite e por fim, descartou um técnico estrangeiro. Uma semana se passou e  a ironia do destino aconteceu, Diego Aguirre contratado. O uruguaio foi uma das descrições da palavra inconsistência. Os problemas de preparação física e o início do brasileiro poderiam ter feito com que fosse demitido antes de um dos maiores fiascos da gestão.

O presidente demitiu o técnico véspera de um GreNal. Demitir treinador em véspera de um clássico é algo completamente arriscado e, dessa vez, o “quem não arrisca não petisca” foi por água abaixo. Depois do passeio sofrido na Arena, Argel assumiu e por pouco não ocorreu a volta do colorado a Libertadores. O colorado ganhou o Gauchão e chegou a estar na liderança do Brasileirão, o que parecia um cenário bom para clube, logo se tornou complicado e problemas como a arrogância surgiram.

O Internacional chegou a liderar o Brasileiro sob comando de Argel (Foto: Ricardo Duarte/Inter)
O Internacional chegou a liderar o Brasileiro sob comando de Argel (Foto: Ricardo Duarte/Inter)

Então, veio o mês de junho. O Internacional recebeu no Beira-Rio o Botafogo, que estava na zona de rebaixamento, e tinha o pior ataque do campeonato. O Inter não só perdeu, mas tomou 3 e viu a sorte dar adeus ao clube. Não foi só o Botafogo que derrotou o colorado, foram derrotas atrás de derrotas a ponto de quem vos escreve perder a conta. Em meio ao caos, o amigo de longa data e um dos ídolos máximos da história do clube, Paulo Roberto Falcão, aceitou comandar o Internacional. Infelizmente, o ídolo nada conseguiu fazer. A pressão por resultados era grande demais e para um ídolo do tamanho de Falcão. Um cenário desses não é nada agradável. O colorado perdeu e perdeu e perdeu e perdeu ainda mais.

Falcão comandou o Internacional por apenas 5 jogos(Foto: Ricardo Duarte/Inter)
Falcão comandou o Internacional por apenas 5 jogos(Foto: Ricardo Duarte/Inter)

Veio a então “Swat Colorada”, Fernando Carvalho, Ibsen Pinheiro, Drummond e Roth. Nomes de respeito que pareciam sintoma de que logo o clube sairia dessa, que nada, algo a mais estava errado dentro do clube. As coisas pioraram ainda mais.

De salvação a vexame: a famigerada Swat colorada (Foto: Ricardo Duarte/Inter)
De salvação a protagonistas do capítulo lamentável: a Swat Colorada (Foto: Ricardo Duarte/Inter)

Mas porquê o Waldemar? Digo, Celso Roth

Roth até poderia ter dado certo se a situação tivesse ocorrido alguns anos atrás, mas a verdade é que agora o técnico faz parte dos dois maiores vexames na história do Inter. É bem verdade que o mesmo até deu uma Libertadores para o clube e tirou leite de pedra do maior rival no Brasileiro de 2008, mas quem vive de passado é museu. Todo técnico precisa se reinventar em algum momento, Roth não o fez. E como se todo o caos não bastasse, tem detalhes que conseguem piorar a situação ainda mais.

Quando o Internacional demitiu Falcão para que a Swat assumisse o comando do vestiário, o treinador colorado não contava com Danilo Fernandes, Ceará, William, Rodrigo Dourado, Eduardo Henrique, Nico López e Valdívia jogava, mas estava em má fase. Celso Roth assumiu e recebeu este grupo de jogadores que faz mais de meio time. Em material humano o time melhorou bastante, mas com Celso o time piorou. Talvez, se o treinador tivesse sido demitido uma ou duas rodadas antes, o Internacional poderia ter escapado da queda.

Uma das maiores irritações da torcida com técnico e direção tem nome e sobrenome: Luis Seijas. Não se sabe o motivo do venezuelano não ter tido muitas oportunidades, quando teve, mostrou serviço, mas alguma coisa tinha e quem sabia isso um dia venha à tona. Nem sequer na Copa do Brasil o meia teve oportunidades. Contra o Atlético-MG, a equipe precisava reverter o resultado e Seijas era um dos nomes para quem sabe conseguir o feito. O meia ficou no banco e viu sentado a eliminação. Reserva da equipe titular no Campeonato Brasileiro e reserva dos reservas na Copa do Brasil, o meia foi subaproveitado pelo treinador.

Celso errou e muito, mas o treinador é menos culpado que Piffero, Carvalho e o resto da “Swat”. Após a saída de Roth veio Lisca, que até melhorou a equipe, mas já era tarde demais para reverter a situação do clube do povo.

Apesar da queda, existem pontos positivos na temporada desastrosa como o goleiro Danilo Fernandes (Foto: Reprodução / Correio do Estado)
Apesar da queda, existem pontos positivos na temporada desastrosa como o goleiro Danilo Fernandes (Foto: Reprodução / Correio do Estado)

A queda tem os seus culpados é verdade, mas dizem que há males que vem para o bem. Quem sabe com a queda o colorado tire lições valiosas para que no futuro não cometa erros que foram cometidos nessa última temporada. Agora é hora de analisar o que outras equipes que caíram fizeram para se reerguerem. Copiar o acerto dessas gestões que recoloram os clubes no devido lugar e evitar errar. Antônio Carlos Zago já foi anunciado como novo técnico. O ex-zagueiro tem potencial e pode ser o que o clube precisa para recomeçar. São tempos novos no Beira-Rio, é momento de se reciclar.

Fontes: Gazeta Esportiva

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