Internacional x São Paulo: a América é colorada

Em 2006, Internacional e São Paulo protagonizaram uma final épica de Libertadores. Dois verdadeiros jogos memoráveis

Capitão e ídolo colorado, Fernandão ergue a Libertadores de 2006 (Foto/Reprodução: youtube.com)

De um lado, o campeão da América na época e dono de 3 títulos. Do outro, um time que estava sedento para obter o seu primeiro título na competição e, enfim, pintar o continente de colorado. A final da Libertadores de 2006 tinha tudo para ter dois jogos inesquecíveis, memoráveis e simplesmente históricos. Então, São Paulo e Internacional aceitaram o desafio e deixaram um belíssimo capítulo na história da competição mais CL do nosso continente.

Ambas as equipes chegaram na final da competição com muita moral. O tricolor havia terminado a primeira fase com o primeiro lugar de seu grupo, formado por Caracas, da Venezuela, Guadalajara, do México e Cienciano, do Peru, passando pelo Palmeiras nas oitavas, Estudiantes nas quartas (classificando nos pênaltis) e Guadalajara na semifinal. O Internacional terminou na liderança do seu grupo composto pelo Nacional, do Uruguai, Unión Maracaibo, da Venezuela e Pumas, do México, eliminando o Nacional, LDU e Libertad respectivamente. Confira todos os gols da campanha Colorada na Libertadores de 2006:

Sabendo disso, vamos ao que interessa, confrades! O primeiro jogo memorável veio a acontecer no dia 09 de agosto de 2006, em um Morumbi completamente lotado. Os donos da casa valorizavam bem a bola no começo do jogo, porém, a tensão de uma final de Libertadores fez com que o volante Josué fosse expulso com menos de 10 minutos após das uma cotovelada na nuca de Rafael Sóbis. Atacante, aliás, que se tornaria um ídolo da torcida colorada em questão de tempo.

Com um homem a menos, o São Paulo se viu obrigado a não ir com tanto ímpeto ao ataque colorado e o primeiro tempo foi se arrastando com a legítima cara de Libertadores: jogadores das duas equipes discutindo entre si, goleiros aparecendo bem após cruzamentos lançados na área e muita, muita tensão.

O segundo tempo começa e com ele a predestinação de Rafael Sóbis, que precisou apenas de 16 minutos para se tornar um dos jogadores mais importantes da história do Inter. Aos 8, o atacante colorado recebe a bola na entrada da área, dá um drible de corpo e fuzila no canto direito de Rogério Ceni, abrindo assim o marcador no Morumbi e deixando a torcida tricolor sem reação. Inter 1 a 0.

O São Paulo havia sentido o gol e o Inter soube aproveitar o momento para deixar a América perto de suas mãos pela primeira vez. Aos 16 minutos, Alex cruza da esquerta para área tricolor e Fernandão escora para o meio, Tinga cabeceia na trave e, no rebote, ela sobra limpa para Sóbis (O Predestinado) bater com calma mais uma vez no canto esquerdo de Rogério Ceni e fazer 2 a 0 na final da Liberta.

Com o resultado a favor, o Inter de Abel Braga passou a se defender e o São Paulo de Muricy começou a fazer uma pressão absurda. E ela teve resultado. Aos 30 minutos, após bola lançada na área, Edcarlos sobe mais que a zaga colorada e cabeceia com categoria no canto esquerdo do goleiro Clemer. São Paulo 1 a 2 Internacional. Após este gol, Clemer apareceria como um personagem marcante ao fazer defesas importantíssimas no duelo. A final estava em aberto e o segundo jogo prometia ser digno de cinema!

Após atuação emblemática no primeiro jogo, Sóbis virava ídolo da torcida colorada (Foto/Reprodução: youtube.com)
Após atuação emblemática no primeiro jogo, Sóbis virava ídolo da torcida colorada (Foto/Reprodução: youtube.com)

O segundo jogo memorável aconteceu já na semana seguinte, no dia 16 de agosto de 2006, para um público de 45 mil pessoas no Estádio Beira-Rio. O Inter jogava por um empate para conquistar a América, cabendo assim, ao São Paulo, apenas a vitória. Com tamanha desvantagem, o tricolor paulista logo foi pra cima do colorado, e era possível notar desde os minutos iniciais que a Libertadores presenciaria mais uma partida de final memorável entre as equipes.

Aos 6 minutos, Danilo recebe de Aloísio e livre de marcação bate colocado no ângulo direito do goleiro Clemer, que faz uma defesa emblemática mandando a bola para a linha de fundo. Na cobrança do escanteio, o zagueiro Lugano aparece livre na pequena área e isola a bola perdendo um gol absolutamente incrível. E igual diria o treinador são paulino na época, Muricy Ramalho: “A bola pune!”.

O Inter chegava com perigo ao gol tricolor com as bolas cruzadas na área. E foi assim que os donos da casa aumentaram a vantagem na grande final. Aos 29, após cobrança de falta pela direita, Rogério Ceni tenta fazer a defesa em dois tempos na pequena área e Fabiano Eller consegue tocar de biquinho para Fernandão,  com o gol aberto, abrir o marcador no jogo da volta. Inter 1 a 0.

Fernandão comemora o primeiro gol da partida de volta, no Beira-Rio (Foto/Reprodução: globoesporte..com)
Fernandão comemora 1° gol na partida de volta. São Paulo precisava virar o jogo para ser campeão (Foto: Reprodução/Globoesporte.com)

Tendo a necessidade de virar o jogo, o São Paulo veio mais aberto para o segundo tempo e logo conseguiu um gol que deixaria o jogo ainda mais quente, e memorável. Aos 5 minutos, Souza manda a bola para a entrada da área em cobrança de falta, Lugano desvia de cabeça e ela sobra livre para o zagueiro Fabão empatar a partida em Porto Alegre e deixar a competição totalmente em aberto novamente. Inter 1 x 1 São Paulo.

O gol tricolor fez os donos da casa passarem 15 minutos de total apreensão, porém, o Beira-Rio voltou a comemorar. Aos 20, Sóbis recebe na entrada da área e toca para Ceará cruzar na cabeça de Fernandão, o atacante colorado cabeceia com estilo e Rogério Ceni faz uma linda defesa. No rebote, a bola volta nos pés de Fernandão que com toda a calma do mundo cruza na cabeça de Tinga, na pequena área, fazer o segundo gol dos donos da casa e praticamente pintar a América de vermelha. Na comemoração, Tinga, que já tinha amarelo, recebeu o segundo e foi expulso após levantar a camisa.

Mas o São Paulo era o atual Campeão da América e atual Campeão do Mundo e tinha um time respeitável, com figuras totalmente CL’s, e mesmo faltando pouco tempo fez a final ficar em aberto novamente. Aos 39 da segunda etapa, Aloísio Chulapa faz bem o pivô na área colorada e toca para Júnior encher o pé pela meia lua, Clemer defende para o lado e Lenílson aparece sozinho no rebote para empatar a partida (e que partida!) no Beira-Rio.

Digna de Final de Liberta, a partida foi duríssima em Porto Alegre (Foto/Reprodução: esporte.uol.com.br)
Digna de Final de Liberta, a partida foi duríssima em Porto Alegre (Foto/Reprodução: esporte.uol.com.br)

A tensão tomava conta de todos que acompanhavam aquela final de Libertadores, e para fechar outro jogo memorável com chave de ouro, ainda teve tempo do milagre de goleiro. Aos 45 minutos, Júnior cruza na cabeça de Alex Dias que cabeceia a bola com força para o ângulo colorado obrigando Clemer a fazer uma das defesas mais importantes da história do time gaúcho.

Aos 48 minutos, o árbitro Horácio Elizondo apitava o fim de jogo. Nisso, a consagração de um gigante do futebol brasileiro em âmbito continental havia se concretizado, e também a certeza que estas duas finais de Libertadores da América jamais seriam esquecidas por quem as acompanhou. Dois jogos verdadeiramente CL’s, dois jogos verdadeiramente memoráveis.

 

Texto: Bruno Gabriel (@Um_Vocalista)

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