Jogos Memoráveis: Um furacão na Libertadores

Atlético Paranaense consegue classificação heroica para a fase de grupos da Libertadores 2014

(Foto: Reprodução/Reuters)

Após uma excelente campanha na temporada de 2013, chegando à final da Copa do Brasil e terminando o Campeonato Brasileiro no G4, o Atlético Paranaense do treinador Vagner Mancini e liderado pelo interminável Paulo Baier, garantiu vaga na Copa Libertadores 2014 após nove anos de seca. O time de Curitiba disputaria pela quarta vez o torneio. Sua última participação havia sido em 2005, quando conseguiu o vice-campeonato. O Estádio Durival de Brito, ou Vila Capanema, casa do Paraná Clube, seria o palco da Libertadores do Atlético, já que a Arena da Baixada encontrava-se em obras para sediar a Copa do Mundo.

O primeiro desafio do Furacão era passar pela Pré-Libertadores. Precisava vencer o jogo mata-mata para chegar à fase de grupos. O adversário era o Sporting Cristal, do Peru, figura conhecida no torneio e que veio a sagrar-se campeão peruano daquele ano. Caso passasse, entraria no grupo com Vélez Sarsfield, da Argentina, The Strongest, da Bolívia e Universitario do Peru.

A equipe que foi a campo em Lima era muito diferente daquela que terminou em 3º lugar no Brasileirão do ano anterior. O treinador Mancini não se entendeu com a diretoria rubro-negra, assim não renovando o contrato. O veterano Luiz Alberto, que fez excelente campeonato, também não renovou. Baier seguiu o mesmo caminho. No jogo de ida, no Peru, 2 a 1 para o time da casa. A decisão seria em Curitiba, na Vila Capanema.

 

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(Foto: Reprodução/EFE)

2 de fevereiro de 2014, quarta-feira. Dia memorável para quem compareceu à Vila abarrotada de atleticanos. O Furacão do treinador Miguel Angel Portugal precisava vencer por dois gols de diferença e começou o jogo indo pra cima, mas encontrava dificuldades para chegar ao gol adversário. Logo aos 18 minutos, as cenas lamentáveis marcaram presença. Zezinho e o peruano Balbín, que já haviam se estranhado, trocaram empurrões e receberam cartão vermelho.

No segundo tempo, Douglas Coutinho saiu para a entrada do espanhol Frán Mérida, meia formado nas categorias de base do Barcelona. Em cobrança de falta, o europeu colocou a bola na cabeça do zagueiro Manoel, que desviou de cabeça para o gol. A Vila entrou em chamas. Barulho estrondoso vindo das arquibancadas. Entretanto, a euforia do torcedor atleticano durou pouco. Dois minutos depois, após cruzamento, Ávila empurrou a bola para o gol atleticano e empatou o placar. O resultado classificava os peruanos.

Aos 20 minutos da segunda etapa, o peruano Cóssio tomou o segundo amarelo em falta violenta e foi para o chuveiro. O jogo virou ataque contra defesa. Na pressão dos paranaenses, Natanael, Marcelo Cirino e Mérida quase marcaram. O tempo ia passando e o torcedor ia ficando cada vez mais angustiado. A decisão ia ficando para o final. Depois do minuto 45, alguns torcedores já iam deixando o estádio. Mas logo eles voltariam.

Nos últimos minutos, a pressão atleticana era fortíssima. O desespero era grande nas arquibancadas. O torcedor atleticano, tão pouco acostumado com o gostinho de Libertadores, ia perdendo a chance de ver seu time no torneio após tanto tempo. Quando ninguém mais esperava, aos 49 minutos do segundo tempo, em bola trabalhada desde o meio de campo, o zagueiro Cleberson chutou à queima-roupa e o zagueiro Ortíz meteu a mão na bola em cima da linha. Penalidade máxima. Na cobrança, Ederson, o artilheiro do Brasileirão 2013, virou o jogo. A Vila explodiu. A decisão seria nos pênaltis.

Torcedores taquicárdicos, jogadores concentrados. Nas primeiras cobranças, Ederson e Lobatón acertam. Nas segundas, Deivid, formado na base atleticana, chuta nas mãos do guarda-redes Penny. Cazulo faz o dele. Nas terceiras cobranças, dois acertos. Na quarta cobrança, o jovem Nathan, de 18 anos, bate fraco e desperdiça. A derrota parecia inevitável. Era preciso somente um gol dos peruanos ou um erro do Atlético para que o jogo acabasse com vitória dos visitantes, mas como dizem por aí, o futebol é uma caixinha de surpresas.

Delgado chutou no canto e São Weverton, como de costume fazendo seus milagres, foi lá buscar. Natanael garante o dele. Calcaterra, ainda com a bola do jogo, isola para longe do gol. Tudo empatado. Nas cobranças alternadas, Mosquito e Nuñez marcaram. Manoel, na sétima cobrança, com frieza, fez o dele. Era hora de secar Aquino, responsável pela cobrança peruana. As vaias faziam um barulho ensurdecedor no campo, que virou uma panela de pressão para o jovem de 19 anos. Não deu outra. Num chute carregado de ódio, acertou o travessão. Festa rubro-negra, atleticanos em delírio. Final de jogo cinematográfico. Com vaga garantida na fase de grupos da Libertadores, o atleticano dormiu feliz. O futebol realmente respira.

 

Texto: Tobias Fernandes

 

1 Comentário em Jogos Memoráveis: Um furacão na Libertadores

  1. Pqp, melhor jogo da minha vida, o coração batia tão rápido que parecia que pular fora do peito. Me lembro bem, estava assistindo o jogo próximo a grade, na segunda ou terceira fileira. Na hora da classificação, eu já tinha perdido meu irmão faz tempo e estava abraçando desconhecidos lá pela vigésima fileira nas arquibancadas. Salve o futebol

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